Mittwoch, Juli 02, 2008

brains on fire OU navigueira

O espírito do dia é um Pixies esganiçando na vitrola empoeirada, me fazendo lembrar do tempo em que a Figueira era nave. Minha mãe era secretária de uma escola de ballet e muitas manhãs passei brincando nas salas espelhadas; gostava de dobrar as portas e ver os vários-eus-refletidos, que em minha imaginação infantil configuravam paquitas de mim mesma. Acho que por isso sempre quis cantar, escrever ou pintar; mera questão de vício representativo. A escola de ballet ficava no segundo andar da escola de natação, na frente da qual erguia-se esplêndida a Figueira de minha infância. Depois das manhãs nas quais me divertia com os espelhos enquanto minha mãe atendia telefonemas, eu almoçava marmita de arroz com ovo e ia para a escola. As aulas acabavam às 17h30 e meu colégio ficava duas quadras a esquerda da academia, caminho que eu fazia com o prazer de uma colegial comendo azedinhas grudentas e a rapidez das meninas em idade de usar bermudas curtas e correr sem constrangimentos. Dessa feita, cinco minutos depois já estava eu na minha Figueira, acomodada na minha poltrona de galhos; assistindo o pôr-do-sol ao som das conversas de bailarinas de 14 anos penteando cabelos, vestindo malhas e estalando elásticos. Coques, grampos, banheiros femininos. Foi ali que aprendi algumas dessas noções de vaidade: a janela do vestiário povoada por agendas coloridas, escovas capilares e cheiro de suor, contemplados pelos meus distantes olhos de 8 anos. Lá embaixo, na sala de natação, uma loira tingida enfiada em polainas dava indicações de movimentos braçais em frente à piscina. Mais tarde, eu viria saber que tratava-se a mãe do meu co-piloto.
.
.
Meu co-piloto de árvore-nave devia ser uns 2 anos mais jovem, era magricelo e carregava carrinhos que enfiava na areia. Sempre tive nojo dessa areia urbana na qual a gente cava, cava, mas tudo que encontra é cimento. Ele parecia não se importar. Ficava imerso em suas mãos e as rodas de plástico enquanto a mãe pulava fora d'água e eu girava 90 graus no galho mais baixo da Figueira. Um dia, assim, sem motivo, com a espotaneidade de uma criança liberta das racionalidades adultas, eu disse "Sobe aqui, vamos viajar! Tá vendo aquele tronco ali do meio? É a minha cabine, a Figueira é a minha nave". Ele me olhou num misto de surpresa e desconfiança, acredito que mais surpresa que desconfiança, ou então a própria mistura inusitada de insegurança e alegria ali contida era que produzia aquele efeito nos olhos dele; uns olhos que me diziam que se eu continuasse mais um pouquinho bem pouco conseguiria atar para sempre. Eu queria atar um garoto na minha rede de folhas e cores, pela primeira vez; carregar alguém para as minhas sombras. Porém, havia um detalhe, pequeno, mas importante: o destino da viagem era uma invenção minha e eu não estava brincando. Digo que não estava brincando pois levava deveras a sério a idéia do Tele-Transporte. E então expliquei ao garoto "Se tu subir aqui na minha nave a gente viaja pra outra dimensão. É só sentar e fechar os olhos. É uma viagem muito rápida. Quando a gente chegar tu vai ver que as coisas vão estar todas iguais, mas serão outras".
.
.
[E agora me pergunto se ele realmente achava que eu estava brincando, e por isso mesmo aceitava, como alguém que consente brincar de roda ou de Dominó. -- mal sabem os garotos.]
.
.
Da primeira vez que ele consentiu foi como se eu tivesse nas costas um peso maior que o da mochila que carregava nas costas indo-e-vindo do colégio para a Figueira. Mas era um peso diferente, uma carga que eu queria carregar mas não me sabia capaz. Queria descobrir. E por isso naquele dia dirigi minha nave-árvore com mais concentração e auto-controle.
.
.
[É preciso disciplina para elevar os alteres pessoais das nossas descobertas.]
.
.
Eu estava descobrindo o prazer de soltar o peso, quando estacionei aquela árvore nos meus sonhos, e disse para o garoto "Chegamos. Agora vamos dar uma volta e reconhecer o território... Como tu pode ver a quadra de tênis continua ali e também a piscina e também a minha mãe e a tua. Mas não te deixa enganar, estamos em outro mundo. Essa quadra de tênis é uma selva disfarçada de quadra de tênis e bem atrás da gente vem uma cobra! Anda, corre em zigue-zague pois é assim que se confunde a cabeça das cobras!". E ele corria, e eu corria, e ziguezagueávamos entre ciprestes urbanos ao redor da cancha que mais parecia uma enorme caixa de areia. Depois, exaustos, deitávamos na grama, e então eu mostrava pra ele as nuvens e as cores do pôr-do-sol, que já não eram as mesmas de quando estávamos na nave, e essa era minha única prova: as andanças do céu no tempo de um final de tarde. "Viu só, tudo em volta parece igual, mas se tu olhar pra cima, vai ver que tá tudo diferente", eu disse. E foi assim que pela primeira vez eu vi os olhos de surpresa e desconfiança de um garoto se tranformando em expectativa e orgulho... ele saiu correndo e gritando 'Estamos em outro mundo! Estamos em outro mundo" e nem lembrava mais do brinquedinho com rodas de plástico atirado no chão, prova incontestável da realidade pálpavel. "Vamos entrar na academia", ele disse, "Quero ver minha mãe de mentira". E então nós entramos; ele, exultante de compartilhar apenas comigo aquele segredo transcendental, olhava para os alunos de natação com uns olhos de amor-próprio exacerbado que só voltei a ver de novo na idade adulta, em olhos de usuários de cocaína. Tanto faz amor ou cocaína, dizem. E então ele avançou em direção aos braços metodicamente saculejantes da mãe e gritou exultante ''Tu não é minha mãe! Tu não é minha mãe! Tu é uma mentira!"
.
.
.
.
.
.
.
.
Uma pena que essa brincadeira de tele-transporte místico tenha durado tão pouco, pois a mãe dele era, afinal de contas, colega de trabalho da minha. E eu, obviamente, tive minhas viagens transcendentais precoces confundidas com uma certa noção de MENTIRA, e por conta disso me configurei ali uma criança mentirosa e pertencente ao grupo das 'más companhias' para o filho da professora de natação; apesar de extremamente inteligente e criativa, como vocês podem notar. O talento para o tele-transporte ficcional já estava no meu corção bem antes de Pixies, assim como a tendência manipulatória digna de uma femme-fatale. Ok, talvez eu esteja exagerando. Talvez eu fosse apenas uma criança. Mas acredito que os sentimentos de reação padronizados já estão todos lá, pois ainda hoje tanto faz convencer um garoto a entrar na minha nave ou na minha cama, assim como tanto faz viajar para fora ou para dentro das árvores; os cabelos vão continuar voando e o gordo suado vai continuar esganiçando hey paul, hey paul, hey paul, let's have a ball. Tanto faz uma bola alimentada de plástico ou clorofila, um cabelo jovem sedoso ou um cabelo velho seboso. Dizem que os cabelos morrem, e então a questão se limita ao uso ou não do gel fixador durante a vida. E se a vida é uma idéia fixa, só nos resta lembrar. Ou sonhar.
.
.
[meigo]
.
.
Trilha sonora: desengavetando Pixies (Doolittle + Surfer Rosa)

Donnerstag, Juni 26, 2008

Mittwoch, Juni 25, 2008

deserto.

fragmentos de 'psicologia da composição':


"ali, é um tempo claro
como a fonte
e na fábula.

Ali, nada sobrou da noite
Como ervas
entre pedras"

(joão cabral) ------> sabe tudo. ervas entre pedras: natureza sufocada pelos arranha-céus da cidade paulista neurótica-urbana ou apenas folhagem ao vento deslizando suave-batida na pedra? a pedra saiu do meio do caminho e agora está na cabeça. é preciso endurecer os neurônios. esqueçam esse papo de ervas.

"o sol do deserto
não intumesce a vida
como a um pão

(o sol do deserto
não choca os velhos
ovos do mistério

mesmo os esguios
discretos trigais
não resistem a

o sol do deserto
lúcido, que preside
a essa fome vazia.)"

(joão cabral) -----> grande amigo do miró e primo do bandeira e da bandeira. brasileiro pensante? poesia estruturada e adbdicante do pathos/emoção. frieza de lascas cortadas por foices em relógios de sol no deserto? funktionieren.

Powered by Wikipedia (copy/paste, com licença.) :
- Estranhamente, João Cabral escreveu um poema sobre a Aspirina, que tomava regularmente, chamando-a de "Sol", de "Luz"… De fato, desde sua juventude João Cabral tomava de três a dez aspirinas por dia. Em entrevista à "TV Cultura", certa vez, ele contava que boa parte da inspiração (inspiração sempre cerebral) provinha da aspirina, que a aspirina o salvava da nulidade!
-João Cabral de Melo Neto não compareceu a nenhuma reunião da Academia Pernambucana de Letras como acadêmico, nem mesmo a sua posse.

..... E Anfion ficou no deserto até a última erva que tentou o acompanhar.

"inseto vencendo o silêncio como um camelo sobrevive à sede"

"pelo avesso, procura
o deserto, Anfion"

"uma flauta: como
dominá-la, cavalo
solto, que é louco?

como antecipar
a árvore de som
de tal semesnte?"

"eu me refugio
nesta praia pura
onde nada existe
em que a noite pouse

como não há noite
cessa toda fonte
como não há fonte
cessa toda fuga;"

"CULTIVAR O DESERTO COMO UM POMAR ÀS AVESSAS"

gerando cogumelos frágeis cogumelos úmidos cogumelos no céu da nossa boca ou algo assim que o valha, joão cabral eu te amo como as groupies subindo no palco com chuck berry. (L)

e voumembora
deste papel
de apertar dedo-letra
onde pode
o pó
virar vinho e o vinho soninho
e as cinzas
irmãs

se as mesmas

neste filme
que já vi
estão,
pppffffff
posso dormir.

ronc.

- todo mundo sabe o que é certo, mas não faz.
- certo é um conceito muito relativo.
- relativo é o conceito que te faz não seguir adiante.

obrigado, amigo.

joão cabral de melo neto & érico veríssimo

borges & machado & outras orgias tirânicas em cena porém atrás das cortinas. no party. no people. no me. apenas o atrás do deserto quente de sol amarelo-ovo cabelo-da-mulher-da-farmácia. me angustia. esse papo de desertos & histórias & mentes. isso é uma orgia desnecessária,senhorita. INNER LIFE. JTZT. o jardim das delícias com elfos & fadas & neuroses perfumadas. o muco, a abelha e o nariz-pólen. os poemas que eu não entendo e os mofos que eu não seco. o óleo escorrendo pelo olho da boneca na lareira. as chamas, o fago-fácil inalável de dor quente. as mandingas da esquina foi a mão-da-mulher-da-farmácia. o sol do deserto que não aquece o pão foi o poeta. as moedas no meu bolso caem. tóin. nhóin. nhóin. essas coisas meio clarice não tolero. criança da primeira série escreve melhor do que eu. óculos 3D ganhei no cinema. fabricadas fórmulas funktionieren.
-
-
-
-
AZAR
NÃO
DÁ
NA
DA
-
-
-
-
Ich mache nichts für meine Körpe. Dass gefreut mich nicht. Ich kann nicht abnemmen, aber ich habe schon fast eine Jähre keinen Fleisch gegessen. Ich gern meine Esssengewohnheiten nicht. Wenn ich Schokolade oder Trakinas esse, fehlt ich der Schuld! Ich weiss dass ich mehr Gemüse essen müss und mehr Wasser triken is auch genau für meine Gesundheit, aber vielleich hasse ich alles dass gut für mich ist. Dass ist eine Gro (estzét)e Problem! Ich treibe keine Sport und esse wenig Obst (Ich gern Sport treiben nur wenn ich im Urlaub bin). Mittags habe ich nicht viel Zeit zum Essen und abends esse ich gern Sü(estzét)es. Ein Bier und eine Zigarette ist auch sehr interessant! Im Winter habe ich immer Grippe und Fieber. Ich normalerweiser schlafe die ganze Tag. Regelmä (estzét)ig müss ich zum Arzt gehen! Ich bin immer krank! Dass ist wirklich traurig, aber wir können immer Tabletten oder Tropfen nehmen (und Light-Produkte kaufen). Kraftwerk singen "Sie ist ein Model uns sie sieth gut aus"; dass ist wunderbar, aber ich bin nicht eine Model, ich bin eine depressive Frau und ich liebe essen! :)
.
.
.
tô brincaaaaaaaaando.

