Donnerstag, April 10, 2008

[cause it's a violent world]

[you take care of me
and i take care of you]

e me deixo levar assim pelas melodias doces, me deixo abandonada aos teus encantos e acordes, e adormeço nos teus abraços.


intensa. e foda-se. sempre fui assim. eu me amo, eu não consigo viver sem ti. senta aqui do meu lado e acende pra nós, vamos contemplar esta bela música sob um céu de estrelas escondidas atrás das luzes da cidade. não, não vamos conversar. e eu sei que tu me entende, eu sei que tu é a única pessoa em the whooole world que entende meu ponto de vista sobre as palavras vãs. e eu te amo tanto desde ontem. e te amarei mais desde hoje. e pouco importam as bebidas, os cigarros e as pistas de dança, se temos um ao outro e nosso jardim de ervas. pouco importam os exageros e os deslizes, se escorregamos um no outro. e é tão bom escrever na tua pele, é tão bom o teu joelho, o teu maxilar e a tua saliva. e é tão brega falar de amor, mas é tão amor ser brega.

[when i meet you i was just a kid, so i gave my heart completely]

BUT I WAS NEVER YOUNG!

standing on the right so you're printed on the left

'Mode, erklärt Garance Doré, sei wie die Creme zwischen zwei Kuchenhälften - sie halte alles zusammen.' [ Die Zeit, online]



Para os diabos com a moda, com a figura, com a massa indistinta de pensamentos; para os diabos com as regras, as sugestões, os conselhos. O que importa é a Aids, o que importa é a dor, o que importa é a morte, o que importa é chamar de vida o que nos acostumamos a chamar de Deus, e chamar de Deus o que nos acostumamos a chamar de Demônino. Devil's haircut, I slept with the Devil, I am Dervil's new luv, Teufelswerk and so weiter... MODA, o demônio tá na MODA.

Mood
emos
então
a moda,


vamos falar de blogs amadores, fodam-se os ponto.com, fodam-se a elegância virtual; vamos falar da moda da Azenha, vamos falar dos discos em capas mofadas de papelão em lojas do centro da cidade.

Não aguento mais essa cidade.

LET'S PRETEND WE DON'T EXIST, LET'S PRETEND WE ARE IN LOVE.

Desassossego como um mar de ressaca no inverno, trazendo para a areia as mais belas e afogadas jóias, descansando sob o sol que se mistura ao frio e ao céu azul. Blues, marca da tristeza; a palavra forte, a força das palavras, a falta de nexo e o excesso de vírgulas. O excesso de amor pelo mundo me faz odiar as pessoas, sinto todas tão distantes, sinto tudo tão imaturo quanto uma maçã verde em um quadro de sala de jantar. Excesso de mim mesmo. Sinto tudo tão pouco como um grão de feijão num grande parto de porcelana. Sinto demais. Sinto que vocês não entendem, que se sentem muito espertos, que se matam por parágrafos aleatórios em páginas de recados virtuais. Sinto que vocês não são o que parecem com seus piqueniques ao sol e amigos fazendo careta em fotologs. O circo humano me cansa e me fascina, mas a festa da humanidade reunida serve só para dizer que estamos todos invariavelmente dentro. É isso, o que mais me irrita em vocês, os outros, os sem fotolog, é que não conseguem ao mesmo tempo criticar e ter noção de que estão dentro da MESMA MERDA. Assim, em garrafais, pra agredir, porque não sou Caio Fernando Abreu pra dizer coisas doces aos corações duros. Porque, mamãe, ninguém me entende. Porque, mamãe, a senhora é uma falastrona.



AAAAAAAAAAAAH, eu queria tanto escrever uma história de amor, uma história de gente boa com final feliz. Mas não dá. Eu acho bonito nas letras do Of Montreal, mas em mim não fica bem. Não 'senta', sabe?


Pois quero mudar os meus assentos. Quero mudar minhas concordâncias. Mudar minhas inspirações e meus substantivos cansados e velhos. A onda, o amor, a vida, deus... ó, ruína!


Esse não saber o que se escreve e essa necessidade escrever, esse não saber como evitar e esse desejo de devorar, massacrar, morrer em abismos de teclado.


AAAAAAAAAAAH, que morra, então; me deixa partir, me deixa desaparecer; me come com sucrilhos.

Sonntag, April 06, 2008

vampiro dos quartos possíveis

[you're my cuuuuuuuute pie, yes, you aaaaaaaare..]
=
=
=
=
=
=

Não sei no que vai dar mas, como sempre, vou indo, me deixo levar por essa pessoa que aqui do meu lado dorme, por vezes acorda, boceja e volta ao seu sono profundo; daqueles que foram mordidos e carregam marcas aos pares; assim descansa a querida vítima dos meus hormônios da vez - minha voz - assim voa na nave-cama-karma; algodão doce perdido no parque das minhas alegrias - minhas alergias curadas, meus travesseiros usados.
Roubei teu doce como de criancinha, mordi teus pezinhos perfumados de talco. Ursinho. Mindinho. Pequeno e singelo como todo o afeto, meigo como um balão que flutua nos teus sonhos de agora, de agora enquanto escrevo e te olho e te perco. Porque viver é perder a cada dia um azedume a menos. Poque morrer é deitar no teu abraço e sentir as peles do mundo. Como coelhos e gatos e pássaros, todos num só abraço. Porque te ter é abrir a janela escura de madrugada e não ter medo, só estrelas; e te ver brilhar como uma delas dentro do meu peito. Delas? Não, meu. E a possessividade grita, e vem, nocaute, briga, versa-vice. Visse o verso? Me pegou. E já eras. Voou o amor, mais pra dentro da minha janela. WRONG! É pra fora que se faz, é dando que se fica sem, é tendo que se atola as perdas. E os danos? Desconheço, vou vivendo e não entendo, tuas vozes de sonâmbula, morte.

Sorte? É o sono tranquilo da torta esfriando na janela.


Samstag, April 05, 2008

shame-on-me

take on me, é uma música do a-ha. eu tinha uma madrasta que gostava de a-ha. uma vez meu pai jogou uma fita cassete do a-ha-dela pela janela do carro na free-way. meu pai gosta de ac-dc (e ele fala 'acê-decê'), tudo em minús-cu-la pra ser mais loser.

mamãe, eu não queria ser loser, só moderna.

[a demência é uma sofreguidão das almas cansadas. os espíritos verdadeiramente superiores sofrem por sentir. quem não sente é feliz. quem escuta a-ha e bomba na pista é contente. percebam a sutileza.]

the lost art of being silly ou Navegar é preciso

Sento em frente ao computador, mudo os modos da cortina, depois mouse, luz laranja fosforecente, marujos em estantes limpas. Fresco, o ar que vem da janela rompe minha pele

suave.

Morno, meu traveseiro na poltrona giratória.

Chata, a música escolhida por mim no Media Player.
Moderno,
quero ser?
Tosco, trabalhoso, preguiça.

Areia movediça?
Me lambuzo na terra,
é bom.
Páro.

Pisca o Soulseek ; conversas com alemães para uploads.

Levanto.
Torrada
com queijo e
pavê
de chocolate.

Incrédula.
No meu quarto
a vela.

Mittwoch, April 02, 2008

carta de uma menina ruiva arrasada em quatro atos

Primeiro Ato.

Melancolia, Beto? Que nada! Isso é a falta que te faz o Rio de Janeiro, é da falta que se fez as areias e o amor, é da falta que se desfaz o mar. E deságua... Desagradando sensos estéticos com reticências, pluralizando essa angústia em nove pedaços de doce-avelã. Tu vai voltar, Beto? Traz de volta a minha alegria, a minha esperança, a minha bonança? Dança de chapéu? Traz uma ceva e um crivo? Tira essa Janis Joplin da vitrola, por favor. Não dá mais, Beto. Não dá mais essa tua melancolia, já mofou. Toma, come um pedacinho. Vem, vem de mansinho e senta, sente sem entender e entende as cores nos amores de ontem. Ontem? Com cerveja. Hoje, sem cigarros. Pra sempre, sem dinheiro, sem ti, sem metas. Mas essa música, Beto, essa música me penetra. Me recebe, Beto. Abre a porta, fecha os ouvidos, abre a boca, fecha o nariz. Não sei, Beto. Não sei mais como faz pra eles me entenderem, não sei mais como faz pra interagir com essa gente de chulés, mochilas e mensagens. Não sei mais como faz pra sentar na grama de saia e perna aberta. Não sei mais dançar ballet, será que ainda sei andar de bicicleta? O primeiro doce a gente nunca esquece, né, Beto? Pô, Beto, eu te amo tanto, te amo tanto pra poder dizer 'essa é minha imagem de amor', 'esse é meu garoto e essa é minha carta de amor'. Não sei mais, amor. Não sei mais te procurar, não me encontro em lugar algum. Não sei mais me emancipar e me diminuo no teu peito. Não sei mais pra que tanto peito, tanta pança, tantos sorrisos. Não sei mais pra onde foram minhas lágrimas. Não sei mais pra onde foram minhas dores do mundo. Não sei mais quem é ego, quem é posse, quem é razão, quem é coração, não sei quem me domina e não te controlo mais os passos; meu pássaro. Passado. Pasto. Passarela. Passa dor de sentir, sente o sentido do sangue borrado em carmim-unhas. Pega no meu cabelo vermelho-paixão. Tantos, tantos caminhos e esconderijos, tanto pega-pega e esconde-esconde e tu, Beto, tu nunca me amou. Tu nunca sequer me olhou e pensou puxa, que interessante, aquela garota pensa diferente. Nunca sequer te passou pela cabeça eu assim, capaz de sentir tanto e fazer tão pouco pelo bom senso. Tu jamais me amou assim nem assado. Frango-assado. Revista Playboy. Garotas nuas. Bandas de rock. Patricinhas de fotolog. Vai tudo tão normal por aqui, Beto, vai tudo assim, tão sempre, tão preso, tão vinculado, tão popular. Vai tudo assim tão óbvio, tão jogatina, tão aparente. É tudo aparência, meu amor. É a era da imagem, é a tua vez e a minha morte. Sorte? É o meu cansaço aplaudindo deitado.

Segundo Ato.

Jonas, cadê minhas meias, Jonas? Jonas, cadê meu jornal? Eu te odeio, Jonas. Tu me pega as coisas e some num ar rarefeito de marlboros tristes. Tu me corta os joelhos com a régua e me fere em descompasso. Tu me morde a orelha tacanha e me acaricia em dedos de mel azedo. Não dá mais, queridinho. Sai daqui, vai lavar esses calos alaranjados de podridão nefasta. Mefisto? Desisto.

Terceiro, desato.

Sua puta vadiaescrotomórbidafederal. Sua ladra, porca, desgastada em páginas de choro melando rendas e sucatas com açúcar de limonada. Me beija! Não quero! Muda! Não mudo, não mudo, não mudo. É tão confotável aqui, vem, deita pra ver, pode sim, morde o travesseiro, vai fundo, não é bom. Mas o que é bom? Sorte? Sai dessa, tira essa máscara de atriz pornô. Vai criar vergonha nessas caras e bocas. Vergonha? Criar? Não mudo, mas me calo. Calor. Calooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo R!


Quarto, mato.

Depois queimo
o mato
mas antes
vejo
o saco
do mosntro
que age
na paisagem
em trilhas
rumos
pintados
amados
esquecidos


adeus
adeus
adeus

dói
mói
consome

DRAMATIZO, SIM.


Beto, tu não tirou a Janis Joplin. Q?


NADA
ALMOFADA
SACADA
BIXARADA
BARATA
LAGARTA
NA MATA
ME MATA
DE AMOR


tudo ruim, tudo ruim, tudo péssimo. nada com nada sou eu. eu com eu sou tudo, assim, no meu quarto, sem ti, com a tua pena, e a dele.

PENA
umapena
desconsolada
dolorida
show me how


wannabe

ah

deixa

let this love flying die.
let this dead love fly,

maybe, maybe, maybe... summertime.

Um dia ele volta. Vai, Beto. Voa, venta, varia. Tu é minha varíola; minha doença morta, minha esperança torta.


Amar é bonito, afinal.

Samstag, März 29, 2008

a leveza do utilitário e o peso da auto-promoção

Este blog está muito pesado, só apresenta idéias desorganizadas e incompreensíveis que não me parecem úteis a nenhum espírito verdadeiramente intelectual. Eu deveria agora postar uma foto minha de cabelos compridos encaracolados vestindo uma blusa cor-de rosa e sustentando uma margarida plástica atrás da orelha esquerda?

Não o farei, me restrinjo a pintar as unhas de vermelho carmin e ler este site:

http://listverse.com/

Fiquem com o vento da janela. Ou com Chuck Berry.

