Samstag, Juni 23, 2007

a cura da ardência do melado

Ana pensou quem sabe um dia tudo voltasse a ser como antes, mas não, ela não queria que fosse como antes, ela só queria que tudo voltasse a PULSAR como antes. Quem sabe um dia, pensava Ana, quem sabe um dia eu volte a sentir, mas não, se não for pra ser como antes não quero que seja de maneira alguma. Não faz sentido. Se não me sinto como o mundo, tenho que deixá-lo ir. Parar de se sentir como sempre, maybe someday come again. E se eu pudesse fazer de novo, pelo menos o mesmo sorriso da fotografia, eu seria um pouquinho feliz, e deixaria de pensar que a perspicácia é mais importante.

“Nothing i am
nothing i dream
nothing is new
nothing i think or believe in or say
nothing is true
(…)
but the last day of summer never felt so cold
the last day of summer never felt so old”

[the cure – the last day of summer]


E então naquele dia de nuvens azul-petróleo riscadas no céu cinza / azul / amarelo / rosa, socorro! As cores não paravam de mudar. E a água, e o TEU sorriso que eu tirei pra fora do meu quintal agora se perde em tudo que está errado. O teu frio me doendo na minha falta de vocabulário, teu amor me chamando abafado e distante, afogado, hibernando em uma galáxia de limões-bergamotas. E os teus passos, teu rosto baixo, teu olhar e tuas bochechas nervosas. Um. Dois. Cinco. Nove. Quarenta cigarros. Pra que tudo isso? É só um dia bucólico, é tudo culpa do céu e da tempestade. Nada de real pode acontecer, pois tudo que se pensa real é estranho e não é. Não, não quero filosofar barato. O que eu queria é quase tão pouco que não posso deixar de sentir o fracasso rindo de mim enquanto mijo atrás de uma placa de posto de gasolina.

Donnerstag, Juni 21, 2007

some of us never learn

Eu não tenho mais a esperança jovem no coração, agora só me resta um fígado do qual preciso cuidar com mais respeito. Não acredito mais na beleza da amizade ou na pureza de coração. Minha vida é um jogo de dominó pro qual eu não tenho a peça de seis bolinhas amarelas. Eu queria ser uma pintura minimalista com fundo branco e uma bolinha vermelha solitária no meio. Acho que sou uma pintura caótica com geometrias distorcidas. Eu preciso de calma mas só uso a chantagem para atingir meus ideais sempre obsessivos. Me chame de pérfida, eu gosto. Garotinhas apaixonadas gostam de descaso, eu acho um tédio; um túnel infinito de falta de BUSCA, e quem não busca acaba se perdendo em um abismo de concreto. Não quero que ninguém sofra mas quero que todo mundo se foda. Me deixem sozinha com o meu pessimismo.

If you don’t love me let me go.

Não estou pedindo pra ninguém me amar. Não quero idealizações do meu caráter ou da minha brilhante personalidade, as pessoas nunca agem de acordo com suas melhores qualidades e isso deveria ser a única afirmação óbvia. Decepção é mania de cobrança. Eu não posso dar o que eles querem e ó, céus, eles são tão preciosos que preciso cuidar pra não queimar o filme.

Me poupem das suas decepções.

Eu quero um amor que já venha decepcionado.

the face that launched 1000 shits.mp3

O pedante é aquele que alardeia conhecimentos ou qualidades superiores aos que possui. O pedante é pretensioso e pernóstico; o pedantismo é uma pretensão ridícula. Mas pior que o pedantismo só mesmo o pedantismo verdinho, aquele que ainda pende na árvore balançando inseguro e gratuito. O pedantismo verde me enoja contrariando todas as expectativas, pois o que é verde ainda não é maduro e, portanto, está mais longe de apodrecer.

[A podridão é uma designação genérica de várias moléstias causadas por fungos e bactérias que atacam diferentes plantas]

O ataque é uma agressão, o acesso súbito de um mal; pode ser uma investida silenciosa e serena ou uma ação violenta e visivelmente destrutiva, contanto que seja uma investida contra forças inimigas. O ataque é o contrário do desprezo, sentimento pelo qual nos colocamos acima do temor e da cobiça, sentimento que destrói qualquer possibilidade de força inimiga ou mesmo de admiração. O pedantismo, o desprezo e o ataque são ilustres comparsas de mentes doentias em formação.