Sonntag, Juni 22, 2008

sobre Walter Hugo Khouri

O melhor filme do diretor segundo os membros da comunidade na Orkut:

ARTHUR,:
palacio dos anjos

Alexandre
Eu e o Prisioneiro do Sexo

Anonym
Convite ao Prazer. limao mulheroes sensibilidade e sinceridade

♥♥♥ Velour
Noite Vazia é a obra-prima.... mas As Amorosas é o mais próximo da minha vida hoje.

06.12.07
Anonym
eu prefiro o prisioneiro do sexo

06.12.07
Safenado &
NOITE VAZIA
none

Mittwoch, Juni 18, 2008

Por um mundo mais Herbie Hancock

[Eu imagino a calma como pianos que deslizam pela areia branca de uma praia deserta, em algum filme sobre músicos mortos. E então quem sabe, nesse filme das minhas divagações inúteis, os pianos derreteriam formando uma pintura surrealista em tela plana. Eu não tenho planos, e isso é como placas de proibido fumar em cafeterias: injusto. É como a sombra de um coqueiro no quintal: está lá, mas não existe. Está em nós ou em algo nosso, jamais em um filme.]-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------> INÍCIO <-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
------------
+
-
=
+
-
=
+
-
+
-
=
++++++ Por favor, não procure. Talvez a resposta esteja no encontro supersticioso e ocasional, e não na BUSCA. É possível forjar a BUSCA, mas jamais simular o verdadeiro ENCONTRO. E digo morango, por não gostar de cerejas. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
----------> FINAL: Não-procurar, mas jamais esquivar-se. Pronto. Abri de novo as cortinas, o que acontece é que elas estão rasgadas, então tanto faz. E me perco de novo e de novo pra poder achar o VÍNCULO. E não é isso que te constrange? Esse monte de vômito retórico que só diz respeito a mim? E não é essa a maior queixa do grande público? Ora, o público sempre nos julga artificiais, e quando não somos artificais, somos verdadeiros em excesso, 'exibicionistas' que gostam de se expor. Exposição! OH Pecado Maior! Ou seja, ou o artista é superficial, ou é megalomaníaco. O artista? Não! Eu quis dizer as pesssoas. ========= TCHAU.
Trilha Sonora: FINAL HIT: Herbie Hancock, Cantaloupe Island.
trilha sonora do EDIT: Billie Holiday, Easy Living & Say it with a Kiss.

Dienstag, Juni 17, 2008

o importante é ser espontâneo.

Vírgula!

dê um grude no pagão

ESSA É A MINHA VERSÃO DE LARANJA MECÂNICA (O LIVRO) E POR ISSO NÃO VOU EDITAR, ACHO QUE O SENIDO ESTÁ NA EXPRESSÃO ESPONTÂNEA E NÃO EM PAPÉIS OU IMPRESSÕES.

RIAM< SINTAM-SE EM CASA. SENTEM-SE NA FRENTE DA TV.


(abobada mental quer passar abram alas) - sorriso, bico, rímel. simples.

Você também, quer ser alucinado mas tem nojo de poder o gatoe a revitsa perder. dêumgrude no pagão. enquadrado em cortinas de bolhas nas bexigas cheuas de dor e soda cáustica amrelo ouroda lua que vem após o nascer da prata na espada do cavaleiro noturnode.. saturno? UH? Bate-os-ovos na piscina das lágrimas verdes depoçoos artesianos na Amazônia.Enbgajada? modernistas? wuem se imortaConexãoOu textura leveza..ja nada mais importa..nem ponto nem vuirgurgul\ anme combinaçaod enada que nao seja a,pura contemplação do caosdomesticado e vívido das facetas do soooooooooooooooooom.aborigene, mutante,macro-simbi-ótico.epelho nas ma~ços de jovens em apartamentos decoradospelosurrealismode 1925;Rodas,trafos, bnebidas e de estragos de pelúcia.barbies em conjunto de estudantrs de m,edicina em vésperas de formatua.FORMA DEFOIRMA CONVOCO NVOCA TRIUNFA>

QUEm AQUI QUER TRIUNFAR?
QUEm AQUUI ENTEDEU ALGUMA COISA??
QUEM AQUI QUER GFAAAAZERRO OBSEQUIO DE FOCAR CALADO??
QUEM AQUI SE ABSTEN DA CRIRICA??
QUEM AQUI TRANNSCENBDEU>>>>> HEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIM??

HOMEM E ALMA CANSADAA????
AFUNDANDOI^^^^^???

QUALÈEEE
QUALE DESSA DE TEMPO
DE CALAR
DE PSSAR

CORPO
CHAO

AAAAAAAAAAAAAAH

SONO
é lógico
o sonoé aunica resposta

a compota questionável
das questões
ou

canções
tanto
faz


vopraz
atrás
adeus

trilha sonora do edit: Billie Holiday, She's funny that Way.

Samstag, Juni 07, 2008

Diálogo do dia ou literatura-blogal-com-recurso-fílmico

É manhã de domingo no outono de Porto Alegre. Um casal de jovens está passeando de 'pedalinho' no lago do Parque da Redenção. Eles estão ouvindo jazz no meta-celular dele, que repousa sobre o pseudo-painel de controle do barquinho pedalante. Ele diz que tem uma banda. Ela diz:
-Ah, legal. O que tu toca?
-Bateria.
-Ah, legal. Bateria deve ser difícil.
Ele responde, num tom natural, ajeitando o cachecol:
-Tudo é difícil. (e tira uma foto - de outro pedalinho, em ângulo inusitado.)
Depois chove como se fosse um momento crucial, como se fosse um filme do Woody Allen.

Gummo Pride

Assisti ontem Simple Men (1992) e Flirt (1995), do Hal Hartlay; seguem a linha contrária de filmes como Kids (1995) ou Gummo (1997) - adoro um pastelão rosa bebê com azul e jovens rebeldes-sem-causa, ou melhor, rebeldes-pelo-glamour. - mas Hal Hartley parece preferir bofetadas vigorosas - e ao mesmo tempo fraternas (pois só quem ama bate, afinal) - e dancinhas inusitadas. Destaque também para as questões existencialistas em bocas de pedreiros, policiais americanos, figuras que acham a virgem Maria muito cool, freiras fumantes e outros. Uma das afirmações filosóficas feita por um extravagante personagem do diretor (um criminoso com carência de afeto maternal), e que é como um jargão de Simple Man, é a de que não existe felicidade, a unica coisa que existe são desejos e problemas, "e quando temos um desejo, temos problemas, e quando temos um problema, não temos mais desejo". A estética é interessante, um tanto Sonic Youth, apesar de os videoclipes do Sonic Youth serem muito mais vanguarda, na minha singela opinião, em questões cinematográficas, do que esses dois filmes de Hal Hartley, em termos de composição plástica (decoração, fotografia, figurino), ali pelo fim dos anos 80 e início dos 90 (destaque para o jogo tosco de espelhos em Tunic. Aliás, este videoclipe inteiro é pura trash-arte da melhor qualidade). Mas, falando agora mais especificamente de Simple Men, o fato é que a tentativa de Hal Hartley, em geral, na minha opinião, fracassa. O estilo do diretor parece muito com o de John Cassavettes em A Woman Under Influence (1974); aquele humor negro arrastado, denso - um cinema, eu diria, para "sentir e não entender, entender e não sentir" -nas palavras de Mário de Andrade, sobre a literatura modernista brasileira. Mas gostei de Simple Man, no qual o diretor consegue se fazer entender sem maiores esforços intelectuais por um espaço maior de tempo e manter o humor por meio, por exemplo, das constantes bofetadas, digamos assim, "chiclete". As repetição ao longo do filme de takes de violência semi-gratuita (pessoas se esbofeteando por motivos torpes e a exaltação, por meio de diálogos, da contaminação da 'elevação do fútil' ao status de 'problema') não passam de uma tentativa de fazer comédia forçada, empurrada com um caminhão, quase. Ora, e o que é isso se não Tarantino ou, sei lá, qualquer outro pastelão? Como eu disse, Simple Man talvez se salve, mas eu ainda prefiro a linha de adolescentes problemáticos escutando rock'n'roll.

Mittwoch, Juni 04, 2008

Mother Nature

ha-ha-ha. Não sei da onde tirei isso, talvez seja a tal procura do estilo. Repetição? Começo a pensar que a resposta está na repetição. Na assimilação do maior número possível de influências e na absorção do sentido linear de seus respectivos comentários repetitivos. Sim, falo sério. A publicidade, a política e tudo mais que exerce algum tipo de influência, todos esses termos reducionistas, não passam todos de joguetes sincronizados de estímulo/resposta. AH, como eu odeio perceber. A percepção e a cobrança de afeto são opostos perceptíveis, O perceptível é um afeto for free. Será? Adoro quando cantam baixinho no meu ouvido, essas fadinhas vestidas de nerds-linguagem que nos trazem braços tatuados; de fé, de roupagem, de cola, papel tesoura em tela plana. Não sei. Talvez ex-seis, ou nove. É preciso haver uma regra, única certeza. Last chance. BLéééew.

[me poupem de seus roteiros para 'curtas' e seus 'artigos' homofóbicos. Ora, estudem PSICANÁLISE, garotos sooofine.]

a well respected girl

Querida,
'Não te preocupes, eles só estão fingindo que se divertem', diz uma senhora ao seu gatinho, observando, da janela, as crianças que brincam em balanços no quintal. Algumas gramas são verde-fosforescente, cor do quarto da garota do flickr, também. E eles são todos tão bons também, os rapazes nas letras dos Kinks; são tão saudáveis de corpo e de mente. Seus cabelos quase sempre conferem identificação de sooo fine. E eles são tão sinceros em seus machismos de postar mulheres nuas em filmes desconhecidos do grande público. Ok, vamos nos organizar. Eu falo, de tudo isso e de um pouco menos, um tanto micro, entende? um macro buraco na estrutura textual pode ser uma lei física, quem sabe? Na finaleirada Poética? Um post de roubos. Vou trocar a música. Quem sabe um dia eu consiga me libertar (...) Prefiro Barry Louis Polisar a Buddy Holly. Não sinto saudades e tão pouco tenho orgulho disso. Acho as gaitas meigas. Suponho que saibas tudo isso, me arrepio de pensar que não. Alguém tem que saber. O sangue precisa ser retirado das camisas uma hora ou outra. De manhã ou de tarde, ele não sabe. Mas ele não sai. Uma hora sai. Por isso, fechei as portas.

Amor infinito,
Gabriela.

Dienstag, Mai 13, 2008

os demônios tomando o carro de frente OU deus, livrai-me do espírito intelectual

Odeio todos os jovens que igualmente sofrem, em inúmeros apartamentos com internet domiciliar afora, ao escutar uma canção de David Bowie. (...) Suspiro. Me igualo. Me odeio como representação e como angústia de reconhecimento. Reconhecimento de minha impotência diante da música pop, do café vanilla, das mega-corporações, das maquinarias elétricas e do sistema público. Me aflige não ter uma opinião formada sobre a privatização das empresas estatais. Me aflige receber o email de um professor desesperado atrás do aparelho Ipod que esqueceu na sala de aula (recarregando-na-tomada-da-universidade-pública), mas me aflige também a hipocrisia dos discursos politizados. Me afligem os colegas usando aspas com as mãos; Isabella Nardoni e Cristhiane R. na prisão de Caras; a pornografia do terror. Me afligem os professores procurando respostas nos olhos de alunos drogados pela alienação massiva do ego. Me irritam as divagações, mas não posso me livrar delas, isso seria uma separação daquilo que não lembro mais; renunciar ao sonho, à dúvida, ao irreal e incerto. Me desvencilhar daquilo que não compreendo e não possuo, disso sou incapaz. Portanto sigo aqui divagando, dizendo o que tem que ser dito, pois quando se tem nada a dizer, não se diz nada.

Donnerstag, April 24, 2008

grande descoberta

o que eu penso e sinto não é literatura/ é necessário manufaturar a palavra.


mas aqui só o caos domesticado sobrevive.

larguei os filhotinhos no mundo, sem jamais me sentir responsável pelo que se tornariam; como todo filhote de mãe desleixada, tornaram-se monstrinhos repugntantes em sua insignificância. agora, como toda e qualquer mãe delsleixada que contempla os filhos-adultos-resultados miseráveis do passado, só me restam os conselhos e, portanto, digo apenas que se um dia eles se aventurarem a voar como pássaros, que aprendam a cair sozinhos como gatos.