(TO MUCH MONKEY BUSSINESS FOR ME BEIJOS)

[P.S - O Almodóvar meigo (indie?) das artes plásticas?] :

http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/muntean_and_rosenblum.htm

Donnerstag, März 27, 2008

mentes criativas não são especializadas,

segundo especialistas.

Um oferecimento da Igreja Universal do Reino de Deus.

círculos e cerdas vassourais

Odeio o barulho das vassouras batendo nos móveis. Hoje é terça-feira e terça-feira é dia de faxina; eu nunca participo, fico só aqui passando calor com Stravinski e a máquina de escrever, tomando café no pátio e fumando cigarros com balas de canela. O meu ventilador não funciona, mas as vassouras deles, ah, são infalíveis; conseguem deixar a casa brilhando em questão de quatro horas de dedicação caprichada. Eu, sinceramente, acho que eles deveriam usar todo esse poder de limpeza nos seus respectivos corações, sem querer soar propaganda da Globo. O que eu quero dizer com tudo isso, digo, os cigarros, as balas, os barulhos e as pessoas, o que eu quero dizer é que de fato não entendo como tudo isso funciona. Dizem que o essencial seria simplesmente fazer funcionar, e não pensar a respeito. Eu penso muito, e por verzes sou interrompida pelas vozes de reclamação e mau humor, aqueles gritinhos baixos e secos, que vão aumentando de volume até aquele ponto insuportável do final sarcástico no qual tenho vontade de pular no pescoço deles, quem sabe estrangulá-los. Dizem também que o ódio é o melhor amigo do amor, mas, bem, vocês não devem estar entendendo nada. Fodam-se. Não preciso que vocês entendam, preciso apenas exorcizar minha vontade de comer chocolate. Mas também nem pensem em sentirem-se excluídos, pois, se assim fosse, eu simplesmente escreveria um diário. Pouco se foder nada tem a ver com desprezo, como a maioria das pessoas pensam. De forma alguma, eu de fato preciso ardentemente de todos vocês, pois vocês são irreais, fazem parte de um universo virtual criado por uma escritora de blog. Podem ser tanto uma massa branca indefinida quanto pessoas de verdade. Mas afinal, o que é a verdade? Deus existe? É claro que existe, Deus mora nas vassouras, casinhas de limpar e jogar fora.



Por favor, aceite essa pá!



Mas, no fundo, ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------->meu mais secreto desejo é que a pá me seja oferecida por vocês.
Eu consigo varrer, mas juntar o cisco é um problema. Dispensar no lixo, então, nem se fala. Já ouvi dizer que algumas pessoas sofrem de prisão de ventre por julgarem sua merda muito preciosa para dar ao mundo e, desde então, sempre que algum amigo me relata que não consegue ir aos 'pés', penso em tal sujeito como um ególatra; mas um ególatra não significa necessariamente uma pessoa que se julga superior, para vocês verem como todo julgamento é falho. O único que acerta deve ser mesmo Deus, acho que depois vou procurar por ele entre as cerdas da vassoura.



Uma das vassouras tem um cabo listrado em azul, muito retrô; enquanto a outra é de um rosa pink esnobe. Apesar disso, confesso que sinto certa atração por pessoas que vestem rosa pink, são normalmente meigas, solidárias e, a cima de tudo, sinceras em seus clichês. Já as pessoas listradas em azul carecem de elogios de minha parte, as julgo um tanto pretensiosas em suas linhas retas e organizadas, que encobrem uma incapacidade de se mostrar ao mundo como realmente são: confusas e vazias. As pessoas em listras azuis deveriam se colocar em grandes bolas ocas, tudo parece mais simples e melhor quando disposto dentro de um círculo. Tudo bem que nem eu me entendi agora, confesso que só queria usar essa frase do círculo. Bobagem, talvez não queira dizer nada, mas me parece como uma solução para aquilo que nos perturba e não podemos descartar, enfia num círculo e deu. Mas não falo de círculo vicioso, falo de círculo vedado, e bem redondo que é pra poder chutar e ele rolar pra bem longe. O problema é que, seja para onde for, as paranóias vão sempre ficar literalmente emboladas dentro. Talvez toda essa reflexão seja desnecessária mas, o que não o é? Vocês trabalham, são bem sucedidos, felizes no amor? Vão a redenção no domingo? Tomam suco de mamão com laranja na lancheria do parque? Ou sofrem de prisão de ventre e passam os dias a trocar frases espirituosas? Tanto faz, como também tanto fez se estão aqui comigo até agora ou já foram e me deixaram com a massa branca vazia. Mas, se ficaram, eu estarei sempre com vocês, apenas aconselho que me coloquem em um círculo. Talvez em dois.



O





0
Q?

Mittwoch, März 26, 2008

Amigo Arnaldo

Arnaldo é um pianista. Arnaldo faz música para organizar seus pensamentos, ele diz que normalmente não consegue dominá-los; eles começam com um avião e vão para a Sibéria depois descem para a situação populacional da China, declinando a seguir para o pentelho do sabonete. Arnaldo diz que ser um artista musical é uma espécie de exercício para disciplinar a alma; através dele, Arnaldo desfruta da responsabilidade com a sua concentração interior. Arnaldo não acredita em músicos frustrados, acredita em pessoas frustradas; nenhum desgosto pode vir da sua própria e, portanto, 'especial' criação artística, a frustração vem da auto-estima, vem do desgosto por si mesmo e da dispersão espiritual em que as pessoas se debatem. Esse é o discurso de meu amigo Arnaldão.

Eu conheci Arnaldão em uma gravura aleatória do Google Imagens, na qual ele fumava um cigarro apagado, e por meio desta acessei seu respectivo blog. Na verdade, acho que nunca conhecerei o Arnaldo de verdade, aquele com olheiras e bolas de gordura embaixo do pescoço. Tenho certeza que ele usa photoshop para disfarçar, no blog. Enquanto leio o blog do Arnaldão penso que deveria estar lendo os clássicos do tipo Flaubert. Mas, apesar disso, acho que jamais entenderia Madame Bovary do jeito como entendo Arnaldo. Arnaldo, Arnaldinho, Arnaldão. Meus pensamentos por ele são tão ofuscantes que nunca consigo ver minhas palavras. E é justamente isso que me intriga em Arnaldo, fico indagando aos meus botões o que leva alguém a esse amadurecimento interior que conduz ao domínio dos pensamentos obssessivos. Arnaldo tem 16 anos e já sabe tanto da vida! Mas acho que estou sendo um tanto irônica, o que não é bom para a criação de uma verdadeira interatividade literária. Vejam só, que tamanha dispersão intelectual! Já não consigo dominar os rumos mentais novamente. Arnaldo, pelo contrário, consegue discorrer umas setes telas de seu blog sobre um determinado instrumentista em um determinado concerto, com uma determinada data e orquestra, usando determinado estilo de linguagem. A organização exacerbada de Arnaldo por vezes chega a me angustiar, mas não consigo abandonar a leitura do blog, que se chama "Merenda Pianíssima'. É que Arnaldo simplesmente se ama.

.
. Que tal?
,

Vamos nos amar, nos abraçar, nos beijar
no espelho

Vamos correr pelas florestas
de pinhos
em
espinhos
curvados
para baixo
pois
pais
padres
poetas
penças
nada
jamais
nos
espetará

Arnaldo está conosco.

Montag, März 24, 2008

toque, T.O.C

"Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada"
(Hilda Hilst)


Não focarei meu discurso nos ouvidos sem-rua, nas almas entre paredes de cinema-shopping-center. Não direcionarei minhas palavras aos cegos de ouvido nem aos surdos de olhos. Não me excluo de tamanha escória, sei bem a qual mundo pertenço, esse dos mortais virgens em poder de atração, esse dos que deitam a cabeça na fronha macia para escutar o fabuloso conjunto das almas desavisadas. Shivaia, jah rastafarai, crucifixos ou botons dos Beatles, tanto faz. Estamos todos aqui e não queremos atender o telefone nem a janelinha laranja do msn; deixe tocar, deixe piscar, deixem em paz.

3.

2.

1......


Um escritor deve conhecer bem seu personagem, por essa razão, o melhor personagem que desenvolverá ao longo de seu ofício é normalerweiser ele mesmo, mas nem sempre. Pois e quando o homem apenas se estranha e não se entranha? Como faz?

Será o segredo nada mais que um livro de auto-ajuda?

O domínio dos pensamentos e, consequentemnte, dos personagens, me parece uma faculdade não intrínseca às minhas habilidades. E será mesmo que as tenho? O segredo, ao contrário do que a maioria panfleteia, não é acreditar; é afirmar e repetir. De preferência em Capslock, pois 'letras garrafais' é coisa de bêbado, e o vício é inimigo do segredo. O segredo é matar no cansaço e andar de pés descalços; é errar hoje crendo acertar amanhã e errando de novo prosseguir. O segredo é mentir; para si mesmo, para os outros e sobre os desejos. Vamos falar sobre as mortes que morrem num livro do Tolstoi, sobre as angústias por um final que sempre há de acabar antes de de se consumir, ou consumar. Mortes consumadas são mortes mortas; tudo que morre já não é. Vamos falar sobre quase-mortes; inquietações rubras amareladas em rostos enrugados que me lembram o meu coração; as obssessões mofadas das minhas palavras, o bate-tranca-arrebenta do meu ritmo.

Conhecer bem o meu personagem; força-tarefa. Aquele a quem mais conheço... estaria ele na sala de jantar? Estaria ele sentado ao meu lado na praça pública alimentando as pombas? Será este personagem; aquele que mais conheço em todo o vasto mundo, aquele que adivinho as dores e as surpresas; será ele este inquilino do meu corpo ou o visitante da cidade mais longe de todo este mesmo vasto mundo? Seria esse mundo sempre o mesmo e sempre tão vasto? Não posso responder com outras palavras

a não ser:
não sei,
não posso,
não consigo,
não faço,
não aconteço.

A concentração é uma adúltera e o desejo, umdes-gosto.

(esse final não teve

nada

a ver
com o início,
mas terá

a morte
a ver
com a vida?)

Ó, seja quem fores, divina revelação, me salve dessa reflexogênica talking head!

turn off.

me faça praticar esportes.

e beber muita água.

[No fundo do poço, só a bola plástica importa

OU

Na tristeza, only bullshit matters.]

Nova
mente
A
deus

Sonntag, März 16, 2008

Come to my sadness!

Vem pra cá, me diz o que dizer, como faz? Como dorme, respira, come? Como entende, mastiga, sofre? Só quero o doce do lugar onde moro mais que fico, onde durmo mais que acordo, onde bebo mais que nado. Nada, nada pode sair como entra, em entradas de mofos e gostos e suores. Em opacos coloridos de verdes idéias em conserva. No luto do eterno, me vingo, me esforço, me bato. Tapa na cara, beijo no coração. Indiferença, medo, relíquia. Tu é minha relíquia. Então vem pra cá, pára de fingir que finge, que morre, que afoga. Me afoga, me afoga nos teus braços de carne morna e macia. Me abraça nos teus hormônios cheios de fugas e espingardas. Agora tira o chapéu e me mostra a tua careca. Me diz que perdeu o cabelo e a razão, me diz que entende esse engasgo que não deixa nada sair. Me diz que entende esse sufoco de portas abertas para a entrada sem saída. Me diz que entende, que eu não preciso falar, me diz que foge comigo pra lua mais próxima. Uma, duas, cinco quadras de distância? Voa? Vou, vou contigo nesse balanço de melodias novas em ouvidos cansados. Vou contigo nesse banho de ervas que cortam a mágica dura. Duro, empedrado é meu coração de pessimismos fartos. Maciço, pesado, é meu coração de adeuses adiados. Vazio é meu sepulcro de mortes temperadas com azeite. Azedo é o cheiro do gosto do susto. Morro, morro a cada dia na montanha escorregadia dos meus sentimentos. E amo, amo esse te querer demais pra me deixar levar em injeções de tristeza na veia. Tristeza não dói, o que dói é a vida. Eu deixo.

Samstag, März 15, 2008

get out of my car

exú
vudu
bad vibrations


saiam daqui que o presente grita, preciso viver e escrever agora, tudo que se passa já passou, me atinge da melhor maneira, como a ceva, o crivo ou a sexta-feira. sai do meu carro, e cadê? cadê o que eu estava pensando agora? tá bem aí, na antecipação da velha estrada;

meu passado nos teus olhos frígidos.

Montag, März 10, 2008

Empirismo pictórico

(sobre o real ordinário que se choca contra o amadurecimento da alma mística-interior.)

Misticismo foi uma palavra muito usada pelas vanguardas européias.

As vanguardas européias entorpeciam-se; entorpecer-se nada mais é do que uma tentativa de retorno à infância; a idade de ouro, os anos de algodão-doce; tempo no qual as texturas, as cores e os cheiros, eram todos parte de um único e muito objetivo interesse: deliciar-se; comprazer-se de júbilo vivenciando as mais afetadas emoções pictóricas: comtemplar o deslizamento do carrinho vermelho pela pista de plástico e os pequenos cubos de madeira ilusrada que em cima do tapete se amontoam formando casas, edifícios e igrejas.