O pedante despreza e ataca, mas no fundo é um inseguro, um ser incapaz de enxergar o valor alheio e que por isso não conhece a si mesmo, se julga através dos outros e das qualidades que estes o atribuem, apesar de se considerar superior a eles. O pedante é um insensato. Aquele que ataca é considerado um ser nutrido de coragem, força ou energia moral diante de situações aflitivas ou difíceis. Intrepidez, ousadia, bravura; tudo isso me interessa. Mas a coragem leva ao ataque, e para atacar são necessários inimigos. Ou apenas um. E lutar contra um inimigo não é corajoso, é clichê e enfadonho. Só nos resta então o desprezo,uma escolha covarde por si só, pois consiste essencialmente em desconsiderar o que não nos agrada e “agradável”, como diriam os professores de literatura, é um termo um tanto complicado e arbitrário.

Só nos resta então a vontade, faculdade de livremente praticar ou deixar de praticar certo atos, que pode ser tanto uma determinação e uma firmeza moral quanto uma veleidade ou um capricho, mas isso vai depender do estágio de amadurecimento do fruto do qual ela nasce. Como todo o resto, no fim das contas.


[Same mistakes made over and over. No, some of us never learn.]

calma, gilda.

[for your love]

Só quero tua pele e o amor escorrendo pelas minhas pernas enquanto fumo um cigarro sozinha na cozinha escura. Teu blusão colorido e teus cabelos macios entre meus dedos.

[but i’m nobody's woman]

É completamente sóbrio e assustador, tudo me perturba; as vozes, os rostos, os sorrisos. Eu não consigo mais. Estou doente. Não sei explicar. Não posso mais justificar a minha loucura, não posso mais olhar para a tela do computador enquanto escrevo.

[XXXXX]

Eu te amo e me doem as saudades de menos de 12 horas.

I’m afucking luv freak;

não consigo ser feliz e responsável ao mesmo tempo, não consigo ter dinheiro e norte ao mesmo tempo; não sei ser simultânea. Me perdoe, pois você vai se decepcionar. E eu vou sofrer. E sofro agora pois vou sofrer depois. Pois eu sei, que não consigo amar a mim mesma e a outra pessoa ao mesmo tempo.

Sou uma pseudo apaixonada adorável e indefesa. Perdida. Eu só quero a rua, a calçada,o litro de vinho. Eu quero a sujeira. O caos. A menstruação. O olho do gordo. A perna da magra. A idade do livro. O clichê revigorado. A margem borrada. O assunto esquecido. Eu quero asfalto. Pedestre. Nudez. Acidente. Quero flor murcha, cemitério abandonado. Eu quero sangue. Dor. Aprendizado. Empirismo. Eu quero uma cama e a tua pele também; mas tão pouco, tão pouco, que esse amor me sufoca.

Freitag, Juni 15, 2007

lacuna de inox

Para Vana, que tem um death note.