(...)

mas talvez eles sejam paraplégicos. ou surdos.

Q?

nada. sempre nada. besteira reinante. diarizinho ordinário.

ADEUS.

[ processo de abandono ]

------------estou me desvencilhando desta página morta. respeitem minhas tentativas frustradas. e tenham tédio, muito tédio de mim. obrigada. e adeus-----------------

Mittwoch, April 23, 2008

das letzte wort

Acabo de encontrar, depois de contemplar a tabela de casos da língua alemã,o grande mote da minha personalidade: a contemplação. Tenho notável talento para a arte de ver e me auto-alegrar com as cores e as variadas formas e contornos que podem assumir os meus objetos de contemplação; sejam eles palavras, números, desenhos ou fotografias. Enfim, natureza viva ou morta, organizada ou caótica. Contemplo o caos e ambiciono o bem supremo-impossível. O excesso de contemplação também me faz confusa na tentativa de estabelecer contato e me fazer compreendida. Sinto que nesse texto estou melhorando no processo de transformar tal deficiência em uma vantagem, quicá a maior vantagem, quem sabe meu maior trunfo. Enfim, acho que passei já demasiado tempo contemplando as reflexões demontradas nas frases anteriores. Começo a me confundir. No fundo é sempre o medo; o medo, a culpa e a timidez; trunfo da auto-ajuda e afinal qual o problema? É que ás vezes, assim, no meio do processo criativo, me dá essa vontade de falar em toc-tocs, como se estivesse a fazer música no teclado. Porém o ritmo dispersa, assim como essa vontade de escrever e compartilhar me dispersou da tabela de casos da língua alemã. Como resolve? Voltando. Ir e vir, navegar é preciiiiiiiiiso, viver não é preciiiiiiiiiiiiso; acho que foi o Caetano. E sim, viver não é preciso, no sentido de 'definido', 'exato'. A precisão está na lei do eterno retorno. 'Bem delineado'? Tudo bem, desculpa, já estou nitidamente me dispersando. Peraí. Desculpa? Vocês estão vendo? Medo ---> Culpa -------> Timidez. E pronto, sempre acabo um post como esse assim, tímida. Ou auto-sugestionada. Me sentindo uma chata. E agora já me dá vontade de colar aqui uma frase qualquer da Billie Holiday chegando aos meus ouvidos-soulseek-media player. É a maldição da internet domiciliar no Brasil. Porto Alegre? Não é o problema. 'The problem is you'; sim, Sex Pistols. Eu e minhas citações. Mas, voltando a timidez acho que definiria tal sentimento como um vício necessário, pois é funcional no processo de aceleração do desenvolvimento místico-interior.
Q?

[...]

Reflitam.

Dienstag, April 22, 2008

cometa

explode, BUM! fere, atinge, mata. meus cometas só querem voar e voltam só depois do pico, vertiginosamente. meus cometas são rosa pink com bolinhas roxas. chega de cores, de amores, de rimas. ai, chega. chega de tudo isso. tudo tão vão-vazio e solitário. chega de inútil, let's pretend we are dead. let's pretend qualquer coisa mas vamos sair daqui; aqui não tem futuro, não tem graça, não tem pequena alegria cotidiana, é só desgosto e nem sequer enxuto. é só margem e ainda tem que arrancar os fiapos que sobram depois de arrancar do caderno. os restos, malditos restos que não buscam só lotam e esgotam. engasgam. gotejam. fama e divórcio, lua e jangadas, ai, tanto faz qualquer um desses, qualquer imagem, palavra, representação. tanto faz se azul ou fevereiro, sabe. tanto faz, você não está aqui, nem nunca esteve; almejada inspiração epifânica. e impossível. aqui. em mim. adeus. removo. recolho ao controle remoto. ESC? DEL. I don't care, I don't like, I don't cook. I'm a mess and so are you. Vamos nos manter distantes e calculistas, o mundo novo é assim. Boa sorte, de coração, e dedos gelados.

Montag, April 21, 2008

convício

acreditou por longa data na máxima da 'sociedade que destrói o indivíduo'. morou durante muito tempo em uma ilha com internet voadora e formou-se modista por meio de um curso à distância que consistia em envios textuais/pictóricos aos superiores e diálogos com os mesmos em salas de bate-papo acadêmicas-específicas. arranjou um emprego no continente como bordadeira-criativa oficial de um grande estilista cujas fantasias eram assíduas das vogues européias. forçou-se, então, ao convívio em sociedade. trabalhou durante um bom período na fábrica corte-e-costura. pediu demissão logo após ter os botões de todos os bolsos das camisas de sua nova autêntica-coleção roubados pela vizinha de ateliê. jamais retornou à ilha.

Montag, April 14, 2008

e por isso os bares estão cheios de gente vazia

"Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se." (Hilda Hilst)


Hoje eu não queria acordar de um sonho bom, e por isso, mesmo desperta, continuei a rolar na cama, num vai e vem de imagens vazias, cheias de despedida. Elas queriam ir mas eu queria que ficassem, pequenos quadros de beleza e inutilidade.

Hoje eu queria escrever sobre nuvens como flocos de algodão em um início-noite, e pensei no quanto soaria brega-vácuo, decidi então que escreveria sobre este meu sonho, no qual eu andava em trajes de banho por uma rua cheia de árvores e comemorações caseiras-desconhecidas. Os carros se acotovelavam em garagens expostas, as pessoas riam em muros baixos e fumavam cigarros com idosos-vizinhos. Minha casa e meu trabalho se localizavam em um mesmo edíficio-difícil reconhecimento. E eu andava em circulos de quadras-iguais. Que interesse há nisso? Nenhum, como não há também nenhum mal; e assim desvelam-se os porquês perfeitos, daqueles que não possuem respostas, nem graça.

Sonntag, April 13, 2008

aquele que fica sem título por um capricho de domingo

Há dias em que as cores me ferem, dias de laranja-explode, nos quais o negro-consome, onde o branco-cega. Nesse dias, há noites em que se necessita trocar de posição e se adormece com a cabeça nos pés, da cama; mas com os olhos na janela, do amor, e o jantar no coração, da cabeça. Nesses dias há jantares em que as comidas não nos fartam e o álcool que não nos faz esquecer. São dias nos quais o sono chega com o céu cinza de uma tarde chuvosa e vai embora no início de uma noite azul-chumbo, nos deixando dispersos no meio do fim meio-claro que se inicia escuro. São dias de tardes mortas, e de mortes vivas.

Samstag, April 12, 2008

OUTrínseco

How could people get so unkind?

Tenho um outono dentro de mim, nesses dias Neil Young na virtola, encontrado em meio ao pó dos discos esquecidos, mas que não encontro, procurando o meu amor. Sou sozinha agora, e estou única. Estou achada em folhas amarelas de árvores vivas como veias de máquinas-corpos em composição; nesses dias de tortas e empadas sobre a mesa na toalha de estampa florida, sentada ao pé da janela escureço junto à noite que chega abraçando um sol de céu laranja. Nesses dias de achar sem perder, sou um walk-talk nas brumas de uma cidade futurística, procurando meu amor entre as folhagens molhadas de refrigerante; sou onírica em tempos de levantar tijolos e braçal em épocas de piquenique no parque. E lá longe vou guardando o mais próximo de mim, ou finjo, e me engasgo em melodias de espelho, te procurando em olhos de vidro sem cor. Me perco em ouvidos de cera pelo caminho de terra-sonho. A terra é árida como a perseguição implacável da cidade que procura o rio-desperto. E engole todas as águas. E se enfurece sem pudores nem motocicletas, apenas a garganta sedenta de uma louca paranóica que busca a felicidade em cruzeiros tropicais. Tenho um verão dentro de mim, nesses dias de calor-digestivo-estômago, que me incendeiam a aldeia de mortos guardada a três chaves no meu corpo; eu as chamo inverno, primavera e outono, minhas amiguinhas-depósito das tardes sem sol de um dezembro negro. Mas chega de imagens, chega de digressões e artifícios. Não me levem a ruim, estou apenas procurando um pedacinho de mim, quem sabe perdido nessas vilas que entrevejo nos cartões postais da minha natureza inconsciente; e me respondo: I don't know, Dr. Young. We never Know. E os velhos também não.

Donnerstag, April 10, 2008

[cause it's a violent world]

[you take care of me
and i take care of you]

e me deixo levar assim pelas melodias doces, me deixo abandonada aos teus encantos e acordes, e adormeço nos teus abraços.


intensa. e foda-se. sempre fui assim. eu me amo, eu não consigo viver sem ti. senta aqui do meu lado e acende pra nós, vamos contemplar esta bela música sob um céu de estrelas escondidas atrás das luzes da cidade. não, não vamos conversar. e eu sei que tu me entende, eu sei que tu é a única pessoa em the whooole world que entende meu ponto de vista sobre as palavras vãs. e eu te amo tanto desde ontem. e te amarei mais desde hoje. e pouco importam as bebidas, os cigarros e as pistas de dança, se temos um ao outro e nosso jardim de ervas. pouco importam os exageros e os deslizes, se escorregamos um no outro. e é tão bom escrever na tua pele, é tão bom o teu joelho, o teu maxilar e a tua saliva. e é tão brega falar de amor, mas é tão amor ser brega.

[when i meet you i was just a kid, so i gave my heart completely]

BUT I WAS NEVER YOUNG!

standing on the right so you're printed on the left

'Mode, erklärt Garance Doré, sei wie die Creme zwischen zwei Kuchenhälften - sie halte alles zusammen.' [ Die Zeit, online]



Para os diabos com a moda, com a figura, com a massa indistinta de pensamentos; para os diabos com as regras, as sugestões, os conselhos. O que importa é a Aids, o que importa é a dor, o que importa é a morte, o que importa é chamar de vida o que nos acostumamos a chamar de Deus, e chamar de Deus o que nos acostumamos a chamar de Demônino. Devil's haircut, I slept with the Devil, I am Dervil's new luv, Teufelswerk and so weiter... MODA, o demônio tá na MODA.

Mood
emos
então
a moda,


vamos falar de blogs amadores, fodam-se os ponto.com, fodam-se a elegância virtual; vamos falar da moda da Azenha, vamos falar dos discos em capas mofadas de papelão em lojas do centro da cidade.

Não aguento mais essa cidade.

LET'S PRETEND WE DON'T EXIST, LET'S PRETEND WE ARE IN LOVE.

Desassossego como um mar de ressaca no inverno, trazendo para a areia as mais belas e afogadas jóias, descansando sob o sol que se mistura ao frio e ao céu azul. Blues, marca da tristeza; a palavra forte, a força das palavras, a falta de nexo e o excesso de vírgulas. O excesso de amor pelo mundo me faz odiar as pessoas, sinto todas tão distantes, sinto tudo tão imaturo quanto uma maçã verde em um quadro de sala de jantar. Excesso de mim mesmo. Sinto tudo tão pouco como um grão de feijão num grande parto de porcelana. Sinto demais. Sinto que vocês não entendem, que se sentem muito espertos, que se matam por parágrafos aleatórios em páginas de recados virtuais. Sinto que vocês não são o que parecem com seus piqueniques ao sol e amigos fazendo careta em fotologs. O circo humano me cansa e me fascina, mas a festa da humanidade reunida serve só para dizer que estamos todos invariavelmente dentro. É isso, o que mais me irrita em vocês, os outros, os sem fotolog, é que não conseguem ao mesmo tempo criticar e ter noção de que estão dentro da MESMA MERDA. Assim, em garrafais, pra agredir, porque não sou Caio Fernando Abreu pra dizer coisas doces aos corações duros. Porque, mamãe, ninguém me entende. Porque, mamãe, a senhora é uma falastrona.



AAAAAAAAAAAAH, eu queria tanto escrever uma história de amor, uma história de gente boa com final feliz. Mas não dá. Eu acho bonito nas letras do Of Montreal, mas em mim não fica bem. Não 'senta', sabe?


Pois quero mudar os meus assentos. Quero mudar minhas concordâncias. Mudar minhas inspirações e meus substantivos cansados e velhos. A onda, o amor, a vida, deus... ó, ruína!


Esse não saber o que se escreve e essa necessidade escrever, esse não saber como evitar e esse desejo de devorar, massacrar, morrer em abismos de teclado.


AAAAAAAAAAAH, que morra, então; me deixa partir, me deixa desaparecer; me come com sucrilhos.