Besteiras boas;

toda a diversidade das balas azedas inundadas em glicose saturada.

O cheiro dos pastéis fritos em óleo de rótulo anos oitenta.

[figura]

As embalagens são meros rótulos para homens que acreditam precisar de muito espaço mas contorcem-se em transportes coletivos num vai-e-vem confuso de quem não sabe onde ir; dormindo, lendo, ouvindo música; esquecendo-se.

Esquecendo-se que o importante não é ver como é por dentro e sim criar o que se coloca para fora, esquecendo-se que o sábio é aquele que julga a si mesmo com parcimônia e coração. Os acontecimentos mais valiosos são invisíveis para os ollhos, já dizia o Pequeno Príncipe.

Que diria ele da 'era da imagem'? Que diria ele dos programas televisivos de culinária?

[a sede de imaginação não é psicológica]

Trata-se daquela velha história sobre palavras e atitudes.

Trata-se de ação,
de movimento,

quiçá ruptura.

As palavras são acessórios parcos para o mais aparente ideal humano: a comunicação. Também assim são as imagens; estudadas, gastas e pretensiosas. Ambas são a personificação da perversidade adulta e, curiosamente, quem mais se delicia com seus resultados são os espíritos jovens.

[criança (Grande) x adulto (Pequeno)] ,

a eterna luta clichê-interior do homem, na qual o vencedor é a união de duas forças (ou quatro) que se batem mas convergem e jamais devem se opor, criando essa espécie de contradição que, ao mesmo tempo, define.....................................................................................................................................
--------

definha...............


................... e mata o texto e o misticismo.

Freitag, März 07, 2008

as gemas no espelho

quebram.
desiludem.
desconfortam.

vem cá, senta aqui no sofá e me mostra teu caderno, me pede pra te perguntar quanto é dois mais três. Dorme, dorme no colo que eu te cubro de beijos de lã macia e reta. reta como o meu coração, seu fluxo cortado e as outras metades de mim. perdidas em ti encontro em mim.vem mim, bem-vindas,

eternas,
suadas,
juntas.

amarelas de prata.

Mittwoch, Januar 23, 2008

Freitag, Januar 11, 2008

as garotas são as sádicas sexuais. elas são as mães da escória.

a verdadeira sobriedade nasce da embriaguez da alma, do profundo mergulho aos confins do ócio utilitário.

eu faço muito barulho. adeus.

Donnerstag, Januar 10, 2008

[tódinho laifi-staili]

1.


'Então vamos beber, escrever e ler'.

Ele tirou da mochila uma garrafa de gim, praticamente cheia. 'Não é mesmo interessante como um artefato líquido destinado a ludibriar (e, consequentemente, 'preencher' o 'vazio' e/ou incompleto) pode ser proporcional à sua capacidade de entorpecimento, em termos de objeto, assim, preenchido, cheio?', pergunto. Ele apenas sorri. 'Coisas simples em palavras difíceis', eu disse, 'não consigo sair disso'. Ele me levou para fora. 'Vamos para a sacada', ele sugere apontando a escada com seus braços desajeitados e, de certa maneira, sorridentes. Sim, eu enxergava sorrisos em seus braços e, talvez, melodias nos seus cabelos; sentia arrepios e suava mãos. Um dia suei todo o livro sobre o cérebro que ele me mostrou na aula. Ele me mostrava muitas coisas. Naquela noite da sacada, me mostrou as estrelas e sorriu com dentes bobos que diziam que tudo era assim tão simples, mesmo. Não diziam, mas mostravam, insinuavam como uma boa metáfora indie. Ele me beijou. Era como se eu tivesse de volta minha boneca Mônica e meus lacinhos arrancados pelo coleguinha do pré. Era como se fosse mesmo simples, e repetitivo e bom. Era como se ter disciplina para reparar em determinados pingos de realidade fosse fundamental ao convívio com o meu interior. 'Olhe as esrelas', ele dizia; 'as nuvens, os animais, as gramas verde-limão. Olhe as toalhas coloridas dos piqueniques, olhe as bolas murchas das crianças ruivas.'

'Agora vamos beber', sugeri.

Ele tirou da mochila algumas frutas. Me abraçou. Não bebemos. Apenas sorrimos e comemos ameixas. Dormimos abraçados sob o céu negro e pela manhã fomos passear no parque. O dia estava ensolarado. Brincamos com a máquina fotográfica e tocamos instrumentos esquisitos. Usávamos fantasias. Depois voltamos para a sacada e enchemos balões coloridos. Verdes, roxos, amarelos, bordôs, mostardas. Tomamos sucos pronto/importados de amora e devoramos cerca de dez pêssegos. Foi uma tarde e tanto. Ele disse que eu era uma moça distraída, e então eu contei a ele. Contei a ele sobre a pulseira.

2. A Pulseira

Tudo começou na vitrine de uma cidadezinha irrisória. Era uma pulseira de bolinhas em uma loja de 'Conserta-se Relógios'. Aconteceu durante minhas férias de inverno, enquanto passava alguns dias na casa de meu tio paterno, um velho interiorano, gordo e voraz. A loja era um pequeno chalé de madeira que pertencia a um casal de velhos também interioranos e gordos. A mulher, uma idosa muito ativa e preservada, como todas as senhoritas do campo um dia virão a ser, fazia doces de maracujá e chcocolate, geralmente acompanhados de calda de uva ou goiaba; a vi apenas uma vez, enquanto admirava a pulseira do lado de fora do chalé.

Eu estava, como sempre, posicionada estrategicamente junto à porta, torcendo que o senhor de cabelos verdes-brancos me convidasse a entrar, quando esta elegante senhora me pediu licença e então empurrou a porta, em seguida deixando que a mesma fechasse debodachadamente diante de minha face, me despertando assim da hipnose que causava a pulseira de bolinhas. Pude então vislumbar através da vitrine que a referida senhora trazia sanduíches cortados em quatro pedaços e um bule de café, provavelmente preto e puro. 'Café tira o sono', ouvi o senhor de cabelos brancos-verde dizendo. 'Você poderá dormir bastante quando morrer, meu bem', a velha respondeu.

[As piadas dos velhos não tem a menor graça]

.

Eu precisava da pulseira de forma trágica e ardente, de sua posse dependia todo meu vigor facial e toda delicadez de minha pele juvenil, de então 12 anos. Sim, a pulseira tornou-se uma obsessão. No entanto, o mais interessante era que eu possuía dinheiro o bastante para comprá-la, mas não conseguia efetivar a compra, não conseguia sequer entrar na loja. Só conseguia contemplá-la e desejá-la, talvez lutar por ela interiormente, mas possuí-la, de fato, não me incitava a qualquer tipo de esforço. Fiquei enferma de angústia pela imagem da pulseira durante toda minha estadia no interior. Não conseguia me livrar dela. Mesmo quando estava longe da vitrine, lembrava. E o velho de cabelos brancos-verde lá dentro consertando relógios, aquele velho gordo e sardento de avental vermelho com bolsos de um xadrez sujo, pouco ligava para meu objeto do desejo. Um dia finalmente tomei coragem, entrei na loja e contemplei demoradamente a pulseira sob o outro ângulo, tão sonhado por mim desde o início; o ângulo DE DENTRO. Era encantadora. Foi então que o consertador de relógios me olhou de forma fraterna e disse que precisava ir à cozinha e voltaria em dois instantes, em seguida indagando de forma calma e educada, se eu poderia por obséquio 'dar uma olhadinha' na loja. Eu disse que sim, é claro. Foi tudo deveras rápido. Não pensei duas vezes. Fui até a vitrine pelo lado de dentro e furtei a pulseira de bolinhas. Saí correndo. Fui embora do interior no outro dia e nunca mais voltei à casa de campo de meu tio paterno.

3. Segredinhos e Mogwai, quem sabe Wilco.

Então hoje é meu aniversário e estamos aqui com meus dicos do Chico Buarque e meus arquivos de nova música indie e vanguardas que você não pode perder. Então eu me iludo com as letras bobas e depois danço com as melodias toscas e no fim tudo não passou de um scrap. Mas eu lembrei de tudo isso, sim. Lembrei de como as coisas bobas podem ser arte dramática e forte, de como as violências todas que fiz ao meu organismo não passaram de falta disso tudo que só ele pode me dar. Essa coisa de ver as nuvens, as revistas e os filmes. Essa coisa toda melosa e meiga. Esse teu travasseiro com cheirinho de chiclete e teus quadros de cinemar noir. Tua parede laranja e teus escritos em arquivo pdf. Minhas pastas no teu computador, tão lindo; terão elas ainda o meu nome? Guardarás ainda tu os meus emails de dor e saudade?

Nosso amor
virtual e sádico.

Um sadismo
infantil
e mágico;

como uma poção
do amor
em desenhos
animados.

Nossa vida compartilhada em madrugadas solitárias e cor-de-rosa-coração.

4- 'Nosso amor de ontem.'

Uma pena que tudo tenha acabado assim, com 12 latinhas de Polar, reassistindo 'Linha-Mortal' e voltando no controle-remoto os melhores ângulos da bunda do Kevin Bacon. É assim que me sinto em relação a ele hoje; voltando no automático para alguma espécie de imagem com historinha mas, ao mesmo tempo, retornando esporadicamente-sempre ao meu melhor ângulo; assim como os ponteiros do tempo do cosertador de relógios que conheci em minhas férias juvenis.

o dia em que o cão desmaiou.

Era uma noite quente de dezembro, as ondas de calor pareciam mofar tudo ao redor. Ele estava sentado no quarto semi-escuro, em frente ao tabuleiro de xadrez, e perguntou o que eu andava fazendo. O mesmo de sempre, eu disse. Continuo fazendo o mesmo de sempre e acho que cada um tem o seu tempo; até mesmo os cães desmaiam, concluí antes de adormecer sob um teto de telhas ordinárias.

[Acordei com a pressão baixa.]

Suava o frio que não tinha, do sono que não existiu; eu, minhas pálpebras pesadas e o suor atrás do joelho. Eu cravejando no lençol alheio minhas saudades; as amizades que não consigo manter e os cansaços que não vão embora.

Ele tinha um gato e provas de vestibular. Pálpebras tristes e vícios. Abacaxi fresco, aceita? Aceitei. Mas pra quê? Não deveria nem ter entrado ali, pra quê? Pra ver nas rugas dele as minhas, pra sentir o peso de tudo que não aconteceu e do tempo implacável? E agora ele fuma, traga e solta a fumaça que dança no tabuleiro de xadrez. Ele tenta me explicar as regras, mas eu não consigo mais. Só consigo pensar em quantos quilos de bafo quente são necessários para que o cão desmaie. Só consigo pensar na cama com o gato vira-lata e o ventilador estragado. Os sonhos estragados e o abacaxi doce. As rugas ao redor da boca dele não estavam ali há mais de 3 anos, nem essa dobra de gordura na frente do cotovelo. Nem os cotonetes sujos, nem essa falta de fazer sentido. Aonde foi que eu me perdi? Como tudo começou e como foi acabar em pressão baixa no sol escaldante de uma manhã de verão em Porto Alegre? Eu não sei. Só consigo lembrar das rugas ao redor da boca, do cabelo em estilo Jesus, da tristeza diante das provas do vestibular. Com 34 anos, temos ou não temos muito tempo pela frente?

[Nós costumávamos ter a mesma idade.]

Eu e a menina-lixa, a senhorita assuntos-que-interessam observando as celulites alheias e me dizendo que já era, eu já era, nós já éramos. Glu-glu-glu, abram alas pro Peru e para as novas lolitas. Se o meu tempo já passou é só porque o teu nunca existiu, menina-lixa. As restrições e a palavra pregada. Jesus de saias e noteboook. Não, não posso mais com isso. Tudo isso pra terminar com o gosto da cerveja fervilhando em uma goela de ressaca. Tudo isso pra ouvir o fogo arrebentando de desgosto problemático e mal direcionado. Assim acabam as pessoas: novos magros orgulhosos ou gordinhos restritivos. Trinta e quatro anos arrastados de tão pesados que ninguém levanta ou puxa. Estica, estica pelo menos as tripas da cabeça, vê se enxerga com um coração de mãe carne-osso e esquece essa máscara de ajeitar no espelho. Quem dá as costas não pode se enxergar de frente e o vice-versa não funciona nesse caso. Não, eu não entendo mais as regras. Nem as promessas.



[No vestibular, a competição entre o homem velho e as garotinhas de mini-saia; a fiscal sexy e o vestibulando afoito. Lembra?]


Versos.

Maldade.



Controversas;


Imagens, imagens; no fim são só imagens, talvez diálogos e quem sabe desgostos.