Não sei bem como tudo começou, mas a única certeza é que quando tudo está perdido, pouco importa. Digressões, desatinos, alcoolismo; interligar a vida com os sentimentos talvez seja o tudo que me falta. A falta é um sentimento, o mais doloroso de todos, mais do que a saudade ou o amor não correspondido, a falta é tudo isso, é a reunião de todos os males do espírito, e espírito é uma palavra brega. Eu sou brega. Eu e minhas emoções, eu e minha panela. Talvez tenha sido aí que tudo começou, quando fui comprar a panela, não, antes de comprar a panela, quando eu a vi na vitrine, de aço inox reluzente, uma luz de prata, redonda, perfeita em sua forma de devoradora. Um buraco no meio, ela toda buraco. No céu uma tempestade, a luz negra de dentro da alma e o bafo cinza de uma cidade grande aguardando a chuva. A vitrine. A panela. Eu. Três mundos unidos por uma tempestade de água e calor interno. Meu peito aberto abraçou o buraco da panela, e éramos então agora dois buracos. Atravessei a rua, pois não é de faltas que se faz uma presença. E então pensei no desejo, e em como ele é o único que pode nos curar de uma falta mesmo quando sabemos que sua satisfação não o fará com o buraco. Foi aí que voltei pro lado da calçada onde repousava estática e concreta a vitrine. E olhei de novo a panela. É só uma panela, mas como eu queria. Entrei na loja e pedi a panela da vitrine, nem perguntei o preço. O mundo não reconhece os bons corações, e é por isso que existem as vitrines. Pedi pra embrulhar pra presente. O atendente era bonito e eu estou sedenta por um grande amor. Ele sorri. E me entrega a panela. Bem assim, aos pedaços. Com pontos. Com atitudes fragmentadas. Obrigada. De nada. Tenha uma boa tarde. Saí da loja com minha sacola de plástico devorando a panela, o Maurício não gosta de sacolas de plástico, pensei. Mas o Maurício não gosta de mesas de plástico também. Talvez ele não goste de mim, pois também sou um poço de amontoados descartáveis. Mas eu o divirto, é bom divertir os amigos, mas como não funciona comigo? Nada me diverte. Os pingos começaram a cair. E a cair. E cada vez mais forte. Na minha sacola de plástico. A panela está protegida, pelo plástico da sacola, pelo papel xadrez do embrulho. O xadrez é a minha alma cruzada, na minha saia de lã, também, ele está lá. E olho pra ele enquanto caminho na rua; e ando mais e mais rápido para fugir dos pingos, os pingos que agora quase atravessam a sacola de plástico e molham o xadrez do embrulho. Os pingos no meu rosto. E percebo que tudo é de dentro e de fora. Os pingos no fundo dos meus olhos. E então eu me ajoelho no asfalto molhado. Os pingos de dentro de fora. Forte. Espesso. Doído. Rasgo a sacola, o embrulho. Ergo minha panela com o buraco para cima, e deixo a chuva cair. Dentro. Fora. Estou louca. As pessoas me olham, e eu penso que sou a menor fração de qualquer tipo de representatividade em suas vidas. E não sofro. Eu as encaro, e ofereço a minha panela. Venham. Pinguem comigo. Ajoelhem-se. Mas não rezem. Penso no atendente da loja de panelas, e minha sede de amor bebe toda água que agora transborda da panela. Bebo a mim mesma, bebo a minha alma, o meu sono, o meu porre. Bebo o meu amor, mas a chuva passou.




Montag, Mai 28, 2007

amputations

Dislexia o caralho. Eu não tenho pensamentos fora do lugar, eu tenho VOCÊ fora do lugar. Isso dói, porra. Some de mim. Me deixa vazia de álcool ou me dá um tempo pra ser irremediável. Escolhe. Me dá uma dose e nunca mais me telefona. Decide e desiste. Fucking mulherzinha. Os palavrões não vão te livrar de ser uma fucking mulherzinha. O trabalho não vai te salvar e eu sei que eles riem de ti na hora do intervalo enquanto tomam seus capuccinos de 8 reais. E eu sei que não há amizade onde se compra.
Um capuccino atrapalha muita gente.
(...) Era uma vez uma estrada muito longa, um Fiat Uno e um CD do Death Cab for Cutie. Era uma vez o meu sonho; andar ouvindo e ouvir vendo, olhando para um mundo emoldurado e ficcional, momentâneo; pequenas melodias de corações cansados. Trilha socorra. Aquele que caminha aos poucos fatiga mais do que o outro que corre brusco e fatal, mas a fatalidade é para os fracos, os corações moles e faceiros; não importa quantos anos tenha ou o tamanho da obsessão, o coração cansado sempre sabe. Saber que se sabe, eis o que devemos evitar.

Montag, Mai 21, 2007

the smiths is dead


“All about that Personality Crisis
you got it while it was hot
But now frustration and heartache
is what you got
(That's why they talk about Personality)”
(New York Dolls)



A palha natural é um produto essencialmente ecológico e of montreal por vezes se parece muito com beatles. A ecologia não faz nenhum sentido e meu gosto musical também não. Mas vamos nos soltar, querida egotrip. Nada pode dar errado, entende? Nada no mundo pode dar errado se pensarmos pela ótica da palha natural, essa é a regra; número 1. as pessoas são palha até que se prove o contrário ou não o são até que se faça o mesmo. 2. o fogo de palha é inerente. 3. essa situação é degradante, sempre.