Sonntag, April 06, 2008

vampiro dos quartos possíveis

[you're my cuuuuuuuute pie, yes, you aaaaaaaare..]
=
=
=
=
=
=

Não sei no que vai dar mas, como sempre, vou indo, me deixo levar por essa pessoa que aqui do meu lado dorme, por vezes acorda, boceja e volta ao seu sono profundo; daqueles que foram mordidos e carregam marcas aos pares; assim descansa a querida vítima dos meus hormônios da vez - minha voz - assim voa na nave-cama-karma; algodão doce perdido no parque das minhas alegrias - minhas alergias curadas, meus travesseiros usados.
Roubei teu doce como de criancinha, mordi teus pezinhos perfumados de talco. Ursinho. Mindinho. Pequeno e singelo como todo o afeto, meigo como um balão que flutua nos teus sonhos de agora, de agora enquanto escrevo e te olho e te perco. Porque viver é perder a cada dia um azedume a menos. Poque morrer é deitar no teu abraço e sentir as peles do mundo. Como coelhos e gatos e pássaros, todos num só abraço. Porque te ter é abrir a janela escura de madrugada e não ter medo, só estrelas; e te ver brilhar como uma delas dentro do meu peito. Delas? Não, meu. E a possessividade grita, e vem, nocaute, briga, versa-vice. Visse o verso? Me pegou. E já eras. Voou o amor, mais pra dentro da minha janela. WRONG! É pra fora que se faz, é dando que se fica sem, é tendo que se atola as perdas. E os danos? Desconheço, vou vivendo e não entendo, tuas vozes de sonâmbula, morte.

Sorte? É o sono tranquilo da torta esfriando na janela.


Samstag, April 05, 2008

shame-on-me

take on me, é uma música do a-ha. eu tinha uma madrasta que gostava de a-ha. uma vez meu pai jogou uma fita cassete do a-ha-dela pela janela do carro na free-way. meu pai gosta de ac-dc (e ele fala 'acê-decê'), tudo em minús-cu-la pra ser mais loser.

mamãe, eu não queria ser loser, só moderna.

[a demência é uma sofreguidão das almas cansadas. os espíritos verdadeiramente superiores sofrem por sentir. quem não sente é feliz. quem escuta a-ha e bomba na pista é contente. percebam a sutileza.]

the lost art of being silly ou Navegar é preciso

Sento em frente ao computador, mudo os modos da cortina, depois mouse, luz laranja fosforecente, marujos em estantes limpas. Fresco, o ar que vem da janela rompe minha pele

suave.

Morno, meu traveseiro na poltrona giratória.

Chata, a música escolhida por mim no Media Player.
Moderno,
quero ser?
Tosco, trabalhoso, preguiça.

Areia movediça?
Me lambuzo na terra,
é bom.
Páro.

Pisca o Soulseek ; conversas com alemães para uploads.

Levanto.
Torrada
com queijo e
pavê
de chocolate.

Incrédula.
No meu quarto
a vela.

Mittwoch, April 02, 2008

carta de uma menina ruiva arrasada em quatro atos

Primeiro Ato.

Melancolia, Beto? Que nada! Isso é a falta que te faz o Rio de Janeiro, é da falta que se fez as areias e o amor, é da falta que se desfaz o mar. E deságua... Desagradando sensos estéticos com reticências, pluralizando essa angústia em nove pedaços de doce-avelã. Tu vai voltar, Beto? Traz de volta a minha alegria, a minha esperança, a minha bonança? Dança de chapéu? Traz uma ceva e um crivo? Tira essa Janis Joplin da vitrola, por favor. Não dá mais, Beto. Não dá mais essa tua melancolia, já mofou. Toma, come um pedacinho. Vem, vem de mansinho e senta, sente sem entender e entende as cores nos amores de ontem. Ontem? Com cerveja. Hoje, sem cigarros. Pra sempre, sem dinheiro, sem ti, sem metas. Mas essa música, Beto, essa música me penetra. Me recebe, Beto. Abre a porta, fecha os ouvidos, abre a boca, fecha o nariz. Não sei, Beto. Não sei mais como faz pra eles me entenderem, não sei mais como faz pra interagir com essa gente de chulés, mochilas e mensagens. Não sei mais como faz pra sentar na grama de saia e perna aberta. Não sei mais dançar ballet, será que ainda sei andar de bicicleta? O primeiro doce a gente nunca esquece, né, Beto? Pô, Beto, eu te amo tanto, te amo tanto pra poder dizer 'essa é minha imagem de amor', 'esse é meu garoto e essa é minha carta de amor'. Não sei mais, amor. Não sei mais te procurar, não me encontro em lugar algum. Não sei mais me emancipar e me diminuo no teu peito. Não sei mais pra que tanto peito, tanta pança, tantos sorrisos. Não sei mais pra onde foram minhas lágrimas. Não sei mais pra onde foram minhas dores do mundo. Não sei mais quem é ego, quem é posse, quem é razão, quem é coração, não sei quem me domina e não te controlo mais os passos; meu pássaro. Passado. Pasto. Passarela. Passa dor de sentir, sente o sentido do sangue borrado em carmim-unhas. Pega no meu cabelo vermelho-paixão. Tantos, tantos caminhos e esconderijos, tanto pega-pega e esconde-esconde e tu, Beto, tu nunca me amou. Tu nunca sequer me olhou e pensou puxa, que interessante, aquela garota pensa diferente. Nunca sequer te passou pela cabeça eu assim, capaz de sentir tanto e fazer tão pouco pelo bom senso. Tu jamais me amou assim nem assado. Frango-assado. Revista Playboy. Garotas nuas. Bandas de rock. Patricinhas de fotolog. Vai tudo tão normal por aqui, Beto, vai tudo assim, tão sempre, tão preso, tão vinculado, tão popular. Vai tudo assim tão óbvio, tão jogatina, tão aparente. É tudo aparência, meu amor. É a era da imagem, é a tua vez e a minha morte. Sorte? É o meu cansaço aplaudindo deitado.

Segundo Ato.

Jonas, cadê minhas meias, Jonas? Jonas, cadê meu jornal? Eu te odeio, Jonas. Tu me pega as coisas e some num ar rarefeito de marlboros tristes. Tu me corta os joelhos com a régua e me fere em descompasso. Tu me morde a orelha tacanha e me acaricia em dedos de mel azedo. Não dá mais, queridinho. Sai daqui, vai lavar esses calos alaranjados de podridão nefasta. Mefisto? Desisto.

Terceiro, desato.

Sua puta vadiaescrotomórbidafederal. Sua ladra, porca, desgastada em páginas de choro melando rendas e sucatas com açúcar de limonada. Me beija! Não quero! Muda! Não mudo, não mudo, não mudo. É tão confotável aqui, vem, deita pra ver, pode sim, morde o travesseiro, vai fundo, não é bom. Mas o que é bom? Sorte? Sai dessa, tira essa máscara de atriz pornô. Vai criar vergonha nessas caras e bocas. Vergonha? Criar? Não mudo, mas me calo. Calor. Calooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo R!


Quarto, mato.

Depois queimo
o mato
mas antes
vejo
o saco
do mosntro
que age
na paisagem
em trilhas
rumos
pintados
amados
esquecidos


adeus
adeus
adeus

dói
mói
consome

DRAMATIZO, SIM.


Beto, tu não tirou a Janis Joplin. Q?


NADA
ALMOFADA
SACADA
BIXARADA
BARATA
LAGARTA
NA MATA
ME MATA
DE AMOR


tudo ruim, tudo ruim, tudo péssimo. nada com nada sou eu. eu com eu sou tudo, assim, no meu quarto, sem ti, com a tua pena, e a dele.

PENA
umapena
desconsolada
dolorida
show me how


wannabe

ah

deixa

let this love flying die.
let this dead love fly,

maybe, maybe, maybe... summertime.

Um dia ele volta. Vai, Beto. Voa, venta, varia. Tu é minha varíola; minha doença morta, minha esperança torta.


Amar é bonito, afinal.

Samstag, März 29, 2008

a leveza do utilitário e o peso da auto-promoção

Este blog está muito pesado, só apresenta idéias desorganizadas e incompreensíveis que não me parecem úteis a nenhum espírito verdadeiramente intelectual. Eu deveria agora postar uma foto minha de cabelos compridos encaracolados vestindo uma blusa cor-de rosa e sustentando uma margarida plástica atrás da orelha esquerda?

Não o farei, me restrinjo a pintar as unhas de vermelho carmin e ler este site:

http://listverse.com/

Fiquem com o vento da janela. Ou com Chuck Berry.

(TO MUCH MONKEY BUSSINESS FOR ME BEIJOS)

[P.S - O Almodóvar meigo (indie?) das artes plásticas?] :

http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/muntean_and_rosenblum.htm

Donnerstag, März 27, 2008

mentes criativas não são especializadas,

segundo especialistas.

Um oferecimento da Igreja Universal do Reino de Deus.

círculos e cerdas vassourais

Odeio o barulho das vassouras batendo nos móveis. Hoje é terça-feira e terça-feira é dia de faxina; eu nunca participo, fico só aqui passando calor com Stravinski e a máquina de escrever, tomando café no pátio e fumando cigarros com balas de canela. O meu ventilador não funciona, mas as vassouras deles, ah, são infalíveis; conseguem deixar a casa brilhando em questão de quatro horas de dedicação caprichada. Eu, sinceramente, acho que eles deveriam usar todo esse poder de limpeza nos seus respectivos corações, sem querer soar propaganda da Globo. O que eu quero dizer com tudo isso, digo, os cigarros, as balas, os barulhos e as pessoas, o que eu quero dizer é que de fato não entendo como tudo isso funciona. Dizem que o essencial seria simplesmente fazer funcionar, e não pensar a respeito. Eu penso muito, e por verzes sou interrompida pelas vozes de reclamação e mau humor, aqueles gritinhos baixos e secos, que vão aumentando de volume até aquele ponto insuportável do final sarcástico no qual tenho vontade de pular no pescoço deles, quem sabe estrangulá-los. Dizem também que o ódio é o melhor amigo do amor, mas, bem, vocês não devem estar entendendo nada. Fodam-se. Não preciso que vocês entendam, preciso apenas exorcizar minha vontade de comer chocolate. Mas também nem pensem em sentirem-se excluídos, pois, se assim fosse, eu simplesmente escreveria um diário. Pouco se foder nada tem a ver com desprezo, como a maioria das pessoas pensam. De forma alguma, eu de fato preciso ardentemente de todos vocês, pois vocês são irreais, fazem parte de um universo virtual criado por uma escritora de blog. Podem ser tanto uma massa branca indefinida quanto pessoas de verdade. Mas afinal, o que é a verdade? Deus existe? É claro que existe, Deus mora nas vassouras, casinhas de limpar e jogar fora.



Por favor, aceite essa pá!



Mas, no fundo, ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------->meu mais secreto desejo é que a pá me seja oferecida por vocês.
Eu consigo varrer, mas juntar o cisco é um problema. Dispensar no lixo, então, nem se fala. Já ouvi dizer que algumas pessoas sofrem de prisão de ventre por julgarem sua merda muito preciosa para dar ao mundo e, desde então, sempre que algum amigo me relata que não consegue ir aos 'pés', penso em tal sujeito como um ególatra; mas um ególatra não significa necessariamente uma pessoa que se julga superior, para vocês verem como todo julgamento é falho. O único que acerta deve ser mesmo Deus, acho que depois vou procurar por ele entre as cerdas da vassoura.



Uma das vassouras tem um cabo listrado em azul, muito retrô; enquanto a outra é de um rosa pink esnobe. Apesar disso, confesso que sinto certa atração por pessoas que vestem rosa pink, são normalmente meigas, solidárias e, a cima de tudo, sinceras em seus clichês. Já as pessoas listradas em azul carecem de elogios de minha parte, as julgo um tanto pretensiosas em suas linhas retas e organizadas, que encobrem uma incapacidade de se mostrar ao mundo como realmente são: confusas e vazias. As pessoas em listras azuis deveriam se colocar em grandes bolas ocas, tudo parece mais simples e melhor quando disposto dentro de um círculo. Tudo bem que nem eu me entendi agora, confesso que só queria usar essa frase do círculo. Bobagem, talvez não queira dizer nada, mas me parece como uma solução para aquilo que nos perturba e não podemos descartar, enfia num círculo e deu. Mas não falo de círculo vicioso, falo de círculo vedado, e bem redondo que é pra poder chutar e ele rolar pra bem longe. O problema é que, seja para onde for, as paranóias vão sempre ficar literalmente emboladas dentro. Talvez toda essa reflexão seja desnecessária mas, o que não o é? Vocês trabalham, são bem sucedidos, felizes no amor? Vão a redenção no domingo? Tomam suco de mamão com laranja na lancheria do parque? Ou sofrem de prisão de ventre e passam os dias a trocar frases espirituosas? Tanto faz, como também tanto fez se estão aqui comigo até agora ou já foram e me deixaram com a massa branca vazia. Mas, se ficaram, eu estarei sempre com vocês, apenas aconselho que me coloquem em um círculo. Talvez em dois.