No fim, apenas ser gentil importa. A gentileza dele acompanhava, nas olheiras, a decepção; na menina-lixa, a decepção acompanhava o ar-condicionado e as unhas vermelhas. É tudo uma questão de acompanhantes, de parcerias, de falsos elos. Ah, os elos são tão fracos aqui e ali, uma palavra dita e se arrebenta, um som na escuta e dois berros no coração. Não, já não posso mais. É preciso andar, é preciso andar; foi precisamente o que pensei enquanto me levantava de um colchão fedido em uma casa estranha, eu e minha dignidade intacta, eu e minha pressão baixa. Eu e o sol lá fora queimando a calçada morna da manhã. Eu e esse meu engasgo que não desce, esse gosto de ruína, de devastação interior. Eu e o exterior fracassado nos meus objetivos mortos. Eu e minhas palavras brotando clichês e sem nexo. Eu e meus 34 anos, meus 26 amores e 47 medos. Eu e minhas grosserias, meu pânico de telefone, meu vômito para os juízes de boteco. Vomitem vocês um pouco mais, vomitem seus desgostinhos frígidos no prato de porcelana da mamãe. Eu sou adolescente. Ah, os juízes de boteco, com esses também não posso mais. Eu gosto é de comer chocolate e de tirar fotografias. Eu gosto de sentar na cama e ler o dia inteiro um livro de amor. Eu gosto desses cachorros tristes em sombras de praça. Gosto de deitar na grama e olhar pra cima contando os galhos e desvendando suas geometrias. As pessoas costumam preferir as nuvens. Eu prefiro esses posts confessionais de aniversário. Eu prefiro o meu coração.

Dienstag, Januar 08, 2008

vacas pretas

fuck off

minha cara
morram
é foda de tão ruim
de tão longe
morra
voe
summer
vulgar
merda de poço inflável.

as novas lembranças criaram raízeS.

como as nozes e os pedaços de lambida em beiços alheios; nem sei como faz pra deixar viver em ondas de pagode rítmico em balanço molejo de marcas de batom. te vejo em ondas de desordem no coração cansado de margens e olhos e testas de ferro. te quero aqui como um querubim a uma virgem de excessos. amo excessos, tu sabe. vem pra mim em exageros que não aguento mais nem com amizades de verdades e camas e cortes profundos entre você e eu. não aguento mais isso de sofrer e chorar e sacrificar. te queria tanto a presença e o molho e o tomate e a falta de lógica, queria tanto essa LÓGICA DE NÃO PERDER...................................................................................

VENERO.

Donnerstag, Januar 03, 2008

Hinter scharfen und harschen Worten verbirgt sich häufig eine gewisse Unsicherheit.

[Strong and bitter words indicate a weak cause.]

[Las palabras fuertes y ásperas indican una causa débil.]

[Palavras categóricas e ácidas são sinal de uma causa infundada.]


- sobre a força do substantivos e a fraqueza do nome próprio.

E ainda sobre sorrisos sarcásticos e vazios, porém compreensíveis e sedutores; a babaquisse exacerbada da ironia e a moleza estéril dos corações estudantes de letras que a procuram em livros de papel.

[1, 2, 3 livros de alma para você, nesta data maldita.]


A beleza da literatura não está no sentido e na construção frasal, nem na vida brilhante do autor e seus amigos intelectuais. A literatura não é uma foto do Ginsberg e seus colegas de faculdade em um álbum da orkut. Literatura não é blog, não é historinha que vira cinema. Não é tendência e nem estilo. Literatura simplesmente NÃO É. Literatura é isso de dizer o que é e depois dizer que não é.

>>>>>>>>>>>Escrever é ser contraditório, é ser binário, é ser cérebro e alma em cinco linhas. Literatura é metáfora. É breguisse exacerbada. É folha, imagem, corpo. Magnetismo estético. Apagão. Dor. Deleite. <<<<<<<<<<<<<<<< <<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Minhas palavras nunca fizeram sentido, mas escrever me faz sentir. Me faz sentir o sol mais forte e a música mais alta. Rilke era a favor da valorização suprema dos acontecimentos interiores, tanto na vida quanto na literatura.

CONFISSÃO@
the pretty kind

Eu confesso que já fui mais apaixonada pelos meus sentimentos; como uma boa mulherzinha, não me apaixonei pelos homens, mas pelo AMOR. Sou totalmente apaixonada pelo amor e por tudo mais que me arrebate, mesmo que seja batendo na cara e fundindo a cuca. Meu ardor pela violência passional acabou superando minha valorização do amor. Eu perdi o amor. Confundi tudo. Me apaixonei pela beleza, pelo deleite estético que nos proporcionam os jovens de corpo e coração. E paixão não é amor, não é preocupação; é carência. É querer para os nossos próprios olhos tudo que de mais belo há, é um desespero pelo toque do objeto adorado. É brega, arrebatador e passageiro. É um engano, uma trapaça da futilidade humana. Ah, c'mon, a beleza está nas mãos que lavam a louça, nos ouvidos que escutam com o peito, nos dedos que seguram a vassoura e não um ramo de flores do campo. A sedução é tão, tão vazia que machuca. Os sedutores não escutam com o peito, não varrem os tapetes, não compartilham fraquezas. Escamoteiam a sujeira. O maior problema do sedutor é que ele precisa parecer forte e belo o tempo todo; todos os seus movimentos são caclculadamente sensuais e despretensiosos. O sedutor se alimenta da farsa, dorme e acorda com ela. A sedução e a paixão não possuem alma, só egoísmo e prazer fugaz-carnal. Ok, elas podem ser úteis em algum momento da vida, mas o problema do sedutor é a sua tendência de super-valorizar esses eventos, de construir o ego em função da eficácia de seu poder de atração e agir como se fosse completamente alheio ao próprio poder, que julga natural. O processo de desapego do apaixonado só se dá quando este percebe o quão fake foi o processo inverso, ou seja, o da paixão. As estrelas e a lua exercem um poder natural sobre os humanos, mas somente elas, somente elas e o oceano e o mato e, em alguns, casos, a música e a arte. Mas um humano jamais exercerá um poder 'natural' sobre outro. Os humanos são tão ardilosos quanto as palavras, e tão pretensiosos quanto a literatura. A alma está lá fora, no extra-humano-dentro-de-nós.

Nossa necessidade de 'parecer' vence qualquer impulso de 'ser' ou 'sentir'. Por isso, prefira morar na filosofia, e não rimar amor e dor. Caetano sabia das coisas.

Sex appeal é lixo. E lixo é uma boa palavra.

Mittwoch, Januar 02, 2008

Tudo passa.

Bem na verdade, o que passa é a nossa mania de tudo;

de eternidade. Nada é eterno; óbvio clichê. Mas a beleza pode enganar. Porém, mesmo a beleza dos ombros e das pernas nuas nas fotografias não é eterna,

[e nem a beleza da carne humana que se move em ritmo de criança, 3 dias depois da luz solar queimando a pele macia e revelando a lenha podre interior. A feiura é adulta.]

Volto a dizer: tudo passa; mesmo as secas e os incêndios. As únicas a não passar são as impressões, que só se renovam e fundem num mesmo cérebro-esperança; num mesmo cérebro visual-passional-racional.

A infantilidade da beleza e a falta de dignidade verde na pele mais bonita e estrelada não mais me compram; luto contra os olhos com as armas do esforço pelo belo, o inverso pelo reverso; ou eu poderia dizer, minha cabeça é uma confusão, mas estou de unhas feitas-carmin.

A futilidade é uma perseguição implacável em uma estrada de terra e mato molhado. Não dá pra secar o mato, mas dá pra enfrentar a natureza. Dá pra se apaixonar quando dá na telha, tanto faz se chuva ou sol (na telha).

[Portanto não se iluda e, por favor, vista-se. ]

O caminho da porta fica no banheiro.

E a descarga não passa,
só leva.
Só lavando
passa.
Mas pesa.
(o molhado pesa mais que o seco)


========= E eu descarrego minha água alcoólica em chamas de suco de maçã,
prensando passagens de tudo em letras de matos mudos. =============

Q?

Se tu é burro, te fode. Tu merece.

Freitag, Dezember 28, 2007

chapéu com morangos & champanhe

FREAK OLD YEAR


O chapéu faz toda diferença, virado, picotado ou rendado. O chapéu e suas abas, suas dobras, sua sombra. O chapéu do cogumelo, do jardineiro e do moleque vendendo churros dizendo 'preciso fingir que não existo, com licença vou sambar em um baile funk, me deixar gozar com meu pau da alma imaginário. As pessoas costumam ter amigos imaginários, eu tenho um pau. É sério. Um pau de madeira preso no meu chapéu de plástico bolha. Comprei meu chapéu no lixo, depois da feira de legumes dominical.'

Deu.

Não consigo mais, não vai dar, vou ter que abdicar dos sonhos de verde e azul e fogos e ficar com o amarelo-ovo-podre. Vou dançar o jogo do bobo e beber três litros de uísque. A humanidade está sempre três uíques atrasada. Eu li isso num nick.

Então não vou perder o trem, não vou baixar essa cabeça capixaba pra brincar de Antártida. Não vou me fantasiar de golfinho nesse clor de 50 graus embaixo da terra molhada. Sim, lá em cima tem gente, sempre teve. Na sacada. Lembra das garotas de baby-doll?

Quem precisa de coca-light-lemon se tem sede de amnésia. O azedo do limão também pode ser esquecido, desde que dosado homeopaticamente no processo de desintoxicação.
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Eu amo pessoas em um dia e esquecço em 24 horas, mas o que esqueço em 24 horas, não lembro em um dia. Um dia jamais chegará a ser uma contagem progressiva reclusa. Reclusa desse véu de possibilidades guardadas em convites de ano novo. Reclusa nesse infinito leite condensado na batida do meu coração.

Mittwoch, Dezember 26, 2007

Sou o amarelo do teu Photoshop.

Não adianta resistir, lá estarei: quente, suado e digno.

[tensão suada de dezembro]

O quarto poderia ser aqui ou na África, eu poderia ser japa ou bahiana, ó, sim, a Bahia, a triste Bahia e seus cantores amarradões. Dinheiro não, mas elegância; formosura; plágio. O moço lindo que perdi em esquinas de areia mais frouxa que cordão umbilical em novela das oito. Mas não me amarro em histórias de vingança, dinheiro, sexo; acho vulgar. Sou uma gata-pura-cabeça-que-não-se-pela-na cama procurando carona para a praia. Sou o o fundo do microondas em chamas de cozinhas alheias. Sou peito aberto no espaço. Menina-vazio, benção flutuante no rio. Todos os malabares, as piscinas de mármore - tome esse parágrafo como um arrepio.

uma valsa de nuvens para originais e mergulhadores. (-IT & ME-)

Uma dança de faíscas amarelo-ouro-prata ou branca, não dá pra saber ao certo. As nuvens constituem um fênomeno natural, enquanto as pessoas são insultos artificiais; a originalidade não passa de uma frase afirmativa e vazia, um intuito infantil de demonstrar auto-estima estilosa. O estilo é, não obstante, uma falha de caráter. A conduta é sem dúvida digna de pena; qualquer uma, mesmo as reconhecidas na tv aberta ou cantadas em estações de rádio populares. Conduta do rock, do bom filho ou do chimarrão. <----- [mentira] [verdade ]------> Tanto faz quem fez ou quem serve. O mundo só é justo em suas falhas; e o menino Jesus deve estar doidão, valsando e falseando em lascos profundos de chãos-mundo de madeira apodrecida.


[ou na água, boiando em suspiros de ouvido mais atento-mergulhador.]


++++++ Die, Jezzz, die..~~~~


Pois quem não morre permanece em promessas e escrituras, talvez estátuas, quem sabe, em maletas cheia de dinheiro viajando por corredores de aereoporto.


(Ahn?)


Quem morre não tem problema, não tem frio, não tem ferida nem cor.

Vermelho
cor de rosa
de namorado
e preto
cor de rosa
morte.

Prefiro o cinza das nuvens indecisas dos finais de tarde. Prefiro o branco prateado que contorna os limites das nevens fumaça-algodão. Prefiro o fim da tarde na água de todos os santos. Benta é nome de vovó de seriado. Dizem que o Bento é nazista.

So, forget about IT.
Then, forget about ME.

[Let me go home. Stop the junkie.]


Só uma trilha sonora. Trilhas e chãos e barrancos e quedas naturais não importam, no fim o artifício sempre vence.

[That's the rule, the only one.]


HANG ON TO YOUR EGO ( Beach + Boys = ótima combinação. A única necessária. )


Necessária?
Tô brincando. Quero mesmo é um ventilador do camelô. Deixa o mar pra quem não sabe nadar, deixa a subida da montanha pra quem não sabe o que fazer no cume.