-

Me sinto muito sozinha e isso é bom. Emilie achava que era diferente das outras, ela gostava de se trancar no quarto e tocar violão, ela se achava deveras especial por isso. Um dia o violão resolveu conversar com Emilie, e ele disse que se sentia sozinho.

I WANNA FUCKING TEAR U APART.


Eu sou um fragmento and so are you. O mundo é feito de partes e a solidão de partidos.


Ei, eu estou falando com você. Can you hear me? Can you fucking hear me? A solidão não consiste em fechar os poros para os outros, a verdadeira solidão é compartilhada com a alma do universo, a verdadeira solidão é solidária e pura, é descontente mas passeia no corredor de chocolates do Zaffari e se sente confortada. A verdadeira solidão não é proclamável, a verdadeira solidão só pode ser sentida e jamais exteriorizada, ela é o todo, e não a parte. Apenas as partes podem ser compartilhadas, e as partes não dizem nada sozinhas. As partes são fakes. As partes são chocolates da Arcor.

-

Tudo que é falso é fragmentado. O fragmento é uma desorganização da alma ou uma dor de desalmados. Eu queria tanto ser inteira e queria tanto que as pessoas também fossem, mas não é assim que funciona. Alguém poderia falar de Baudrillard e dos novos tempos, mas isso não me afagaria. A única coisa inteira, macia e confortante, é o cobertor de lã. O cobertor e o abraço são os melhores amigos da solidão, a proteção é falsa mas a cobertura é verdadeira. Verdade não é um conceito aplicável. Eu gosto de verdades pois elas não existem; as verdades são completas, como só uma ilusão pode ser.
Some girls are bigger than others?

Montag, Mai 14, 2007

Sonntag, Mai 13, 2007

the milk-brake is hot

- Chega, chega. Pára. Só fala quando tiver certeza.
- Mas eu nunca vou falar então, por que quando se tem certeza acabou o mistério e, acabando o mistério, acaba a esperança, a “esperança da revelação” [pausa] acaba tudo. É foda.
- Não. Mas não, não dá pra falar quando se está mal, não surte efeito, é mediocridade do humor. Sá fala quando tiver certeza, quando dominar o jogo da superfície, ou, como eu poderia explicar, a parte aparente das coisas; é preciso dominá-la. É preciso dominar o impulso de sair cantando por aí e achar lindo, por exemplo.
[copo de leite]
- Mas eu só consigo falar quando estou mal, quando estou bem é como uma praia nublada, cinza de tédio. Eu digo, ficar bem me deixa entediada, sabe? Uma vez ouvi um lance em um filme que falava sobre isso, sobre ser viciado em emoções. E, de certa forma, as emoções estão sempre ligadas à parte negativa das nossas realidades. As emoções são paranóicas! Eu acho. Mas é necessário. Sensacional, eu acho.
[folhas queimando]
- Não curto essa pilha de que o caos constrói. Muito fora de moda. Na Alemanha ninguém mais fala em Freud ou exitencialismo.
- É. Enfim... O bom de falar é que a gente não se compromete com o sentido do que se fala e sim com o andamento do diálogo; o ritmo, o encadeamento das idéias, a perspicácia do nosso instinto interlocutor; e isso tudo é por demais paranóico. A felicidade me deixa louco, na real.
- Sim, os problemas estão sempre ali, não vão desaparecer por que tu tá feliz, e tu sabe disso.
- Mais ou menos.
- É, naquelas.

[mil shake quentinho no capricho]



*A vida, na maioria das vidas, é uma mola maluca bobinha fantasiada de elefante e se achando demais com seus sapatos de bailarina vermelhos.* I’m a writer, don’t you see?*

I can see clearly now. Mais ou menos como você vê os seus cabelos.

Um pedantismo é sempre uma sinceridade com o ego? A ironia é mais elegante do que o sarcasmo? Você gosta de perguntas relevantes?

If you left me you you will see...............................................DU BIST forever.