O





0
Q?

Mittwoch, März 26, 2008

Amigo Arnaldo

Arnaldo é um pianista. Arnaldo faz música para organizar seus pensamentos, ele diz que normalmente não consegue dominá-los; eles começam com um avião e vão para a Sibéria depois descem para a situação populacional da China, declinando a seguir para o pentelho do sabonete. Arnaldo diz que ser um artista musical é uma espécie de exercício para disciplinar a alma; através dele, Arnaldo desfruta da responsabilidade com a sua concentração interior. Arnaldo não acredita em músicos frustrados, acredita em pessoas frustradas; nenhum desgosto pode vir da sua própria e, portanto, 'especial' criação artística, a frustração vem da auto-estima, vem do desgosto por si mesmo e da dispersão espiritual em que as pessoas se debatem. Esse é o discurso de meu amigo Arnaldão.

Eu conheci Arnaldão em uma gravura aleatória do Google Imagens, na qual ele fumava um cigarro apagado, e por meio desta acessei seu respectivo blog. Na verdade, acho que nunca conhecerei o Arnaldo de verdade, aquele com olheiras e bolas de gordura embaixo do pescoço. Tenho certeza que ele usa photoshop para disfarçar, no blog. Enquanto leio o blog do Arnaldão penso que deveria estar lendo os clássicos do tipo Flaubert. Mas, apesar disso, acho que jamais entenderia Madame Bovary do jeito como entendo Arnaldo. Arnaldo, Arnaldinho, Arnaldão. Meus pensamentos por ele são tão ofuscantes que nunca consigo ver minhas palavras. E é justamente isso que me intriga em Arnaldo, fico indagando aos meus botões o que leva alguém a esse amadurecimento interior que conduz ao domínio dos pensamentos obssessivos. Arnaldo tem 16 anos e já sabe tanto da vida! Mas acho que estou sendo um tanto irônica, o que não é bom para a criação de uma verdadeira interatividade literária. Vejam só, que tamanha dispersão intelectual! Já não consigo dominar os rumos mentais novamente. Arnaldo, pelo contrário, consegue discorrer umas setes telas de seu blog sobre um determinado instrumentista em um determinado concerto, com uma determinada data e orquestra, usando determinado estilo de linguagem. A organização exacerbada de Arnaldo por vezes chega a me angustiar, mas não consigo abandonar a leitura do blog, que se chama "Merenda Pianíssima'. É que Arnaldo simplesmente se ama.

.
. Que tal?
,

Vamos nos amar, nos abraçar, nos beijar
no espelho

Vamos correr pelas florestas
de pinhos
em
espinhos
curvados
para baixo
pois
pais
padres
poetas
penças
nada
jamais
nos
espetará

Arnaldo está conosco.

Montag, März 24, 2008

toque, T.O.C

"Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada"
(Hilda Hilst)


Não focarei meu discurso nos ouvidos sem-rua, nas almas entre paredes de cinema-shopping-center. Não direcionarei minhas palavras aos cegos de ouvido nem aos surdos de olhos. Não me excluo de tamanha escória, sei bem a qual mundo pertenço, esse dos mortais virgens em poder de atração, esse dos que deitam a cabeça na fronha macia para escutar o fabuloso conjunto das almas desavisadas. Shivaia, jah rastafarai, crucifixos ou botons dos Beatles, tanto faz. Estamos todos aqui e não queremos atender o telefone nem a janelinha laranja do msn; deixe tocar, deixe piscar, deixem em paz.

3.

2.

1......


Um escritor deve conhecer bem seu personagem, por essa razão, o melhor personagem que desenvolverá ao longo de seu ofício é normalerweiser ele mesmo, mas nem sempre. Pois e quando o homem apenas se estranha e não se entranha? Como faz?

Será o segredo nada mais que um livro de auto-ajuda?

O domínio dos pensamentos e, consequentemnte, dos personagens, me parece uma faculdade não intrínseca às minhas habilidades. E será mesmo que as tenho? O segredo, ao contrário do que a maioria panfleteia, não é acreditar; é afirmar e repetir. De preferência em Capslock, pois 'letras garrafais' é coisa de bêbado, e o vício é inimigo do segredo. O segredo é matar no cansaço e andar de pés descalços; é errar hoje crendo acertar amanhã e errando de novo prosseguir. O segredo é mentir; para si mesmo, para os outros e sobre os desejos. Vamos falar sobre as mortes que morrem num livro do Tolstoi, sobre as angústias por um final que sempre há de acabar antes de de se consumir, ou consumar. Mortes consumadas são mortes mortas; tudo que morre já não é. Vamos falar sobre quase-mortes; inquietações rubras amareladas em rostos enrugados que me lembram o meu coração; as obssessões mofadas das minhas palavras, o bate-tranca-arrebenta do meu ritmo.

Conhecer bem o meu personagem; força-tarefa. Aquele a quem mais conheço... estaria ele na sala de jantar? Estaria ele sentado ao meu lado na praça pública alimentando as pombas? Será este personagem; aquele que mais conheço em todo o vasto mundo, aquele que adivinho as dores e as surpresas; será ele este inquilino do meu corpo ou o visitante da cidade mais longe de todo este mesmo vasto mundo? Seria esse mundo sempre o mesmo e sempre tão vasto? Não posso responder com outras palavras

a não ser:
não sei,
não posso,
não consigo,
não faço,
não aconteço.

A concentração é uma adúltera e o desejo, umdes-gosto.

(esse final não teve

nada

a ver
com o início,
mas terá

a morte
a ver
com a vida?)

Ó, seja quem fores, divina revelação, me salve dessa reflexogênica talking head!

turn off.

me faça praticar esportes.

e beber muita água.

[No fundo do poço, só a bola plástica importa

OU

Na tristeza, only bullshit matters.]

Nova
mente
A
deus

Sonntag, März 16, 2008

Come to my sadness!

Vem pra cá, me diz o que dizer, como faz? Como dorme, respira, come? Como entende, mastiga, sofre? Só quero o doce do lugar onde moro mais que fico, onde durmo mais que acordo, onde bebo mais que nado. Nada, nada pode sair como entra, em entradas de mofos e gostos e suores. Em opacos coloridos de verdes idéias em conserva. No luto do eterno, me vingo, me esforço, me bato. Tapa na cara, beijo no coração. Indiferença, medo, relíquia. Tu é minha relíquia. Então vem pra cá, pára de fingir que finge, que morre, que afoga. Me afoga, me afoga nos teus braços de carne morna e macia. Me abraça nos teus hormônios cheios de fugas e espingardas. Agora tira o chapéu e me mostra a tua careca. Me diz que perdeu o cabelo e a razão, me diz que entende esse engasgo que não deixa nada sair. Me diz que entende esse sufoco de portas abertas para a entrada sem saída. Me diz que entende, que eu não preciso falar, me diz que foge comigo pra lua mais próxima. Uma, duas, cinco quadras de distância? Voa? Vou, vou contigo nesse balanço de melodias novas em ouvidos cansados. Vou contigo nesse banho de ervas que cortam a mágica dura. Duro, empedrado é meu coração de pessimismos fartos. Maciço, pesado, é meu coração de adeuses adiados. Vazio é meu sepulcro de mortes temperadas com azeite. Azedo é o cheiro do gosto do susto. Morro, morro a cada dia na montanha escorregadia dos meus sentimentos. E amo, amo esse te querer demais pra me deixar levar em injeções de tristeza na veia. Tristeza não dói, o que dói é a vida. Eu deixo.

Samstag, März 15, 2008

get out of my car

exú
vudu
bad vibrations


saiam daqui que o presente grita, preciso viver e escrever agora, tudo que se passa já passou, me atinge da melhor maneira, como a ceva, o crivo ou a sexta-feira. sai do meu carro, e cadê? cadê o que eu estava pensando agora? tá bem aí, na antecipação da velha estrada;

meu passado nos teus olhos frígidos.

Montag, März 10, 2008

Empirismo pictórico

(sobre o real ordinário que se choca contra o amadurecimento da alma mística-interior.)

Misticismo foi uma palavra muito usada pelas vanguardas européias.

As vanguardas européias entorpeciam-se; entorpecer-se nada mais é do que uma tentativa de retorno à infância; a idade de ouro, os anos de algodão-doce; tempo no qual as texturas, as cores e os cheiros, eram todos parte de um único e muito objetivo interesse: deliciar-se; comprazer-se de júbilo vivenciando as mais afetadas emoções pictóricas: comtemplar o deslizamento do carrinho vermelho pela pista de plástico e os pequenos cubos de madeira ilusrada que em cima do tapete se amontoam formando casas, edifícios e igrejas.

Besteiras boas;

toda a diversidade das balas azedas inundadas em glicose saturada.

O cheiro dos pastéis fritos em óleo de rótulo anos oitenta.

[figura]

As embalagens são meros rótulos para homens que acreditam precisar de muito espaço mas contorcem-se em transportes coletivos num vai-e-vem confuso de quem não sabe onde ir; dormindo, lendo, ouvindo música; esquecendo-se.

Esquecendo-se que o importante não é ver como é por dentro e sim criar o que se coloca para fora, esquecendo-se que o sábio é aquele que julga a si mesmo com parcimônia e coração. Os acontecimentos mais valiosos são invisíveis para os ollhos, já dizia o Pequeno Príncipe.

Que diria ele da 'era da imagem'? Que diria ele dos programas televisivos de culinária?

[a sede de imaginação não é psicológica]

Trata-se daquela velha história sobre palavras e atitudes.

Trata-se de ação,
de movimento,

quiçá ruptura.

As palavras são acessórios parcos para o mais aparente ideal humano: a comunicação. Também assim são as imagens; estudadas, gastas e pretensiosas. Ambas são a personificação da perversidade adulta e, curiosamente, quem mais se delicia com seus resultados são os espíritos jovens.

[criança (Grande) x adulto (Pequeno)] ,

a eterna luta clichê-interior do homem, na qual o vencedor é a união de duas forças (ou quatro) que se batem mas convergem e jamais devem se opor, criando essa espécie de contradição que, ao mesmo tempo, define.....................................................................................................................................
--------

definha...............


................... e mata o texto e o misticismo.

Freitag, März 07, 2008

as gemas no espelho

quebram.
desiludem.
desconfortam.

vem cá, senta aqui no sofá e me mostra teu caderno, me pede pra te perguntar quanto é dois mais três. Dorme, dorme no colo que eu te cubro de beijos de lã macia e reta. reta como o meu coração, seu fluxo cortado e as outras metades de mim. perdidas em ti encontro em mim.vem mim, bem-vindas,

eternas,
suadas,
juntas.

amarelas de prata.

Mittwoch, Januar 23, 2008

Freitag, Januar 11, 2008

as garotas são as sádicas sexuais. elas são as mães da escória.

a verdadeira sobriedade nasce da embriaguez da alma, do profundo mergulho aos confins do ócio utilitário.

eu faço muito barulho. adeus.

Donnerstag, Januar 10, 2008

[tódinho laifi-staili]

1.


'Então vamos beber, escrever e ler'.

Ele tirou da mochila uma garrafa de gim, praticamente cheia. 'Não é mesmo interessante como um artefato líquido destinado a ludibriar (e, consequentemente, 'preencher' o 'vazio' e/ou incompleto) pode ser proporcional à sua capacidade de entorpecimento, em termos de objeto, assim, preenchido, cheio?', pergunto. Ele apenas sorri. 'Coisas simples em palavras difíceis', eu disse, 'não consigo sair disso'. Ele me levou para fora. 'Vamos para a sacada', ele sugere apontando a escada com seus braços desajeitados e, de certa maneira, sorridentes. Sim, eu enxergava sorrisos em seus braços e, talvez, melodias nos seus cabelos; sentia arrepios e suava mãos. Um dia suei todo o livro sobre o cérebro que ele me mostrou na aula. Ele me mostrava muitas coisas. Naquela noite da sacada, me mostrou as estrelas e sorriu com dentes bobos que diziam que tudo era assim tão simples, mesmo. Não diziam, mas mostravam, insinuavam como uma boa metáfora indie. Ele me beijou. Era como se eu tivesse de volta minha boneca Mônica e meus lacinhos arrancados pelo coleguinha do pré. Era como se fosse mesmo simples, e repetitivo e bom. Era como se ter disciplina para reparar em determinados pingos de realidade fosse fundamental ao convívio com o meu interior. 'Olhe as esrelas', ele dizia; 'as nuvens, os animais, as gramas verde-limão. Olhe as toalhas coloridas dos piqueniques, olhe as bolas murchas das crianças ruivas.'