------- ARTIFÍCIO & FICÇÃO --------

[mentira e verdade] ------> A diferença entre o artifício e a ficção reside na tomada de linha de frente. O artifício não pede licença, o artifício é grosseiro e pouco criativo em sua aproximação e estrutura, o artifício é como um brinco de plástico em orelhas de mar-fim. Já a ficção é lúdica e inventiva, é o talento organizado em festas de ce-tim; é a anfitriã das festas ode-elegância. A ficção é mulher, that's all.

{Só sentimos
pena
daquilo que
não
podemos
deixar
de temer
que esteja
reservado
ao
nosso
futuro.} -----> tão fake quanto o estilo, percebem?


Beijos, happy new year.

(what a BIG CLOWN, but that's IT.)

..but that's ME.

I accept me, one of us.


(to play the fool)

Dienstag, Dezember 25, 2007

life begins when you're in love

with yourself.

ninguém raciocina tão bem quanto os paranóicos.

acho que foi o Fernando Pessoa.

o jazz e a lua

o jazz e a lua se conheceram em um dia de uma [espécie] de eclipse machado-bukowskiniano; o signo dualístico-arte-palavra da eterna luta entre a tradição organizada e e a confusao caótica [redundante] e panfletária. O jazz poderia se chamar machado-glauber rocha-saturados e a lua, ó, a lua não se permite compartilhar citações e sua terrível e inebriante menção e coexistência. A coexistência entre a atitude certa e a errada, entre o todo dia e a única noite. A noite tem um poder de homem ou aranha de 5 anos resgata criança em incêndio. O incêndio e o jazz nunca foram amigos, mas amavam a mesma lua-mulher perdida em mentiras que não entende bem. Entende que mentir e perseguir a mentira em um plano compreensível não é necessário nem sensato. Você pode ter seus melhores dias, pensa a lua-amarelo-ovo-quente, se divertindo fora da vida, mas quando o jazz cruza o seu caminho, como cruzou o da lua e da sanidade e da preguiça, quando o o jazz chegar assim de mansinho no ritmo das bananas em bocas de carmen miranda, tanto faz, tanto faz carmen miranda ou nina simone. Quero falar de nomes, quero citar personagens, atores, cantores, mentirosos. Somos todos mentirosos perdidos em nós mesmos, pobres criaturas acorrentadas a um ramo de flores frágil e terminal. Quero falar de adjetivos, de exercícios intermináveis de composição sem fim. Nada se encerra em nós mesmos se estamos fora de nós, como a lua atrás das nuvens, encoberta, escondida, de brilho fraco. Enfraqueço como o jazz e a lua, com elegância e confiança. Alone? Não. ALL ONE.


Enfraqueço para o bem, enfraqueço para deixar entrar a literatura pelos poros abertos da percepção despretensiosa, da simplicidade e da solidariedade para com a doença. para/ com/ por /pela. Tanto faz, só não deve doer. A fraqueza não dói, a fraqueza é parte mole e macia, é a flacidez na bunda da velha.

calor científico compulsivo & co

Soa na perna atrás do joelho, nas axilas, nos móveis de madeira quente, nos vidros embriagados de vapor, no pé, dentro dos coturnos, o chulé. O chulé das frases feitas de natal, dos hipócritas em roupa de festa querendo ressuscitar simpatias mortas; o calor não me compra, mortes não passam de brincadeiras místicas desprovidas de bom senso. O cansaço não me faz render, a renda branca do vestido da menina-vida. A boneca de peito-pilha cantante embaixo do pinheiro plástico-artificial e o copo de champanha virado em uma mesa de perus e tortas. A desilusão da mãe que ganhou batedeira e queria vestido, o sono do bom filho nas festas em fim de madrugada; saindo do quadrado escuro e ganhando o céu-círculo-terrestre azul-turquesa.

O suor no rosto e nos cabelos das festas com música eletrônica. As imagens que dançam e cansam e depois descansam em havaianas verdes.

Amarelo-sol no desenho da criança-ressaca; ressaca-mãe no colo do pai ausente. Ausências como preto-e-branco em uma ditadura colorida. Nas cores, no céu, no mar de amores. Nos amores brutos, secos, suados, frios. Nos frios; salamito, presunto magro, gordo; 100 gramas. Vozes de 350 kg. Ouvidos peso-pluma. Bocas que sorriem e olhos que dilatam e fecham e dançam a música colorida pelos lápis de dentro. Da cabeça, do coração, do fígado. Como vão os seus rins? Pra onde foi a minha cachaça? Do que eu estava falando mesmo? Vai ser sempre assim? Quando vou sair dessa lama na poça de deuses e margaridas e crustáceos? Pra onde foram os argonautas, os alquimistas e os mágicos? Do que é feito o azul-marinho de um início-noite?


De enganos, meu bem, de enganos. A vida é feita de enganos e neles reside a beleza metafísica dessas tardes 40 graus à sombra. A vida é feita de enganos e nisso consiste o portal que nos confina para sempre à caverna do dragão. A eterna caverna do dragão é nosso estômago nauseado de promessas e comidas e álcool. Os cigarros consumidos e o dinheiro desperdiçado mas, a cima de tudo, a escória da humanidade trajada de estudantes-estagiários. O fundo da lata de polar em olhos cínicos e palavras estudadas. A dança da vez e a vez da corrida. Correr disso tudo de mim, numa chama de cansaço e preguiça em ressacas de fim de ano.

Sonntag, Dezember 23, 2007

FÓ-DEU

ai

tr amote amo te amo te amote amo temo etemamooooo

ai eu precisava dizer, fodeu.

eu não preciso disso.

mas eu te amo.

Freitag, Dezember 21, 2007

maculando.

adeus. preciso ir. pressenti. e doeu. mas sarou. e agora? agora não são só flores! são também pedras e crosta terrestre. profunda crosta terreste. deep inside. sabe? jamais. jamais saberás. ninguém saberá. é tão eficaz. vocês não fazem idéia, crianças. adoro kids. desde a primeira vez que asssisti com minha mãe no extinto cinema imperial. hoje é um clube de bingo ou, não sei como chama. mas gosto de clube de bingo. enfim, adeus. mas gosto de kids. também quero manifestações. FES, não fãs. agora digo adeus, como disse faz alguns posts à letra maiúscula. ela me oprime. tudo de superior me sufoca, e o sufoco tem sido tema recorrente. não estou sabendo lidar com isso, percebem? não, não é um post suicida. ó, céus, vocês me levam a sério. não, não levem. sim, esqueçam. confio no subconsciente, e sei que lá permanecerei, em todos vocês, virtualmente, mas é tudo que posso dar . lamento eagf wdeço. e amo o mundo inteiro. flores. baratas. sapatos. revistas. todo mundo. e minhas luzes também. e meu chaveiro prateado também. tchau, galerinha, cansei. mas irei mentalizando nossa sintonia. HELLO. KID.

se eu te amo, me inclui.

na mesa de sinuca ou nos seriados de mulheres peitudas apostando dinheiro. tanto faz. o dólar puro ou o câmbio escamoteado. o manifesto ou o escárnio. o escritor ou o mendigo. tão simples, tão real, tão melódico, tão lúdico. como num filme de flores e pântanos e piscinas cheias de folhas mortas. o parque das árvores mortas, ela me mostrou. numa tarde de domingo. no parque das árvoes mortas. secas. quebradas. penduradas. pendentes. cheias. vazias? céus,quando saberei quando saberei o real significado de encher e esvaziar? do valor e do fútil? será? mas o fútil é tão atrativo, é tão pau duro que me amolece. falei. pé quente, cabeça fria (caetano, o surfista calhorda mais true ever.)

chumbando a vida adoidado

é muito rápido, é muito forte. as crianças lendo os meus diários. as paixões de aula de religião, os estojos escondidos, os mistérios que sempre pintam por aí. tão simples. milhões. até que nem tanto esotérico assim. mas a alma, a alma não me anbandona, não me deixa em paz. a alma que me faz achar lindo e deplorável. almanaque. abandonado e necessário. tão apaixonada, que nada, não sabe nada, morre afogada. não sei mesmo, não adianta. as vidas todas tão cheias de bordados e sentimentos de lã, na lapela, cintos de gurança; montanha russa.

caetaneando nova york

tendência, percebem a tendência? triste bahia em roma, triste roma em nova york, será? não deveria, não eu não deveria, escrever assim no impulso retrógrado conservador bem daquele tipo de quem não quer nada, de quem nada obteve, de quem nada lucrou e tudo expressou. rimas pobres. drogas lícitas. bom humor. chacota. não sei. sai daqui, de dentro de mim, do meu coração com sede, com fome, enjoado. da minha janela rabiscada de estrelas feias. do meu véu de noiva abandonada. da minha morte de chuva verde. do caos do amarelo e branco. da neve em cuiabá. da seca em são josé. ah, não sei, BEIBE. não sei o que dizer, não sei o que pode te afetar, te acordar de uma vez por todas desse sonho de balas de hortelã do cara que vai até a esquina comprar cigarros filtro amarelo. ah, não sei bem o que quis dizer, ah, o que importa. ah, que se fodam os sentidos, as rimas, as admirações e as ai, a reprovação. a reprovação merecia caps, mas não vai levar. me perdi por aí.e lamento. não, não lamento, comemoro, comemoro aqui com minha spuklseiras e brincos e unhas deixando crescer. celebro aqui com minha mente povoada de deuses mortos e vivos fantasmas, de corroendo a moita a tesoura de eduardo. sim, o mão de tesouras. não, o amor não espera por mim. não, não morri. sim, parei. agora vem a bad. agora vem o momento de 'foi tudo em vão'. agora vem o momento de 'pq escrevi tudo isso', o momento de 'que merda, vamos todos tomar no cu', não, não quero. não, não publicarei. não, muito pessoal mas sim, foda-se. foda-se pq avida é assim, com porquês abreviados e pessoais. a vida é muito pessoal, man. muito pessoal, e isso fode tudo. pq a gente leva tudo pro pessoal. pq o pessoal é fske. pq o pessoal satisfaz as necessidades egoístas de kinotros virtuais, ai, não sei o que quero dizer. sómquero dizer que minha música em minhas mãos e meu colchão, deus do céu, como posso largar vocês por tão pouco. como posso me apaixonar por restos e migalhas e farelos quando tenho o império,o ouro, a riqueza moura dourada. ó. morra eu. morra esse eu de dentro e sufocado. sufocado é uma bad.

Mittwoch, Dezember 19, 2007

Chuckberry fields forever

é só uma música do Caetano.

Todo dia.


02 de outubro de 2007.


Não quero contar os pormenores da baixaria. Acho que a baixaria particular deve ser preservada, mesmo em um diário. Portanto me restrinjo às partes de comum interesse; como o conteúdo de minha meditação enquanto relaxava no jardim. Pensei que acuso as pessoas de coisas que me machucam na minha própria personalidade, e que por isso acusar talvez seja uma forma de auto-punição. Pensei que não sei pq continuo cultivando hábitos que me machucam, e por isso ouvi vozes vindo de trás do muro que diziam ‘gente que não trabalha’. Então me dirigi aos meus aposentos e coloquei um Schubert, depois de uma longa meditação no jardim. Pensava no que ouvir, pensava no que meu ex-pseudo-namorado havia dito sobre a minha conduta (não posso evitar abusar dos pronomes possessivos) ; sobre eu não nunca procurar fazer algo visando uma melhoria mas somente uma degradação ainda maior. Auto-degradativa. (Não,ele não seria tão brilhante.) Pois então, eu pensava no que ouvir e justamente que queria ouvir algo pesado e triste e então pensei que não, que deveria escolher um artista que me aumentasse os níveis de seretonina. Foi então que lembrei das vozes atrás do muro e resolvi escutar um Schubert. Escutar música clássica é realmente um trabalho, exige dedicação mental e postura ereta. Litros de café. Esquecimento do futuro. Debandeação. Sim, estou calma. Certamente precisava de algo intenso, não um diário para registrar mais uma entre mil existências decepcionadas consigo mesmas.

Desejo não mais almejar um emprego estável e um lar, desejo alcançar a calma necessária para pensar e agir nos seus devidos lugares, pois tenho invertido a ordem; pensar demais quando é preciso agir, e tomar atitudes impulsivas quando se deveria pensar pausadamente. Mas, a cima de tudo, desejo ouvir mais música clássica. O passeio no jardim me fez bem e mal, os meus mais íntimos sonhos foram interrompidos por marteladas vindo do muro e alarmes telefônicos aqui dentro, depois da porta. A porta fechada é a mais tola das ilusões, é uma péssima idéia. Melhor abrir tudo de uma vez; escancarar, como dizem. Ok, sem técnicas narrativas, ok; sem desculpas. Foi uma manhã dos infernos. Mas pelo menos nem pensei no bolo.

Entendam bolo como bolo.


Assinado: Gabriela Wondracek Linck, assumindo a exposição tosca e a ABREVIAÇÃO CONSCIENTE DOS PORQUÊS. PQ OS PORQUÊS DEVEM SER SEMPRE BREVES.