Mittwoch, Mai 09, 2007

pós-ceva na vila

Lamento informar que estou, do fundo de meus olhos cansados, envolvida. Lamento que isso não possa ser determinado como constante ou sólido. Mas a maciez é o valor intermediário de todas as relações; a maciez é tudo de mais sutil e profundo, é como as coisas deveriam ser, todas elas; macias. As relações de amor deveriam ser macias, os empregos também, para que o amor mais de dentro pudesse voar até a floresta mais de fora em cima de um tapete. Sim, como me irrito com essas metáforas, gostaria de falar sinceramente com vocês mas, sabe como é, um blog e tal, ficamos tímidos. Criamos imagens. Apagamos sentimentos verdadeiros com conceitos de validade vocabulária. Mas o que eu sinto, se é que ainda consigo dizer, é que eu gostaria muito de continuar escrevendo aqui, escrevendo mais e melhor, só que percebo que estou decaindo, e não posso mais suportar o fracasso, por mais que ele endureça. Preciso acreditar que a vida é macia. Agora escrevo simplesmente por querer que as horas passem e eu tenha de novo em minha pele o toque de lençol lavado contido em algumas pessoas. Estou aqui por não querer estar. Estou aqui em busca de algum tipo de reconhecimento. Sei que estou. Me vejam, me leiam, me desejem. Fiquem aqui comigo. Se eu contar toda minha vida vocês ficam? É mais ou menos por aí. Mas não vou contar. É tudo meu, só meu, e é macio. Macio como cabelo de criança e casaco de veludo. Mas eu juro que queria continuar aqui, dando a cara pra bater protegida pelo escudo pós-moderno de plasma. Mesmo sem contar nada sempre há o que se falar. Mesmo sem beber nada sempre há o que amar. Será?
Existem coisas que só podem ser expressas pela literatura, e são delas que o autor deve se ocupar. Não seriam, essas coisas, o inexprimível? O verdadeiro escritor deve ter calma e paciência para desvendar os mais obscuros sentimentos e revelá-los às palavras. Eu não tenho calma e paciência. Não acredito no mexe-mexe sensual das palavras e sim no mex-mexe caótico do coração. Os obstáculos sempre me chamam, me convidam a fazer parte deles e eu aceito. A literarura pobre e fragmentada talvez venha mais daí do que de outras substâncias. O caos que se organiza pelo caos é a pressa e a pressa é o maior obstáculo do artista. Por favor, me tirem daqui, me dêem um copo de água e me digam que ainda vou evoluir, quem sabe pagando o preço de uma universidade particular para aprender o uso correto dos adjetivos e das imagens criadas pelas frases com um autor menor latino-americano. Eu sempre me engano, mas a desorganização só pode estar certa, não existe outra alternativa. Não é uma questão de fazer as coisas certas e sim de evitar as erradas; fugir do erro é o certo e o erro é uma abstração, logo, fugir das abstrações é o rumo certo, sendo o certo também uma abstração, chegamos a lugar nenhum, só para não perder o costume. As lamentações também não tem um final, e isso é totalmente atribuído a minha incapacidade literária. E eu amo vocês, por mais bizarro que isso possa parecer, mas é como aquele livro do Neil Gaiman; dedicado a alguém que ainda não nasceu mas que o autor sabe que sempre esteve lá, ou ali. Aqui, jamais.

Montag, Mai 07, 2007

pelos poderes do oriente médio

[ninguém dá um ovo]

Um ovo é o símbolo da criação, logo, a síndrome de incompetência para a criação pode ser representada pelo ventre de um mamífero qualquer. Os mamíferos são volúveis, dependentes, mas, é claro, não por serem mamíferos ou algo do tipo. Logicamente eu sou um mamífero e quero falar de mim atribuindo a culpa a um termo mais generalizado. Como tudo flui quando conseguimos atingir a sinceridade. Como algumas pessoas escrevem estrelas de 9 pontas e outras bolotas com círculos fechados. Como algumas mentes são mais rápidas que o teclado e alguns teclados mais chinelos que outros.

A noite é um presente na mão de tecladistas, a retórica é de domínio público e as praças, particulares. Eu estou sempre em busca de um lugar nos corredores, os corredores servem como meios e, o lugares, como passagens que levam a passagens que levam a Caio Fernando Abreu ou Guimarães Rosa, nunca se sabe. Tornei-me parte dessa pedra de isopor incrustada de chicletes e garotas tomando coca-cola na esquina. Sorver é sexy, comer é escroto, mas não quando se tem cabelos lisos e esvoaçantes. Mas teus cabelos esvoaçantes não voam nem me tirariam do lugar do qual não consigo escapar.