'Agora vamos beber', sugeri.

Ele tirou da mochila algumas frutas. Me abraçou. Não bebemos. Apenas sorrimos e comemos ameixas. Dormimos abraçados sob o céu negro e pela manhã fomos passear no parque. O dia estava ensolarado. Brincamos com a máquina fotográfica e tocamos instrumentos esquisitos. Usávamos fantasias. Depois voltamos para a sacada e enchemos balões coloridos. Verdes, roxos, amarelos, bordôs, mostardas. Tomamos sucos pronto/importados de amora e devoramos cerca de dez pêssegos. Foi uma tarde e tanto. Ele disse que eu era uma moça distraída, e então eu contei a ele. Contei a ele sobre a pulseira.

2. A Pulseira

Tudo começou na vitrine de uma cidadezinha irrisória. Era uma pulseira de bolinhas em uma loja de 'Conserta-se Relógios'. Aconteceu durante minhas férias de inverno, enquanto passava alguns dias na casa de meu tio paterno, um velho interiorano, gordo e voraz. A loja era um pequeno chalé de madeira que pertencia a um casal de velhos também interioranos e gordos. A mulher, uma idosa muito ativa e preservada, como todas as senhoritas do campo um dia virão a ser, fazia doces de maracujá e chcocolate, geralmente acompanhados de calda de uva ou goiaba; a vi apenas uma vez, enquanto admirava a pulseira do lado de fora do chalé.

Eu estava, como sempre, posicionada estrategicamente junto à porta, torcendo que o senhor de cabelos verdes-brancos me convidasse a entrar, quando esta elegante senhora me pediu licença e então empurrou a porta, em seguida deixando que a mesma fechasse debodachadamente diante de minha face, me despertando assim da hipnose que causava a pulseira de bolinhas. Pude então vislumbar através da vitrine que a referida senhora trazia sanduíches cortados em quatro pedaços e um bule de café, provavelmente preto e puro. 'Café tira o sono', ouvi o senhor de cabelos brancos-verde dizendo. 'Você poderá dormir bastante quando morrer, meu bem', a velha respondeu.

[As piadas dos velhos não tem a menor graça]

.

Eu precisava da pulseira de forma trágica e ardente, de sua posse dependia todo meu vigor facial e toda delicadez de minha pele juvenil, de então 12 anos. Sim, a pulseira tornou-se uma obsessão. No entanto, o mais interessante era que eu possuía dinheiro o bastante para comprá-la, mas não conseguia efetivar a compra, não conseguia sequer entrar na loja. Só conseguia contemplá-la e desejá-la, talvez lutar por ela interiormente, mas possuí-la, de fato, não me incitava a qualquer tipo de esforço. Fiquei enferma de angústia pela imagem da pulseira durante toda minha estadia no interior. Não conseguia me livrar dela. Mesmo quando estava longe da vitrine, lembrava. E o velho de cabelos brancos-verde lá dentro consertando relógios, aquele velho gordo e sardento de avental vermelho com bolsos de um xadrez sujo, pouco ligava para meu objeto do desejo. Um dia finalmente tomei coragem, entrei na loja e contemplei demoradamente a pulseira sob o outro ângulo, tão sonhado por mim desde o início; o ângulo DE DENTRO. Era encantadora. Foi então que o consertador de relógios me olhou de forma fraterna e disse que precisava ir à cozinha e voltaria em dois instantes, em seguida indagando de forma calma e educada, se eu poderia por obséquio 'dar uma olhadinha' na loja. Eu disse que sim, é claro. Foi tudo deveras rápido. Não pensei duas vezes. Fui até a vitrine pelo lado de dentro e furtei a pulseira de bolinhas. Saí correndo. Fui embora do interior no outro dia e nunca mais voltei à casa de campo de meu tio paterno.

3. Segredinhos e Mogwai, quem sabe Wilco.

Então hoje é meu aniversário e estamos aqui com meus dicos do Chico Buarque e meus arquivos de nova música indie e vanguardas que você não pode perder. Então eu me iludo com as letras bobas e depois danço com as melodias toscas e no fim tudo não passou de um scrap. Mas eu lembrei de tudo isso, sim. Lembrei de como as coisas bobas podem ser arte dramática e forte, de como as violências todas que fiz ao meu organismo não passaram de falta disso tudo que só ele pode me dar. Essa coisa de ver as nuvens, as revistas e os filmes. Essa coisa toda melosa e meiga. Esse teu travasseiro com cheirinho de chiclete e teus quadros de cinemar noir. Tua parede laranja e teus escritos em arquivo pdf. Minhas pastas no teu computador, tão lindo; terão elas ainda o meu nome? Guardarás ainda tu os meus emails de dor e saudade?

Nosso amor
virtual e sádico.

Um sadismo
infantil
e mágico;

como uma poção
do amor
em desenhos
animados.

Nossa vida compartilhada em madrugadas solitárias e cor-de-rosa-coração.

4- 'Nosso amor de ontem.'

Uma pena que tudo tenha acabado assim, com 12 latinhas de Polar, reassistindo 'Linha-Mortal' e voltando no controle-remoto os melhores ângulos da bunda do Kevin Bacon. É assim que me sinto em relação a ele hoje; voltando no automático para alguma espécie de imagem com historinha mas, ao mesmo tempo, retornando esporadicamente-sempre ao meu melhor ângulo; assim como os ponteiros do tempo do cosertador de relógios que conheci em minhas férias juvenis.

o dia em que o cão desmaiou.

Era uma noite quente de dezembro, as ondas de calor pareciam mofar tudo ao redor. Ele estava sentado no quarto semi-escuro, em frente ao tabuleiro de xadrez, e perguntou o que eu andava fazendo. O mesmo de sempre, eu disse. Continuo fazendo o mesmo de sempre e acho que cada um tem o seu tempo; até mesmo os cães desmaiam, concluí antes de adormecer sob um teto de telhas ordinárias.

[Acordei com a pressão baixa.]

Suava o frio que não tinha, do sono que não existiu; eu, minhas pálpebras pesadas e o suor atrás do joelho. Eu cravejando no lençol alheio minhas saudades; as amizades que não consigo manter e os cansaços que não vão embora.

Ele tinha um gato e provas de vestibular. Pálpebras tristes e vícios. Abacaxi fresco, aceita? Aceitei. Mas pra quê? Não deveria nem ter entrado ali, pra quê? Pra ver nas rugas dele as minhas, pra sentir o peso de tudo que não aconteceu e do tempo implacável? E agora ele fuma, traga e solta a fumaça que dança no tabuleiro de xadrez. Ele tenta me explicar as regras, mas eu não consigo mais. Só consigo pensar em quantos quilos de bafo quente são necessários para que o cão desmaie. Só consigo pensar na cama com o gato vira-lata e o ventilador estragado. Os sonhos estragados e o abacaxi doce. As rugas ao redor da boca dele não estavam ali há mais de 3 anos, nem essa dobra de gordura na frente do cotovelo. Nem os cotonetes sujos, nem essa falta de fazer sentido. Aonde foi que eu me perdi? Como tudo começou e como foi acabar em pressão baixa no sol escaldante de uma manhã de verão em Porto Alegre? Eu não sei. Só consigo lembrar das rugas ao redor da boca, do cabelo em estilo Jesus, da tristeza diante das provas do vestibular. Com 34 anos, temos ou não temos muito tempo pela frente?

[Nós costumávamos ter a mesma idade.]

Eu e a menina-lixa, a senhorita assuntos-que-interessam observando as celulites alheias e me dizendo que já era, eu já era, nós já éramos. Glu-glu-glu, abram alas pro Peru e para as novas lolitas. Se o meu tempo já passou é só porque o teu nunca existiu, menina-lixa. As restrições e a palavra pregada. Jesus de saias e noteboook. Não, não posso mais com isso. Tudo isso pra terminar com o gosto da cerveja fervilhando em uma goela de ressaca. Tudo isso pra ouvir o fogo arrebentando de desgosto problemático e mal direcionado. Assim acabam as pessoas: novos magros orgulhosos ou gordinhos restritivos. Trinta e quatro anos arrastados de tão pesados que ninguém levanta ou puxa. Estica, estica pelo menos as tripas da cabeça, vê se enxerga com um coração de mãe carne-osso e esquece essa máscara de ajeitar no espelho. Quem dá as costas não pode se enxergar de frente e o vice-versa não funciona nesse caso. Não, eu não entendo mais as regras. Nem as promessas.



[No vestibular, a competição entre o homem velho e as garotinhas de mini-saia; a fiscal sexy e o vestibulando afoito. Lembra?]


Versos.

Maldade.



Controversas;


Imagens, imagens; no fim são só imagens, talvez diálogos e quem sabe desgostos.

No fim, apenas ser gentil importa. A gentileza dele acompanhava, nas olheiras, a decepção; na menina-lixa, a decepção acompanhava o ar-condicionado e as unhas vermelhas. É tudo uma questão de acompanhantes, de parcerias, de falsos elos. Ah, os elos são tão fracos aqui e ali, uma palavra dita e se arrebenta, um som na escuta e dois berros no coração. Não, já não posso mais. É preciso andar, é preciso andar; foi precisamente o que pensei enquanto me levantava de um colchão fedido em uma casa estranha, eu e minha dignidade intacta, eu e minha pressão baixa. Eu e o sol lá fora queimando a calçada morna da manhã. Eu e esse meu engasgo que não desce, esse gosto de ruína, de devastação interior. Eu e o exterior fracassado nos meus objetivos mortos. Eu e minhas palavras brotando clichês e sem nexo. Eu e meus 34 anos, meus 26 amores e 47 medos. Eu e minhas grosserias, meu pânico de telefone, meu vômito para os juízes de boteco. Vomitem vocês um pouco mais, vomitem seus desgostinhos frígidos no prato de porcelana da mamãe. Eu sou adolescente. Ah, os juízes de boteco, com esses também não posso mais. Eu gosto é de comer chocolate e de tirar fotografias. Eu gosto de sentar na cama e ler o dia inteiro um livro de amor. Eu gosto desses cachorros tristes em sombras de praça. Gosto de deitar na grama e olhar pra cima contando os galhos e desvendando suas geometrias. As pessoas costumam preferir as nuvens. Eu prefiro esses posts confessionais de aniversário. Eu prefiro o meu coração.

Dienstag, Januar 08, 2008

vacas pretas

fuck off

minha cara
morram
é foda de tão ruim
de tão longe
morra
voe
summer
vulgar
merda de poço inflável.

as novas lembranças criaram raízeS.

como as nozes e os pedaços de lambida em beiços alheios; nem sei como faz pra deixar viver em ondas de pagode rítmico em balanço molejo de marcas de batom. te vejo em ondas de desordem no coração cansado de margens e olhos e testas de ferro. te quero aqui como um querubim a uma virgem de excessos. amo excessos, tu sabe. vem pra mim em exageros que não aguento mais nem com amizades de verdades e camas e cortes profundos entre você e eu. não aguento mais isso de sofrer e chorar e sacrificar. te queria tanto a presença e o molho e o tomate e a falta de lógica, queria tanto essa LÓGICA DE NÃO PERDER...................................................................................

VENERO.

Donnerstag, Januar 03, 2008

Hinter scharfen und harschen Worten verbirgt sich häufig eine gewisse Unsicherheit.

[Strong and bitter words indicate a weak cause.]

[Las palabras fuertes y ásperas indican una causa débil.]

[Palavras categóricas e ácidas são sinal de uma causa infundada.]


- sobre a força do substantivos e a fraqueza do nome próprio.

E ainda sobre sorrisos sarcásticos e vazios, porém compreensíveis e sedutores; a babaquisse exacerbada da ironia e a moleza estéril dos corações estudantes de letras que a procuram em livros de papel.

[1, 2, 3 livros de alma para você, nesta data maldita.]


A beleza da literatura não está no sentido e na construção frasal, nem na vida brilhante do autor e seus amigos intelectuais. A literatura não é uma foto do Ginsberg e seus colegas de faculdade em um álbum da orkut. Literatura não é blog, não é historinha que vira cinema. Não é tendência e nem estilo. Literatura simplesmente NÃO É. Literatura é isso de dizer o que é e depois dizer que não é.