Ziéss Laifi Staili e outros

Hello, call me Yoko.


O meu computador não funciona, não funciona, NÃO FUNCIONA. É bom, assim, às vezes, não funcionar. Ficar parado à beira do rio compartilhando impressões que jamais serão compartilhadas. No fim, é sempre o clichê; o pôr do sol, a palavra repetida. A rima, a música, o violão guardado, os olhos que não fecham e os que fingem fechar. Os caetanos e os surfistas. A flor estampada nas costas fortes de um moreno automotizado. Os balões na festa de aniversário que termina com o fim do dia e das nuvens brancas. As nuvens brancas que ficam cinzas e depois chumbo e depois já não se sabe, com listras laranjas. The age of the old. As fotografias com os velhos descendo escadas e roubando ilusões de igreja. O maduro que apodrece a alquimia. O tesouro no fim do arco-íris e a cerveja gelada. I’m alive. Tipo. tipo,tipow; i’m alaiviii. As atrizes de cinema que me fazem chorar, não mais. As opiniões retardadas que me fazem rir, não mais. The age of the old; a salvação dos jovens melões. Os melões descascados pela mão enrugada e lúcida. O pé da palavra e dos limões. As melancias que nascem rastejantes e os porcos que que se jogam na lama, a profunda lama dos melões pós-modernos. Os melões de chapéu tendência, os melões e seus computadores que não funcionam, não funcionam, não funcionam. But i’m alive. The age of the old. Os velhos fracos e os jovens fortes e um, dois, três; a, bê, ce; eu e você; bem, Michael Jackson, acho que não é tão simples assim. Não tão simples como contar e juntar letras e tristezas e alegrias e saudades. Ah, a saudade, me poupem. De mulher já basta eu, de Papai Noel não bastaria nada. No tesouro não tem ouro, só cobre. Se cobro o cobre, me revelo pobre e ninguém descobre.

RIMA
LUV
COM
ASPIRINA.

PATAVINA.

Ó, como é bonito o galo cantor
camarada,
Mas sem as galinhas
Ficou assim
Nada, nada

Que mancada!

Mancar é uma palavra tremendamente preconceituosa. Tremendamente é outra palavra problemática, pois irrelevante. Eu deveria dizer ‘mancar é uma palavra de forma insana e tremenda por demais preconceituosa’. Também ficaria PODRE. Como as frutas, as secreções e os lençóis de mágoa preta.

Donnerstag, Dezember 13, 2007

ciclos

ligações espirituais
são sazonais,
como o amor
e a dor,
o suor
e o pior.


o pior
do amor é
o suor
da dor,

mas quando seca,
peca.

sim,
sou um poeta
jeca.

sazonal,
jornal e
mal.

Mittwoch, Dezember 12, 2007

we're a good future

[ 2080 => Os casamentos foram extintos. Crianças nascem com pais já solteiros e independentes financeiramente, ambos os pais são aptos a pagar suas próprias dívidas, bem como seus respectivos vícios e demais mantimentos. Não existem mais uniões familiares, no sentido de dividir uma casa e criar os filhos juntos. Isso agora é apenas resquício de um tempo longíquo e ultrapassado, anterior a Madsen. Madsen foi um médico, estudioso e intelectual, que provou que filhos que convivem com pai e mãe são mais sucetíveis a vícios de padrões sentimentais-interativos que filhos de pais separados. Esse novo conceito (Madsen, 2014. Amor e Divórcio, editora Vega, SP) e seus devidos apontamentos, que não serão detalhados aqui, pois não é de nosso intuito fomentar a teoria Madsen, revolucionou o pensamento moderno provando que o índice crescente de divórcios demonstra o amadurecimento do homem da nova era.]


O homem de 2080 acredita que a existência de laços sentimentais determinados por descendência (sangüinea ou adotiva) foi o fator determinante para a derrocada da geração do início secular. É notório que por idos de 1990 os divórcio já era popular e os filhos de pais divorciados não se beneficiaram muito da situação, tornando-se em geral usuários de drogas (lícitas e ilícitas) e dependentes financeiramente (de familiares ou conjuges). No entanto, Martobels (2001-2064), atribui esse deslocamento de padrão estrutural ao fato da coexistência de uniões matrimonais e divórcios.

O grande problema enfrentado pelo filhos de pais divorciados seria , segundo Martobels, o fato de estes conviverem, em seu meio social, desde a infância, com filhos de pais unidos legalmente e em um mesmo ambiente residencial, sofrendo, por consequência da tradição matrimonial ainda vigente, muitas vezes, preconceitos e pressão indireta por parte de seus seres humanos de convívio.

Junbols, em recente publicacão (Junbols, 2078. Martobels e a síndrome de coexistência, editora Manhatan, BH), sustenta e defende a tese de Martobels, demonstrando por meio de dados obtidos em pesquisas sociais que, por idos de 2050, a situação, após o desenfreado aumento de separações entre casais (pais e mães) na década de 2030, com a Revolução Hetero, se inverteu. O que significa que durante esse período os focos de preconceito e pressão indireta eram os filhos de pais unidos em uma mesma casa, pais coexistindo tanto financeiramente quanto informalmente.

De acordo com Faischer (Faischer, 2080. A multiplicidade do ser humano e sua consequente busca por unidade e frustração nos relacionamentos, Nova Editora, SP) , foi fomentada, nessa época, a noção do auto-prazer, ou seja, da unidade do ser humano frente à multiplicidade de seu ego. Faischer diz que se em cada um de nós coexistem milhares de padrões adquiridos ao longo dos anos e, levando em conta que o aumento dos padrões que nos são introjetados é proporcional à passagem do tempo até o final da adolescência, o ser humano só pode obter satisfação nos relacionamentos amorosos até essa faixa-etária. Na idade adulta, o ser humano já se encontra de tal forma saturado pela sua própria multiplicidade que a união prolongada com outro ser humano em um mesmo ambiente acabaria por gerar conflitos da ordem dos já devidamente estudados irmãos siameses, substituindo-se, no ser humano da nova era, os laços culturais pelos físicos. Conclui-se daí que filhos de pais separados formalmente e financeiramente (exclui-se a noção, inclusive, de 'pensão alimentícia') estariam mais aptos à conviver com suas limitações pessoais, pois não é excluída a noção de exemplo. Faischer comprova que o novo padrão de conduta, no qual a criança é criada desde o nascimento em duas casas diferentes (o que se torna totalmente compreensível se levarmos em conta que os pais são também distintos um do outro, tanto psicologicamente quanto, inclusive, em seus órgãos genitais) , sem nunca ter contato com a antiga cultura do 'casamento' (ou seja, tendo sido extinta a coexistência resultante da Revolução Hetero), nem em suas casas nem nas de seus vizinhos, tornam-se adultos mais saudáveis e realizados.

Sonntag, Dezember 09, 2007

Samuel Beckett

'A busca do meio de cessar as coisas, calar sua voz, é que permite ao discurso continuar. Não, eu não devo tentar pensar. Dizer simplesmente o que há, é preferível. As coisas, as figuras, os ruídos, as luzes, com as quais minha pressa de falar disfarça covardemente este lugar, é preciso de qualquer modo, fora de toda a a questão de procedimento, que eu chegue a afastá-los. Preocupação de verdade na raiva de dizer. Donde o interesse de ver-se livre por meio do encontro. Mas devagar. Primeiro sujar, depois limpar.'

Samstag, Dezember 08, 2007

A diferença entre caolhos e bilíngües

A diferença entre caolhos e bilíngües reside na problemática da duplicidade. A utilização concentrada de um elemento isolado pode ser mais produtiva que o binarismo excedente. E chamo de binarismo excedente qualquer órgão, elemento ou participante que aprecie mais a multiplicação que a divisão. A multiplicação não permite restos. Os restos são importantes para que novos rumos se formem, sejam eles somas ou diminuições. Contudo, isso é o menos importante, o essencial é que sem excedentes nada se multiplica.

Freitag, Dezember 07, 2007

Luv

é a mão do vô cheia de amoras que colheu pra mim.

The party's cashing us now.

É tudo uma questão de passatempos. Mesmo as ideologias e os dicionários.

3 Jardins, sobre a opção sexual

No primeiro dia de aula, Fernando chegou atrasado, com uma camiseta do Tigermilk. As menininhas desde sempre costumam gostar dos garotos despenteados que fumam escondido durante o recreio, e não dos que brincam de futebol de botão e tomam leite. Ele era do segundo grupo, for sure. Provavelmente jogava videogame e lia quadrinhos de ficção científica, mas era encantador. Me sinto um tanto infantil lembrando dele; como um garotinho de 10 anos tentando saber de quem vale a pena, ou não, gostar.

O fato é que Fernando me fez acreditar que eu sabia exatamernte do que gostar, quando entrou com aquele sorriso bobo e perdido.

THE LOST ART OF BEING SILLY, adoro.


Fomos colegas em mais duas cadeiras, acho. Gostávamos dos mesmos livros, filmes, discos. Mas só isso. Ok, pensando bem, não gostávamos 'bem' dos mesmos; na verdade eu passei a gostar de todos os preferidos dele. Ouvia Arcade Fire no ônibus e arrumava o cabelo com mais esmero, ao estilo carregue-um-espelho-na-bolsa-e-uma-música-no-mp3 player.

O caso é que ele me lembrava jardins. Me dava essa sensação de verde e maduro, de florescer e murchar também, também murchar, mas sempre renascer. Essa coisa de brotar e cair e comer e sempre ter outro fruto esperando, florindo, nascendo. Essa circularidade colorida que emana dos jardins e dos INDIES.

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Um dia eu estava no ônibus com meus headphones e vi um jardim. Pensando bem, talvez fosse um pátio. Nesse pátio tinha um homem de esvoaçantes cabelos escuros mas, pensando bem, acho que era um chapéu. Ele regava a grama e era alto. Bem, pensando bem, nem era tão alto assim. Tive certeza que era o homem da minha vida. Então esqueci o Fernando.

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O jardineiro se chamava Roberto, fomos casados por três anos. Certa vez, durante o casamento, eu estava na aula de musculação e vi, de relance, ao meu lado, um desses homens muito, muito bonitos. Desses que a gente não consegue nem encarar pois tem certeza que ele sabe o quanto o achamamos bonito apenas pelo olhar. Indisfarçável. Me deu vontade de olhar de novo, mas então lembrei de Roberto; nessa época nossa relação já estava bastante sólida, ou seja, eu era casado, leal e companheiro. Não, não valia a pena olhar de novo para o lado mas, céus, ele era realmente muito bonito. Pensei em Roberto. Não adiantou. Olhei para o lado de novo, procurando o homem que exerceu sobre mim tamanho fascínio e me fizera cogitar ser infiel; quando percebi que, vejam vocês, eu estava apenas atraído pelo meu prórpio reflexo no enorme espelho da academia de ginástica.

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[Ass. Peopletryhardtolie]

Dizem que assim você morre mais fácil do que sem água.

Besteira pública dignifca a imbecilidade?

Olá, prazer, sou um escritor que acredita que a literatura está dentro de mim só esperando o momento de sair mas não, na verdade sei que não, na verdade sei que a literatura está lá fora esperando para entrar. Não sei se entra pela janela ou pelo ralo, mas ela está esperando do lado de fora, está esperando como o engenheiro pelo seu instrumento; inversa ao que é necessário para o usual: encaixar as peças é fazer funcionar, e fazer funcionar é trabalho árduo; trabalho árduo dignifca?Ah, mas que desprazer, na verdade você está hand-in-hand with the electronic, você acredita que se apenas trabalhar será conhecido como o rapaz trabalhador ou se dançar o tempo todo será conhecido como o garoto que está sempre dançando? Belle & Sebastian? NÃO é ripongagem e sim lenda, não é bobagem MAS alma. E alma não é romântico nem brega, alma é fazer feliz. Fazer, não ser. Dançar, não correr. Romantismo é morrer de amor e dizer não ao marketing pessoal.

Ass. Electronic Renaissance?

Dienstag, Dezember 04, 2007

salva pelo sexy astronauta?

(e pela falta de categoria)

a breguisse exacerbada pede licença e canta.-----


eu fui salva do abismo. nem deu tempo de secar a tempestade old-fashion de pequenas ervilhas e ele veio assim, palhaço de guarda-chuva, com essa coisa xadrez de listras e geometrias completas de duas cores; tudo junto. nda de superman, ele é o incrível..

homem
so
bre
o músculo!

homem dos que vão embora e deixam empadas pro café da manhã. hiper-herói verme-borboleta em ondas paradas com sua armadura-núcleo desfocado ganhando forma e cheiro e...

NÃO SEJAMOS HIPÓCRITAS COMO AS TAMPAS SÃO PARA OS BURACOS!