[e o que fazer, céus! Chãos! Colchões!]

Uma voz invade minha pele e arrepia as nuances capilares pescoçais. O que é isso então? Que me tira as mãos do colchão e os pés da televisão? Por quê? Um docinho de tamanduá com decotes de formiga. Não, tá bom, vou parar de ser tão metafórica e desvelar minha alma. Tá. Eu vou dizer.
No Pampa Safári.

[Dear Wendy,]
Me espere no Pampa Safári. Eu levo os livros verdes e tu leva os teus cabelos de algodão.


[Eu lembro sempre de alguma coisa
quando penso
no passado
em falar do presente.

Eu não volto
não vou e não consigo;

eu dou três ovos.]

O amor é um prato de sopa esfriando.




Sonntag, April 22, 2007

spirit desire & sad monkeys

Pegue minha mão e meu coração e me leve para suas lágrimas. Coma meu lábio cortado pela latinha de Fanta Light. Tire minhas vestes simples e me diga que sou a única em algum lugar vizinho às minhas razões. Perturbações de ordem circular estão descartadas, o efeito colateral é popularmente conhecido como sentimento de inferioridade. A razão do espetáculo é o riso, e o riso é a afetação da obsessão humana por suas próprias falhas.

[as dúvidas sempre divergem sobre ir ou ficar]

.

Um disse para o outro que no momento que esse colocasse seu poema na janela do ônibus, o poema já não seria dele; mas um poema já não é seu quando você o escreve. Esse café já não é seu no momento em que você começa a colocar o líquido para dentro; o dentro-lugar não é individual, nem pode possuir. os macacos que sorriem nos meus tênis estão tristes. A primeira pessoa não é confesssional. A segunda pessoa não é o outro e a distância da terceira é uma ilusão; adultérios são tão comuns quanto chamadas de telefone móvel não atendidas; e a mobilidade é a única constância da fragmentação; mas fragmentação do que? Confrontar respostas não dói tanto quanto não compartilhá-las e a obsessão é tão particular quanto os finais.


[se ali acaba, aqui começa; e sempre foi assim. Um adeus é como a sorte de um mochileiro nos países do primeiro mundo; o primeiro é aquele que está à minha frente e, portanto, atrás de mim.]


Todos os sentidos são bíblicos and you're my spirit desire.

{Dear Prudence, won't you come out to play?}

celluloid heroes

Angola-Coca-Cola. O que remete a vocês esse poema? O que remete a vocês a ocorrência da imitação biográfica de pessoas imaginárias/ Angola Coca-Cola. Angola-Coca Cola. Eu cho-cha.
+
Não te vá; não me sinto a vontade entre estas paredes de nylon e jeans - me olham com suas (páro) sombras; vultos, calçadas padronizadas - e é poluído quando me sinto assim fugindo/parando como uma personagem de desenho animado idiota. Minha letra agora dança a marchinha secreta da confissão de pedra. As rimas, assim como as semelhanças, são estáticas, e portanto nos proporcionam essa sensação de tédio experimentada em filmes sobre como os portugueses difundiram seu idioma em escala mundial; ou a certeza de ser tão prolixo que fútil; tão desprezado que incluído em cubos de cimento pasteurizados.
-
[Todas as notícias da noite, elas falam sobre as histórias de amigos distantes, como nos épicos.]
=
Você se apaixonou por um leite morno? Afogamento doce e quentinho não mata?
+
Se você tem alguém (páro) você está tão enganado quanto uma pessoa que sofre, por exemplo, em virtude da ditadura da moda. Coca-Cola. Angola. [let's do together!]
-
E não que é sempre im-mer FO-RE-VER-FOR-E-VER?
=
E então, com a sorte de um garoto de 12 anos que se enamora da menina da kombi, você ESQUECE; e (ou) você não quer acabar com ponto e vírgula e ser acusado por usar termos como "pós-moderno" ou defender outros como "literaturwissenschaft", achando que em países europeus, a mudança dos trajes significa ruptura de pensamento. Ou quem sabe, com o azar de uma senhora entediada que frequenta a uni por esporte e se apaixona pelo professor substituto de 25 anos, você LEMBRA; lembra do quanto foi otário durante toda a sua vida e agora come a tripa do porquinho da Disney.