>>>>>>>>>>>Escrever é ser contraditório, é ser binário, é ser cérebro e alma em cinco linhas. Literatura é metáfora. É breguisse exacerbada. É folha, imagem, corpo. Magnetismo estético. Apagão. Dor. Deleite. <<<<<<<<<<<<<<<< <<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Minhas palavras nunca fizeram sentido, mas escrever me faz sentir. Me faz sentir o sol mais forte e a música mais alta. Rilke era a favor da valorização suprema dos acontecimentos interiores, tanto na vida quanto na literatura.

CONFISSÃO@
the pretty kind

Eu confesso que já fui mais apaixonada pelos meus sentimentos; como uma boa mulherzinha, não me apaixonei pelos homens, mas pelo AMOR. Sou totalmente apaixonada pelo amor e por tudo mais que me arrebate, mesmo que seja batendo na cara e fundindo a cuca. Meu ardor pela violência passional acabou superando minha valorização do amor. Eu perdi o amor. Confundi tudo. Me apaixonei pela beleza, pelo deleite estético que nos proporcionam os jovens de corpo e coração. E paixão não é amor, não é preocupação; é carência. É querer para os nossos próprios olhos tudo que de mais belo há, é um desespero pelo toque do objeto adorado. É brega, arrebatador e passageiro. É um engano, uma trapaça da futilidade humana. Ah, c'mon, a beleza está nas mãos que lavam a louça, nos ouvidos que escutam com o peito, nos dedos que seguram a vassoura e não um ramo de flores do campo. A sedução é tão, tão vazia que machuca. Os sedutores não escutam com o peito, não varrem os tapetes, não compartilham fraquezas. Escamoteiam a sujeira. O maior problema do sedutor é que ele precisa parecer forte e belo o tempo todo; todos os seus movimentos são caclculadamente sensuais e despretensiosos. O sedutor se alimenta da farsa, dorme e acorda com ela. A sedução e a paixão não possuem alma, só egoísmo e prazer fugaz-carnal. Ok, elas podem ser úteis em algum momento da vida, mas o problema do sedutor é a sua tendência de super-valorizar esses eventos, de construir o ego em função da eficácia de seu poder de atração e agir como se fosse completamente alheio ao próprio poder, que julga natural. O processo de desapego do apaixonado só se dá quando este percebe o quão fake foi o processo inverso, ou seja, o da paixão. As estrelas e a lua exercem um poder natural sobre os humanos, mas somente elas, somente elas e o oceano e o mato e, em alguns, casos, a música e a arte. Mas um humano jamais exercerá um poder 'natural' sobre outro. Os humanos são tão ardilosos quanto as palavras, e tão pretensiosos quanto a literatura. A alma está lá fora, no extra-humano-dentro-de-nós.

Nossa necessidade de 'parecer' vence qualquer impulso de 'ser' ou 'sentir'. Por isso, prefira morar na filosofia, e não rimar amor e dor. Caetano sabia das coisas.

Sex appeal é lixo. E lixo é uma boa palavra.

Mittwoch, Januar 02, 2008

Tudo passa.

Bem na verdade, o que passa é a nossa mania de tudo;

de eternidade. Nada é eterno; óbvio clichê. Mas a beleza pode enganar. Porém, mesmo a beleza dos ombros e das pernas nuas nas fotografias não é eterna,

[e nem a beleza da carne humana que se move em ritmo de criança, 3 dias depois da luz solar queimando a pele macia e revelando a lenha podre interior. A feiura é adulta.]

Volto a dizer: tudo passa; mesmo as secas e os incêndios. As únicas a não passar são as impressões, que só se renovam e fundem num mesmo cérebro-esperança; num mesmo cérebro visual-passional-racional.

A infantilidade da beleza e a falta de dignidade verde na pele mais bonita e estrelada não mais me compram; luto contra os olhos com as armas do esforço pelo belo, o inverso pelo reverso; ou eu poderia dizer, minha cabeça é uma confusão, mas estou de unhas feitas-carmin.

A futilidade é uma perseguição implacável em uma estrada de terra e mato molhado. Não dá pra secar o mato, mas dá pra enfrentar a natureza. Dá pra se apaixonar quando dá na telha, tanto faz se chuva ou sol (na telha).

[Portanto não se iluda e, por favor, vista-se. ]

O caminho da porta fica no banheiro.

E a descarga não passa,
só leva.
Só lavando
passa.
Mas pesa.
(o molhado pesa mais que o seco)


========= E eu descarrego minha água alcoólica em chamas de suco de maçã,
prensando passagens de tudo em letras de matos mudos. =============

Q?

Se tu é burro, te fode. Tu merece.

Freitag, Dezember 28, 2007

chapéu com morangos & champanhe

FREAK OLD YEAR


O chapéu faz toda diferença, virado, picotado ou rendado. O chapéu e suas abas, suas dobras, sua sombra. O chapéu do cogumelo, do jardineiro e do moleque vendendo churros dizendo 'preciso fingir que não existo, com licença vou sambar em um baile funk, me deixar gozar com meu pau da alma imaginário. As pessoas costumam ter amigos imaginários, eu tenho um pau. É sério. Um pau de madeira preso no meu chapéu de plástico bolha. Comprei meu chapéu no lixo, depois da feira de legumes dominical.'

Deu.

Não consigo mais, não vai dar, vou ter que abdicar dos sonhos de verde e azul e fogos e ficar com o amarelo-ovo-podre. Vou dançar o jogo do bobo e beber três litros de uísque. A humanidade está sempre três uíques atrasada. Eu li isso num nick.

Então não vou perder o trem, não vou baixar essa cabeça capixaba pra brincar de Antártida. Não vou me fantasiar de golfinho nesse clor de 50 graus embaixo da terra molhada. Sim, lá em cima tem gente, sempre teve. Na sacada. Lembra das garotas de baby-doll?

Quem precisa de coca-light-lemon se tem sede de amnésia. O azedo do limão também pode ser esquecido, desde que dosado homeopaticamente no processo de desintoxicação.
--
---

--
------------

Eu amo pessoas em um dia e esquecço em 24 horas, mas o que esqueço em 24 horas, não lembro em um dia. Um dia jamais chegará a ser uma contagem progressiva reclusa. Reclusa desse véu de possibilidades guardadas em convites de ano novo. Reclusa nesse infinito leite condensado na batida do meu coração.

Mittwoch, Dezember 26, 2007

Sou o amarelo do teu Photoshop.

Não adianta resistir, lá estarei: quente, suado e digno.

[tensão suada de dezembro]

O quarto poderia ser aqui ou na África, eu poderia ser japa ou bahiana, ó, sim, a Bahia, a triste Bahia e seus cantores amarradões. Dinheiro não, mas elegância; formosura; plágio. O moço lindo que perdi em esquinas de areia mais frouxa que cordão umbilical em novela das oito. Mas não me amarro em histórias de vingança, dinheiro, sexo; acho vulgar. Sou uma gata-pura-cabeça-que-não-se-pela-na cama procurando carona para a praia. Sou o o fundo do microondas em chamas de cozinhas alheias. Sou peito aberto no espaço. Menina-vazio, benção flutuante no rio. Todos os malabares, as piscinas de mármore - tome esse parágrafo como um arrepio.

uma valsa de nuvens para originais e mergulhadores. (-IT & ME-)

Uma dança de faíscas amarelo-ouro-prata ou branca, não dá pra saber ao certo. As nuvens constituem um fênomeno natural, enquanto as pessoas são insultos artificiais; a originalidade não passa de uma frase afirmativa e vazia, um intuito infantil de demonstrar auto-estima estilosa. O estilo é, não obstante, uma falha de caráter. A conduta é sem dúvida digna de pena; qualquer uma, mesmo as reconhecidas na tv aberta ou cantadas em estações de rádio populares. Conduta do rock, do bom filho ou do chimarrão. <----- [mentira] [verdade ]------> Tanto faz quem fez ou quem serve. O mundo só é justo em suas falhas; e o menino Jesus deve estar doidão, valsando e falseando em lascos profundos de chãos-mundo de madeira apodrecida.


[ou na água, boiando em suspiros de ouvido mais atento-mergulhador.]


++++++ Die, Jezzz, die..~~~~


Pois quem não morre permanece em promessas e escrituras, talvez estátuas, quem sabe, em maletas cheia de dinheiro viajando por corredores de aereoporto.


(Ahn?)


Quem morre não tem problema, não tem frio, não tem ferida nem cor.

Vermelho
cor de rosa
de namorado
e preto
cor de rosa
morte.

Prefiro o cinza das nuvens indecisas dos finais de tarde. Prefiro o branco prateado que contorna os limites das nevens fumaça-algodão. Prefiro o fim da tarde na água de todos os santos. Benta é nome de vovó de seriado. Dizem que o Bento é nazista.

So, forget about IT.
Then, forget about ME.

[Let me go home. Stop the junkie.]


Só uma trilha sonora. Trilhas e chãos e barrancos e quedas naturais não importam, no fim o artifício sempre vence.

[That's the rule, the only one.]


HANG ON TO YOUR EGO ( Beach + Boys = ótima combinação. A única necessária. )


Necessária?
Tô brincando. Quero mesmo é um ventilador do camelô. Deixa o mar pra quem não sabe nadar, deixa a subida da montanha pra quem não sabe o que fazer no cume.

------- ARTIFÍCIO & FICÇÃO --------

[mentira e verdade] ------> A diferença entre o artifício e a ficção reside na tomada de linha de frente. O artifício não pede licença, o artifício é grosseiro e pouco criativo em sua aproximação e estrutura, o artifício é como um brinco de plástico em orelhas de mar-fim. Já a ficção é lúdica e inventiva, é o talento organizado em festas de ce-tim; é a anfitriã das festas ode-elegância. A ficção é mulher, that's all.

{Só sentimos
pena
daquilo que
não
podemos
deixar
de temer
que esteja
reservado
ao
nosso
futuro.} -----> tão fake quanto o estilo, percebem?


Beijos, happy new year.

(what a BIG CLOWN, but that's IT.)

..but that's ME.

I accept me, one of us.


(to play the fool)

Dienstag, Dezember 25, 2007

life begins when you're in love

with yourself.

ninguém raciocina tão bem quanto os paranóicos.

acho que foi o Fernando Pessoa.

o jazz e a lua

o jazz e a lua se conheceram em um dia de uma [espécie] de eclipse machado-bukowskiniano; o signo dualístico-arte-palavra da eterna luta entre a tradição organizada e e a confusao caótica [redundante] e panfletária. O jazz poderia se chamar machado-glauber rocha-saturados e a lua, ó, a lua não se permite compartilhar citações e sua terrível e inebriante menção e coexistência. A coexistência entre a atitude certa e a errada, entre o todo dia e a única noite. A noite tem um poder de homem ou aranha de 5 anos resgata criança em incêndio. O incêndio e o jazz nunca foram amigos, mas amavam a mesma lua-mulher perdida em mentiras que não entende bem. Entende que mentir e perseguir a mentira em um plano compreensível não é necessário nem sensato. Você pode ter seus melhores dias, pensa a lua-amarelo-ovo-quente, se divertindo fora da vida, mas quando o jazz cruza o seu caminho, como cruzou o da lua e da sanidade e da preguiça, quando o o jazz chegar assim de mansinho no ritmo das bananas em bocas de carmen miranda, tanto faz, tanto faz carmen miranda ou nina simone. Quero falar de nomes, quero citar personagens, atores, cantores, mentirosos. Somos todos mentirosos perdidos em nós mesmos, pobres criaturas acorrentadas a um ramo de flores frágil e terminal. Quero falar de adjetivos, de exercícios intermináveis de composição sem fim. Nada se encerra em nós mesmos se estamos fora de nós, como a lua atrás das nuvens, encoberta, escondida, de brilho fraco. Enfraqueço como o jazz e a lua, com elegância e confiança. Alone? Não. ALL ONE.