BEM-VINDO à era dos foguetes discretos; uma só pessoa que se transforma em outra que vai pro espaço e ferve e vira a página com o dedo molhado de vinho doce. depois vira e bate com papel de carta perfumado; e pega, e coloca isopor ou algodão doce, tanto faz, faz perder o medo pelo artifício, e diz que não, não tem mais ninguém. não tem mais céu. como pode? o que tem aqui dentro? um carrossel de cavalos fakes e bregas que viraram bancos de montanha russa sem cinto de segurança?

tem é esse umbigo de pipoca mais brega que letra de pagode. e eu quero assim, como vício em três segundos, como música do só-prazer nessa noite de caetanos. céus. que horror. odeio, qual é? tudo de novo? não vai, não.

quero tua função social. e fotos em roma.

baita forgets!

[um hit para caetano veloso]


Man, baita forgets, eu tenho que usar esse teclado assim na manha e você na minha fronha me chama pros sonhos mais behind the wall, show me from behind man, you don't know me at all, feel so lonely, there's nothing you can show me. Te odeio, querido lençol de frutas e flores e cores e não me importa o que tenham a dizer os homens, os gigantes ou os malefícios do cigarro em gotas. Jamais te pedirei pra me deixar novamente, caetano, pois eu nunca estive em você, sim, eu nunca estive realmente dentro do teu peito ou do teu pau. Eu nunca estive na lama nem no mel, e não me importo, não me importo com palestras, nem com drogas e nem com idosos. Não me impressiono com desculpas ou promessas ou clichês. Eu sinto e meu mal.. meu mal.. meu mal é não amar o suco de mamão. Meu mal é não comer o açaí.

[precisomorrerpqestouviva-baita fake!]


Você nem vai saber quem eu sou quando passar por mim na rua, de rosto solto e malvado, ereta como um arbusto. Dane-se, eta expressão bonita. Chorar? Viver? Seduzir? Poder? Luxo? Magnólias? É tudo teu, leva, leva. Acendendo no escuro já traumatizei muito por você, caetano, eu fui me embora e quebrei os talos. Eu voltei e reatei as costuras. Da tua sandália. Do meu chinelo. Já não me importo. Já não coordeno. Jamais desisto.

[Não sejas tão grande quanto o que consegues suportar, não sejas tão forte quanto o que possa te desiludir.] ---> ÊTA!

MOITA ---> Eu abraço, abraço com piedades e carinhos e doces, mas jamais massacro. Jamais maltrato, apenas uso pain como mote-of-the-way pois quem não tem nada dentro está confinado ao massacrante exterior. O que vem de fora atinge, mas não fere o bastante pra te deixar desolado dessa maciez de contornos e vozes e líquidos matando mais fome do que sede, mais sólido do que pedra; pedra no sol; solidão acariciada pelo calor. Voz de dentro. Não sei, não cala.

Não sei como fazer, mas gosto de deixar sangrar, ferir, morrer. A morte é linda e LIDA, como olhos escuros e malvados que encantam. Tentadores. Mas depois vem o samba, o tom. O tom de brincar, de ferir, de sorrir, de mentir. O tom da bossa, do samba, da praça.
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O chão da farsa.
A vida.
Ó.
baita forgets.

Sonntag, Dezember 02, 2007

Não me vem com esse papo de afeto,

deixa chorar meu coração em algarismos e danças de teclado, deixa sorrir como os pastores para as suas ovelhas, como o mendigo para a moeda ou como, bem, chega de exemplos. Os exemplos deveriam ser pequenas amostras de realidade empírica, mas não passam de pilhérias isoladas perdidas em um falso senso de realidade. Pensas que te ajudam? Pois não te ajudam. O conforto não é uma salvação, apenas um afeto, e afeto é para fracos.

[A força é o instrumento de medida para os esforços de busca, a busca é um caminho cego para o ponto invísivel do espírito que ninguém conhece.] <------ Besteira.

É bom escrever assim sem saber onde vai dar e ir combinando e ligando e sufocando o sentido. É bom escrever assim pra se livrar das mãos que buscam cigarros e isqueiro; matéria e fogo contra gelo e água. Não, não é pra fazer sentido, é pra fazer calar. Sentidos confortam e nos fazem sentir próximos um dos outros, mas a comunidade é o fim de tudo, o sepulcro de qualquer intenção da alma. Perder-se em uma pista de dança ou brincar de roda na areia faz o coração amolecer e entregar os pontos da reflexão essencial: o motivo. O motivo é uma busca, mas também um fim; fim de ano, fim de festa, fim do mundo. Fim, fim, vim. Mas não, não vem comigo que eu preciso andar sozinha e não, isso não é letra de música, é letra de sim, sim que eu saco a tua manipulação, sim que eu saco o jogo, o mofo e o enjôo. Nunca se sabe se o enjôo é sincero, assim de manhã, com um copo de leite com morango. O enjôo vem, vai, morre e ressuscita; quando vem liberta, quando vai sufoca e quando morre e ressuscita é por não ter auto-confiança. Meu enjôo agora é mais forte que parede de zinco, é mais poroso que pele de moleque e mais efêmero que o meu amor. O amor é um pequeno enjôo da alma; um antes e um depois, e já eras. Que nem o remédio do comercial, que nem um cartaz de ceva, que não tem nada a ver com a história. Engov, ceva, enfim. Engole se quiser, ninguém tá te forçando a nada. Te engana que seja tão importante te convencer, te engana e esse é teu jogo. Acho que tu perdeu. O jogo, a amiga e o sal de frutas. A vida não é um desfile de ironias charmosas e conversas existenciais. A vida não é voltar de manhã. A vida não volta, mas a gente pode voltar pra frente, sim, a gente pode, pois o atrás não existe se não tem ninguém na dianteira. Não, não tem niguém na dianteira. Não tem ninguém na reserva, não tem ninguém em lugar algum. Tem só essa náusea que virou fome, e essa fome que virou sono.

Freitag, November 30, 2007

Ranhos

Mandalla, lembras de quando te conheci em uma dessas noites de entorpecimento e pilhérias? Lembras do quanto tu me impressionastes com os dotes irônico-naturais contornados pelo aparato sarcástico que só possuem os de alma solta? Lembra da noite seguinte? Pois é claro que te lembras. Na noite seguinte nos encontramos de novo no bar. Não bebi. Dessa vez reparei que te trajavas com a elegância de um falcão. Tu estavas no fundo do bar, perto das caixas de garrafas vazias de cerveja, recostada a uma parede com remendos de madeira. Lembro como se fosse ontem. Um homem te abordava e demorei a perceber que era apenas um pedinte de passagens escolares. Próximo ao teto pendia um retrato de Marlene Dietrich, pobre musa envolta pelo ar abafado de nicotina e vapor alcoólico. Eu observava, tu rias e tagarelavas. Parecias absorta por aquela atmosfera purgatória, como uma deusa das almas penadas. Teu bando de amigos carentes de abraço entragolava-se na primeira mesa do bar. Chovia. Um cigarro molhado pendia nos meus dedos e eu acorrentado ao primeiro banco do balcão. Pedi uma água sem gás. Tu me vistes, me acenastes e continuastes junto aos teus engradados de bebida. O pedinte se afastava com as mãos vazias. Alguns cinco metros nos separavam. Vestias uma saia preta com botões azuis de céu, combinando com tuas meias três quartos. Três quartos de mim quase desmaiaram de deleite, pois sabes tão bem em que parte os homens são visuais! Mas o outro quarto solitário reclamava voz e vontade e talento. Tive medo de quebrar a distância, tive medo de tuas ironias desabarem como flores murchas esquecidas em um vaso sem água e, de fato, desabaram. As flores de ontem, Mandalla. Essa foi a noite das flores de ontem. Nessa noite me mostrastes uma foto tua no cemitério da Recolleta, lembras? Beijavas uma flor morta de caixão. Mas era tão amarela e bonita, dissestes. Da onde vem esse teu gosto por flores mortas, Mandalla? 'Não', me dsissestes, 'eu não gosto de nada morto, gosto é de tocar no que está duro e seco'. Mas isso foi depois, no teu apartamento, o apartamento mais triste do bairro mais faceiro que as noites perdidas já encontraram. Mas isso foi depois, bem depois. Depois daquelas quatro horas que permanecestes junto ao meu colo e minhas vísceras eretas de desilusão em um mísero balcão de taberna. Quatro horas nas quais só aliviastes tua carga do meu corpo para utilizar o banheiro, mas não a descarga. Naquele banco plástico em cores sujo-pastéis no qual eu permanecia sentado falei com teu nariz pela primeira vez, te recordas? Foi então que decidistes me levar ao teu recinto particular e me apresentastes o retrato das flores mortas. Não tinham cheiro, dissestes. Não cheiravam a nada pois os narizes não cheiram, apenas falam e sentem. Shakespeare dizia que as emoções ficam no fígado, tu dizias que ficam no nariz. E dizia que eu nunca te teria se não tivesse antes o teu nariz, se não entrasse em perfeita comunhão com ele. Foi então tu me oferecestes o chá, o chá que eu deveria beber pelo nariz. Dissestes que era um costume russo. Eu acreditei. Acreditei tanto em ti Mandalla, mas, agora eu sei, aquelas palavras saíam pela tua boca, e eram portanto levianas e frágeis como os sentimentos que saem do coração. O que sai do coração vai parar na boca, o que sai do nariz vai pro cosmos interior e rasga. Mas rasga bonito.Tu tinhas razão, Mandalla. Os narizes apreciam tão melhor um bom chá. Então o que eu queria mesmo era te pedir desculpas pelo que saiu de minha boca naquela nossa segunda e última noite, pois não eram verdades de nariz, eram frivolidades para orelhas. E olhos, oh, pobres olhos. Mas não, não me arrependo, Mandalla. Jamais esquecerei os anos que passei venerando esse órgão vil; o órgão da literatura, do cinema, da fotografia, da nutrição visual, ou seja, do impossível. Jamais quero ter olhos novamente, Mandalla, mas não, eu não tinha o direito de te pedir para arrancá-los de mim; entenda que eu simplesmente não queria mais te ver como um nariz, não queria pensar que a sedução que exercestes sobre mim era pura e infantil, que ela jamais voltaria a me impressionar, que as noites de narizes são muitas e as de olhos são mentira. Mesmo assim, jamais deveria ter te requisitado como minha cirurgiã espiritual de olhos, pois não tens espírito, Mandalla, só tens um nariz cordial. Por isso teu corte falhou sobre mim, pois mesmo sem os olhos ainda consigo ver com os ranhos.

Dienstag, November 27, 2007

monotonia glacial

SOBRE O INCÊNDIO E A ÁGUA:

O gelo,
o fogo,
o fogão a gás
e os antibióticos.

O rio,
o vento,
as nuvens.
A natureza
do sangue.

Querido diário,

Meu teto está torto ou talvez tenha estragado, nunca se sabe. O ar está quente e em posições abafadas encontro em mim mesma a grade de respostas, em branco. Do alto, próximo às estrelas mais baixas, cai uma borracha. E adivinhe, bem no meu telhado. A borracha é importante para que eu não me perca em desejos mortos. Os mortos lambem pedras adocicadas de moral duvidosa e por isso não há sentido em se deixar levar por cruéis certezas, melhor perder-se em dúvidas bondosas. Se eu encontrei a saída do labirinto, foi da porta pra fora, e só agora vejo o quanto um erro mortal pode ressuscitar pobres acertos. Não te compreendes? Não me importes.

Tudo é corpo.
Estranhos e íntimos.

Na minha barriga criam-se moléculas que se renovam de quinze em quinze minutos. Meu cabelos já não crescem mais perto de ti e nem minhas mãos continuam tão faceiras de carinho.

[As mãos crescem no planeta das sensações 517; são elos fracos e sinceros, que procuram apenas um instante de suspiro ouvindo guitarras distorcidas. A busca cega, não pense que te compensa, pois não te roga pragas nem promessas, simplesmente não existe.]

Desiste.

( )


O que não existe não há nada igual.

(0)

Querido professor,

Tanto faz se entendes o meu mundo de tua maneira ríspida de julgar o desejo. Tão importante quanto as pedras de dentro é a nossa posição nesse planeta cercado de montanhas rochosas; o isolamento não é tão puro quanto cósmico. As pedras de dentro me atravancam e jamais chegarão a ti, por isso, não te preocupes, concentre-se no movimento das placas tectônicas. Devo confessar que jamais me senti tão serena como nesta banca de palavras e ausências que renovam sentenças a meu favor. Digo, sentenças falsas.

[]

[ ]


SOBRE OS CONTORNOS:


Reto como uma parte de pele rasgada em triângulos. Já não posso acreditar em pontas, mereço uma geometria completa. Já não posso falhar em escolhas que me escapam como ladrões de sonho em quadrados. Redondos? Temos sido nós dois até agora, como que perdidos num círculo que, como todo o círculo, não leva a lugar algum. Mentiras confortantes não me interessam. Obrigada, tenha um bom dia. Um ótimo fim de semana. Não esqueça de lavar os azulejos, eu os deixei na porta de casa, de onde nunca saíram.

//

Querido Examor,

Tortos como as varetas de uma sombrinha quebrada são todos os sentimentos efêmeros. Insignificante como um pingo de chuva na testa pode ser o momento da libertação; quando a piedade pelos mendigos desabrigados substitui o fascínio pela tempestade.

manifesto intergalático

Querida Putiniko,

Desde a chegada da quarta lua não consigo estabelecer nossa conexão, mas essa não é a pior parte. As flores sintéticas murcharam como bochechas velhas e o ar está como que rarefeito de entranhas humanas. O cheiro que emana da superfície me lembra teu chulé; já não consigo dormir no desconforto da nave pois ela roda em ondas côncavas e não convexas. Ainda carrego teu rímel comigo e me ajoelho perante ele nas noites sem água. Começaram ontem a borrifar, junto com a lua. O ritmo parece um tanto desordenado mas eles acabam sempre acertando. Entretanto o que eu queria mesmo te contar é um tanto mais assustador. A Terra é oca e nós vivemos no meio e não na superfície, como supunhamos. Ontem quando desligamos a rádio as superfícies de contato se grudaram todas. O nazismo, a estético, o super-homem e a Terra. Não estamos na borda, estamos a bordo. A bordo de uma imaginação não utilizada e que reclama ouvidos multifacetados. A bordo de um lapso-colapso morno e fétido (quando me alimento, me culpo e me absolvo em goles de demência). Meus olhos agora dormem, acredite. Estar aberto não significa absolutamente nada. Vivemos em uma época por demais distante dos Deuses para nos acreditarmos sábios, cara Putiniko. Vivemos numa era por demais afastada dos Gigantes. Hoje conheci um deles, se chamava Robson 314. Há 12 mil anos Robson 314 não conversava com um intergalático, e não pareceu agradecido. Impressionante como os gênios não podem ser compreendidos, por intermédio de tal vã conclusão passei a acreditar em ti de novo. Jamais duvidarei de teus dotes culinários novamente. Beijos e me liga.

Samstag, November 24, 2007

esse bateu ou giz de calcário.

(escrito na escadaria da Barros Cassal na madrugada passada. OU presente?)

Doida de ócio nos confins do vuduzão. E aí guerreira? Meus tênis estão podres com púrpuros restos carbonizados de fumo chovendo em ondas do livro, escrevo que preciso e preciso de + papel.


+ PAPEL
(a caneta falha)


Outros títulos da coleção Livros de Ouro.

Bíblia
Ciências Ocultas
Deuses e Deusas
Evolução
Felicidade
Flores
Futebol
Heróis da História
História da Música
História do Brasil
História do Mundo
Mente
Mistérios da Antigüidade
Mitologia
Mitologia Erótica
MPB
Papas
Profecias de Nostradamus
Revoluções
Santos
Sonhos
Universo
Zen

(VIRA O VERSO E VOLTA)

Papel, papel, papel; eu precisava tanto de papel e agora tenho o papel palpável não sai nada inteligível na esquina dos barros vuduzando uma pilha acidental. Gabriela horrorizada suplica ao motorista de táxi -----------------------------------------------------------------------------------------------------------> chega o táxi. Fica a caneta.

Pin Ups em vermelho e branco e um jogador de beiseball com uma enfermeira. Os dois discutem. E o pior, estava acontecendo.


-----> Ainda tem o papel. O vudu, vamos afastá-lo. Na verdade é um gângster e um jogador de beiseball.


Ok, acho que ainda está acontecendo. Mas não, não posso voar.


GiCa-Amo a vovó diz:
ai mais tu juraa q nao conta pra ninguem
GiCa-Amo a vovó diz:
pela tua vida

Meus amores. Meus amores. Meus amores. Sem amor nada se cria. Ponto. Açucar. Algodão doce. Vinho suave. Nuvens de chumbo. Camisetas listradas em azul e bordô. Prédios e faixas branco-azuladas. Sacadas. Não tem estrelas, só na música do Beach Boys,


arthurcolorado97@yahoo.com.br diz:
ism,tah aham
GiCa-Amo a vovó diz:
Tata
GiCa-Amo a vovó diz:
mas jura q nao conta
GiCa-Amo a vovó diz:
tu sabe se alguem gosta de mim


------------> dentro do Juca Batista.


Hora do almoço. Eu tenho computador todos os dias. Todos os dias. Eu quero que a Gabriela saia.

Saí.

Mittwoch, November 21, 2007

uma merda como qualquer outra.

Eu me sentia tão bem com aquela nova parceria que poderia discorrer sobre qualquer assunto corriqueiro, desde a forma como o cachorro velho urinava arqueando uma das patas traseiras com a dificuldade típica dos anciãos, até o modo como o odor azedo de minhas axilas seduzia meu olfato ao fim de mais um dia de tédios cansativos. O cansaço havia por fim me dominado e quando eu pensava que tudo estava indo pela privada abaixo junto aos meus excrementos espumosos, ele apareceu. Tinha contornos arredondados mas em geral era disforme por completo. Eu não podia afastar o pensamento dele desde que o vi abandonado ali, flutuando em um mar hostil de bolhas ensaboadas e sujas. Tudo que eu precisava parecia estar contido em meu bolo fecal.

Sonntag, November 18, 2007

O sentido da vida está na versão de Siouxie para Dear Prudence dos Beatles.

"Há dias que são de amanhecer", ele pensou esmagando o último cigarro no cinzeiro de madeira que trazia o dizer "Buenos Aires" ao fundo; palavras curiosas para se estampar em tal recipiente mas, tudo bem, a vida é mesmo curiosa, e os hábitos também. Ali estava ele descontraindo com seus botons de plástico e se sentindo como numa música do Television; escutando a chuva e ouvindo algo mais, que com os pingos invadia o cinzeiro e fazia boiar os restos de nicotina prensados em pequenos cubos de papel. Restos. Vulgo "Bitucas". "Mutucas", pensou, também se chamam algumas moscas. Ele gostava de ser assim hiperbólico em seus pensamentos. Mas naquele dia ela iria embora, e isso ele não conseguia tirar da cabeça nem com divagações mornas de fim de tarde chuvoso. Peripécias desimportantes fazem realmente sentido frente a uma situação de desespero amoroso, percebe-se que elas realmente são desimportantes. Ele finalmente havia chegado a uma conclusão em sua tola vida, e era essa, a da desimportância dos acontecimentos bobos e divertidos. Naquele dia não, naquele dia nem Stallone Cobra o faria rir. Ela vai embora e ele não tem mais cigarros. Ele não tem mais cigarros e afinal de contas os cigarros não fazem diferença; no entanto, mesmo assim fazem falta, just like her. Ah, coisas de música. Ah, ele não queria mesmo falar sobre isso, não havia nada a ser falado a não ser boas-vindas solidão.


E a solidão só começa quando todo o resto terminou, quando se percebe o fim que há em tudo e a incapacidade que temos diante do tempo e do tudo. Esse tudo bobo de reflexões existenciais. Esse tudo que fica tão nada quando alguém vai embora, que morre um pouco a cada dia a saudade e mata um tanto a cada noite os começos. Há noites que são de amanhecer e dias que são de acordar. Ela havia proporcionado a ele todas as noites de amanhecer, mas depois roubou todos os dias de acordar. A menina dos cabelos verdes conduziu nosso protagonista a um sonho eterno de ilusões estreladas regadas a cerveja quente. E agora deixava só o frio; quem ela pensava que era? Ora, ele mesmo diria, num daqueles lapsos que duram segundos e mudam um TUDO inteiro; ele simplesmente deixou de se importar, talvez tenha achado um segundo cigarro no fundo do peito. Green is the color, mas também desbota.


Ele acendeu
e morreu.

E tudo começou de novo; o jardim de infância, as brincadeiras de roda, o chocolate derretido no fundo da caneca escrito 'mamãe'. Mamãe Natureza que abençoe nossas divinas perdas. Papai Tempo que se foda. Essa história de tempo não passa de decomposição física. Num mundo sem rugas, nada disso faria sentido. Mamãe Natureza é mãe solteira e eu sou bebê de proveta.
Não quero mais falar dele, é óbvio que ele sou eu e a ficção é o escudo dos fortes. Fortes precisam de escudo? Ah, me dá a minha fraqueza de volta, eu gosto dela. Ela que vai embora hoje e se cobre de verde pra afastar o negro. Ela que vai me deixar e eu serei então uma pessoa melhor, ela que não é de mentira. Ela que é mais quente que cerveja do Bambu's amanhecendo num copo plástico.


Adeus, gatinha. Somos todos feitos de um pano rasgado, e os buracos também protegem, mas um dia a gente tem que costurar pra não cair. Cair de muletas é tão mais difícil. E por isso eu vou reto e de ponta.


Desejo a todos que um dia descubram, como eu, a sagrada verddade contida no BOM Mergulho. Pois eu sou demais; sou roxa de frio no mar e vermelha de calor no sol. Eu sou de todas as cores, não preciso de verde. Compre um lápis de cor você também e vem pra cá. Vem com a tia brincar de bobagem e esquece o resto.


Viu? Ela já foi, passou. Pra dentro? Através? Tanto faz, desde que passe. A mutação é o fim de tudo que há e o início de tudo que será; será? Quem sabe, ganha um beijo negro.

Dienstag, November 13, 2007

patinetes, férias, outono.

Por Deus, preciso ir ao banheiro, mas seguro, seguro até a hora do sono deles. Que eles durmam, que ronronem, descansem, descasquem como feridas abertas. Mas que não tentem me fechar! Preciso abrir esse fecho e soltar o mijo. A larva sacerdotal sgrada do folk. A mística líquida e sóbria. Sóbria feito vinho e cantante feito égua com gás. Estou curada. Mijei, passou.


Agora é só panela com arroz e feijão, adeus sobremesas e enfeites de cabelo. Comi todos os lacinhos, despenteei todos os pêssegos e fiz chapinha nas laranjas. Agora chega de fruta, meu fresco, chega de sentidos adocicados, quero café preto com maracujá; pra continuar assim, solta das amarras do bagaço.

Vamos lá, quem não quer que vá brincar de roda ou se atire da gangorra. Quem tem medo de ser brega que mergulhe numa Vogue ou compre sapatilhas de ballet.

Não tenho mais paciência para os bons modos, os bons modos não tem alma, só calma.

Eu não acalmo, eu grito e suporte quem também não se suporta.

Adeus, amor, eu vou voltar de onde saí pra sempre estar longe do perto e perder de vitória.
Nada que sai de mim voltará. Jamais.


------------ Don't worry, man! I'm from the internet! ------------


[Histórias de detetives? Jornalismo cultural? Confortinho para indies? Jamais, jamais.]

Sonntag, November 04, 2007

Dirty is beautiful

Caminhando todo dia para um canto escuro, não te encontro, não te escuto, não te toco. Caminhando todo dia para longe de mim, cada dia mais perto da ilusão migrada para os confins da ditadura apaixonada. APAIXONADA, louca, vazia, cheia. LOTADA, lotada de aranhas enroscadas em parafusos e melindre de donzelas em contos de fadas. Amarrotada em minhas roupas mal-passadas do verão retrasado. Infeliz em meus sapatos chiques desperdiçados em privadas e privações. Marota. Foda-se. Morram. Morre tudo. Que morra tudo aqui dentro, vocês não sabem de nada, não sabem porra nenhuma, tô cagando pra vocês, morram. Continuem se apaixonando por garotinhas dirigindo automotivos na noite porto-alegrense. Conitnuem buscando esse conforto mofado e fedido, pois meu suor vale mais que 100 litros de gasolina. Sim, tô cagando. Te mata, te consome, me consome, me sufoca. Te fode, me fode, me come, me morre. Where's my mind. Não me importa. Te queria agora aqui. DE NOVO. Sim, de novo. Depois de tanto tempo estudando o amor patológico, não adianta. AMO,AMO, AMO. TE amo, te venero, tu me enlouquece, me pira, me desloca, me sufoca. Me mata, me... me..... meeeeeeeeee DEIXA!!! Por favor, me deixa! Como faz? Como faz? Como me livrar disso tudo que me mata aos pouco pois sim, eu deixo, eu te deixo me matar, eu te deixo me fazer ridícula, me fazer infantil, me fazer idiota, me fazer fugitiva. Sim, fugitiva, não passo de uma fugitiva charlatona e sem categoria. Sou o caos de todas as peles, todas as acnes, todos os narizes, todas as fodas. Sou o caos que não dá certo em nada nem em nunca. Sou o caos que me fere com ponta das facas afiadas nos teus dentes me mordendo, me cortando, esfacelando, não. Não dá mais. Não dá mais. Obrigada, querido baldinho de vômito.