Enfraqueço para o bem, enfraqueço para deixar entrar a literatura pelos poros abertos da percepção despretensiosa, da simplicidade e da solidariedade para com a doença. para/ com/ por /pela. Tanto faz, só não deve doer. A fraqueza não dói, a fraqueza é parte mole e macia, é a flacidez na bunda da velha.

calor científico compulsivo & co

Soa na perna atrás do joelho, nas axilas, nos móveis de madeira quente, nos vidros embriagados de vapor, no pé, dentro dos coturnos, o chulé. O chulé das frases feitas de natal, dos hipócritas em roupa de festa querendo ressuscitar simpatias mortas; o calor não me compra, mortes não passam de brincadeiras místicas desprovidas de bom senso. O cansaço não me faz render, a renda branca do vestido da menina-vida. A boneca de peito-pilha cantante embaixo do pinheiro plástico-artificial e o copo de champanha virado em uma mesa de perus e tortas. A desilusão da mãe que ganhou batedeira e queria vestido, o sono do bom filho nas festas em fim de madrugada; saindo do quadrado escuro e ganhando o céu-círculo-terrestre azul-turquesa.

O suor no rosto e nos cabelos das festas com música eletrônica. As imagens que dançam e cansam e depois descansam em havaianas verdes.

Amarelo-sol no desenho da criança-ressaca; ressaca-mãe no colo do pai ausente. Ausências como preto-e-branco em uma ditadura colorida. Nas cores, no céu, no mar de amores. Nos amores brutos, secos, suados, frios. Nos frios; salamito, presunto magro, gordo; 100 gramas. Vozes de 350 kg. Ouvidos peso-pluma. Bocas que sorriem e olhos que dilatam e fecham e dançam a música colorida pelos lápis de dentro. Da cabeça, do coração, do fígado. Como vão os seus rins? Pra onde foi a minha cachaça? Do que eu estava falando mesmo? Vai ser sempre assim? Quando vou sair dessa lama na poça de deuses e margaridas e crustáceos? Pra onde foram os argonautas, os alquimistas e os mágicos? Do que é feito o azul-marinho de um início-noite?


De enganos, meu bem, de enganos. A vida é feita de enganos e neles reside a beleza metafísica dessas tardes 40 graus à sombra. A vida é feita de enganos e nisso consiste o portal que nos confina para sempre à caverna do dragão. A eterna caverna do dragão é nosso estômago nauseado de promessas e comidas e álcool. Os cigarros consumidos e o dinheiro desperdiçado mas, a cima de tudo, a escória da humanidade trajada de estudantes-estagiários. O fundo da lata de polar em olhos cínicos e palavras estudadas. A dança da vez e a vez da corrida. Correr disso tudo de mim, numa chama de cansaço e preguiça em ressacas de fim de ano.

Sonntag, Dezember 23, 2007

FÓ-DEU

ai

tr amote amo te amo te amote amo temo etemamooooo

ai eu precisava dizer, fodeu.

eu não preciso disso.

mas eu te amo.

Freitag, Dezember 21, 2007

maculando.

adeus. preciso ir. pressenti. e doeu. mas sarou. e agora? agora não são só flores! são também pedras e crosta terrestre. profunda crosta terreste. deep inside. sabe? jamais. jamais saberás. ninguém saberá. é tão eficaz. vocês não fazem idéia, crianças. adoro kids. desde a primeira vez que asssisti com minha mãe no extinto cinema imperial. hoje é um clube de bingo ou, não sei como chama. mas gosto de clube de bingo. enfim, adeus. mas gosto de kids. também quero manifestações. FES, não fãs. agora digo adeus, como disse faz alguns posts à letra maiúscula. ela me oprime. tudo de superior me sufoca, e o sufoco tem sido tema recorrente. não estou sabendo lidar com isso, percebem? não, não é um post suicida. ó, céus, vocês me levam a sério. não, não levem. sim, esqueçam. confio no subconsciente, e sei que lá permanecerei, em todos vocês, virtualmente, mas é tudo que posso dar . lamento eagf wdeço. e amo o mundo inteiro. flores. baratas. sapatos. revistas. todo mundo. e minhas luzes também. e meu chaveiro prateado também. tchau, galerinha, cansei. mas irei mentalizando nossa sintonia. HELLO. KID.

se eu te amo, me inclui.

na mesa de sinuca ou nos seriados de mulheres peitudas apostando dinheiro. tanto faz. o dólar puro ou o câmbio escamoteado. o manifesto ou o escárnio. o escritor ou o mendigo. tão simples, tão real, tão melódico, tão lúdico. como num filme de flores e pântanos e piscinas cheias de folhas mortas. o parque das árvores mortas, ela me mostrou. numa tarde de domingo. no parque das árvoes mortas. secas. quebradas. penduradas. pendentes. cheias. vazias? céus,quando saberei quando saberei o real significado de encher e esvaziar? do valor e do fútil? será? mas o fútil é tão atrativo, é tão pau duro que me amolece. falei. pé quente, cabeça fria (caetano, o surfista calhorda mais true ever.)

chumbando a vida adoidado

é muito rápido, é muito forte. as crianças lendo os meus diários. as paixões de aula de religião, os estojos escondidos, os mistérios que sempre pintam por aí. tão simples. milhões. até que nem tanto esotérico assim. mas a alma, a alma não me anbandona, não me deixa em paz. a alma que me faz achar lindo e deplorável. almanaque. abandonado e necessário. tão apaixonada, que nada, não sabe nada, morre afogada. não sei mesmo, não adianta. as vidas todas tão cheias de bordados e sentimentos de lã, na lapela, cintos de gurança; montanha russa.

caetaneando nova york

tendência, percebem a tendência? triste bahia em roma, triste roma em nova york, será? não deveria, não eu não deveria, escrever assim no impulso retrógrado conservador bem daquele tipo de quem não quer nada, de quem nada obteve, de quem nada lucrou e tudo expressou. rimas pobres. drogas lícitas. bom humor. chacota. não sei. sai daqui, de dentro de mim, do meu coração com sede, com fome, enjoado. da minha janela rabiscada de estrelas feias. do meu véu de noiva abandonada. da minha morte de chuva verde. do caos do amarelo e branco. da neve em cuiabá. da seca em são josé. ah, não sei, BEIBE. não sei o que dizer, não sei o que pode te afetar, te acordar de uma vez por todas desse sonho de balas de hortelã do cara que vai até a esquina comprar cigarros filtro amarelo. ah, não sei bem o que quis dizer, ah, o que importa. ah, que se fodam os sentidos, as rimas, as admirações e as ai, a reprovação. a reprovação merecia caps, mas não vai levar. me perdi por aí.e lamento. não, não lamento, comemoro, comemoro aqui com minha spuklseiras e brincos e unhas deixando crescer. celebro aqui com minha mente povoada de deuses mortos e vivos fantasmas, de corroendo a moita a tesoura de eduardo. sim, o mão de tesouras. não, o amor não espera por mim. não, não morri. sim, parei. agora vem a bad. agora vem o momento de 'foi tudo em vão'. agora vem o momento de 'pq escrevi tudo isso', o momento de 'que merda, vamos todos tomar no cu', não, não quero. não, não publicarei. não, muito pessoal mas sim, foda-se. foda-se pq avida é assim, com porquês abreviados e pessoais. a vida é muito pessoal, man. muito pessoal, e isso fode tudo. pq a gente leva tudo pro pessoal. pq o pessoal é fske. pq o pessoal satisfaz as necessidades egoístas de kinotros virtuais, ai, não sei o que quero dizer. sómquero dizer que minha música em minhas mãos e meu colchão, deus do céu, como posso largar vocês por tão pouco. como posso me apaixonar por restos e migalhas e farelos quando tenho o império,o ouro, a riqueza moura dourada. ó. morra eu. morra esse eu de dentro e sufocado. sufocado é uma bad.

Mittwoch, Dezember 19, 2007

Chuckberry fields forever

é só uma música do Caetano.

Todo dia.


02 de outubro de 2007.


Não quero contar os pormenores da baixaria. Acho que a baixaria particular deve ser preservada, mesmo em um diário. Portanto me restrinjo às partes de comum interesse; como o conteúdo de minha meditação enquanto relaxava no jardim. Pensei que acuso as pessoas de coisas que me machucam na minha própria personalidade, e que por isso acusar talvez seja uma forma de auto-punição. Pensei que não sei pq continuo cultivando hábitos que me machucam, e por isso ouvi vozes vindo de trás do muro que diziam ‘gente que não trabalha’. Então me dirigi aos meus aposentos e coloquei um Schubert, depois de uma longa meditação no jardim. Pensava no que ouvir, pensava no que meu ex-pseudo-namorado havia dito sobre a minha conduta (não posso evitar abusar dos pronomes possessivos) ; sobre eu não nunca procurar fazer algo visando uma melhoria mas somente uma degradação ainda maior. Auto-degradativa. (Não,ele não seria tão brilhante.) Pois então, eu pensava no que ouvir e justamente que queria ouvir algo pesado e triste e então pensei que não, que deveria escolher um artista que me aumentasse os níveis de seretonina. Foi então que lembrei das vozes atrás do muro e resolvi escutar um Schubert. Escutar música clássica é realmente um trabalho, exige dedicação mental e postura ereta. Litros de café. Esquecimento do futuro. Debandeação. Sim, estou calma. Certamente precisava de algo intenso, não um diário para registrar mais uma entre mil existências decepcionadas consigo mesmas.

Desejo não mais almejar um emprego estável e um lar, desejo alcançar a calma necessária para pensar e agir nos seus devidos lugares, pois tenho invertido a ordem; pensar demais quando é preciso agir, e tomar atitudes impulsivas quando se deveria pensar pausadamente. Mas, a cima de tudo, desejo ouvir mais música clássica. O passeio no jardim me fez bem e mal, os meus mais íntimos sonhos foram interrompidos por marteladas vindo do muro e alarmes telefônicos aqui dentro, depois da porta. A porta fechada é a mais tola das ilusões, é uma péssima idéia. Melhor abrir tudo de uma vez; escancarar, como dizem. Ok, sem técnicas narrativas, ok; sem desculpas. Foi uma manhã dos infernos. Mas pelo menos nem pensei no bolo.

Entendam bolo como bolo.


Assinado: Gabriela Wondracek Linck, assumindo a exposição tosca e a ABREVIAÇÃO CONSCIENTE DOS PORQUÊS. PQ OS PORQUÊS DEVEM SER SEMPRE BREVES.

Ziéss Laifi Staili e outros

Hello, call me Yoko.


O meu computador não funciona, não funciona, NÃO FUNCIONA. É bom, assim, às vezes, não funcionar. Ficar parado à beira do rio compartilhando impressões que jamais serão compartilhadas. No fim, é sempre o clichê; o pôr do sol, a palavra repetida. A rima, a música, o violão guardado, os olhos que não fecham e os que fingem fechar. Os caetanos e os surfistas. A flor estampada nas costas fortes de um moreno automotizado. Os balões na festa de aniversário que termina com o fim do dia e das nuvens brancas. As nuvens brancas que ficam cinzas e depois chumbo e depois já não se sabe, com listras laranjas. The age of the old. As fotografias com os velhos descendo escadas e roubando ilusões de igreja. O maduro que apodrece a alquimia. O tesouro no fim do arco-íris e a cerveja gelada. I’m alive. Tipo. tipo,tipow; i’m alaiviii. As atrizes de cinema que me fazem chorar, não mais. As opiniões retardadas que me fazem rir, não mais. The age of the old; a salvação dos jovens melões. Os melões descascados pela mão enrugada e lúcida. O pé da palavra e dos limões. As melancias que nascem rastejantes e os porcos que que se jogam na lama, a profunda lama dos melões pós-modernos. Os melões de chapéu tendência, os melões e seus computadores que não funcionam, não funcionam, não funcionam. But i’m alive. The age of the old. Os velhos fracos e os jovens fortes e um, dois, três; a, bê, ce; eu e você; bem, Michael Jackson, acho que não é tão simples assim. Não tão simples como contar e juntar letras e tristezas e alegrias e saudades. Ah, a saudade, me poupem. De mulher já basta eu, de Papai Noel não bastaria nada. No tesouro não tem ouro, só cobre. Se cobro o cobre, me revelo pobre e ninguém descobre.

RIMA
LUV
COM
ASPIRINA.

PATAVINA.

Ó, como é bonito o galo cantor
camarada,
Mas sem as galinhas
Ficou assim
Nada, nada

Que mancada!

Mancar é uma palavra tremendamente preconceituosa. Tremendamente é outra palavra problemática, pois irrelevante. Eu deveria dizer ‘mancar é uma palavra de forma insana e tremenda por demais preconceituosa’. Também ficaria PODRE. Como as frutas, as secreções e os lençóis de mágoa preta.

Donnerstag, Dezember 13, 2007

ciclos

ligações espirituais
são sazonais,
como o amor
e a dor,
o suor
e o pior.


o pior
do amor é
o suor
da dor,

mas quando seca,
peca.

sim,
sou um poeta
jeca.

sazonal,
jornal e
mal.