Montag, April 16, 2007

o tesouro dos empregados

Ele quis dominá-la, o que lhe custou muito caro. Tenho certeza de que nenhuma mulher tornará a defender-se assim.

Vendo que ele não desistiria, a donzela ergueu-se em um salto. “Não deveis amassar assim minha camisa branca!”, exclamou a bela jovem. “Vosso comportamento é vulgar, por isso pagareis claro! Hei de mostrar-vos!” Ela prendeu o corajoso guerreiro em seus braços e tentou amarrá-lo como tinha feito com o rei, para que finalmente tivesse conforto em seu leito; a mulher vingava-se terrivelmente dele por ter amassado sua camisa. De que servia a Siegfried sua grande força? Ela mostrou ao cavaleiro que seu poder era maior, carregando-o vigorosamente e prensando-o entre a parede e uma arca.

(Anônimo. “O Canto dos Nibelungos”. Editora Martins Fontes, 1993, página 106.)



Da janela o homem percebe que cavalos correm com a elegância de uma ginasta na televisão. O campo está agora amarelo como nos filmes mudos; criar falsidades é tão bobo quanto necessário. “Não deixes que o diálogo te corrompa” disse a mulher ao homem, “É a falta dele que me corrompe”, explicou o homem esmagando o nariz contra o vidro empoeirado da janela, “meu nariz só dói quando está em repouso”, continuou o homem, “eu sou o meu nariz. Só há nariz em minha vida, esse corpo mole com buracos isolados. Este sou eu. Não vejo, não escuto, não toco, não falo; apenas sinto”

.

A mulher está deitada e em pé; a posição vertical não indica um estado de equilíbrio; por dentro dos pensamentos esfarelados a mulher cai. Ao invés de levantá-la o homem senta-se e acende um cigarro. Observa os trajes cor de vinho da companheira de escritório Porcos & Co. e deseja ter uma doença contagiosa. A mulher está caída, o homem levanta e vai até o micro computador aéreo; [o homem não voa, mas também não cai. A mulher não sabe o que faz, enquanto embala a culpa em um berço ornamentado de laços dourados.]
O homem não tem laços mas gosta de cabelos dourados. Os cabelos da mulher são cor de vinho; o homem não gosta de excentricidades e, no entanto, ali está ele trabalhando com árdua dedicação na fábrica clandestina de xampu de rosas. A junção do elemento mulher caída/homem observando gera um conflito de banalidades. Assim como as banalidades, este texto não tem um final; as banalidades são como um esquema líquido, um afogamento eterno em uma piscina de mil litros.

Freitag, April 13, 2007

all the reasons are gay

[os adolescentes gritando dentro do ônibus lembram os espinhos cravados como que por mãos de pianista, um dia, em sua pele hoje enrugada pelos feitos nada ilustres de 3 ou 5 anos atrás. uma, duas, três noites em silêncio são suficientes para que se cobice os brilhos amarelos e azuis de uma noite estragada e má]
No peito direito guardo minha salvação de sonhos verdes fragmentados em doses alva-doces homeopáticas; mas agora ela está inteira ali, fabricada/pronta/misturada em minha pele, perto do coração, longe das unhas encravadas da vida.
[em pé no ônibus e sem fones de ouvido penso em momentos debruçados na janela, em frente ao muro de concreto e longe da bola amarela mística; a lua é um catarro feito de massinhas de modelar]
A diversão é tão aleatória como uma bola de basquete em uma cabine telefônica; o mágico é tão divertido quanto um telefone. Um telefone, tão chato quanto um beijo de tia velha.

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A paz de espírito é um sentimento raro considerando pontos de vista que afirmam

nada. O nada é a tranqüilidade dos poetas despejados no jardim da moda; do sarcasmo em brilho falso. Sóbrios e negros barris invejam a sorte de uma vida sem tampas.

Mittwoch, April 11, 2007

carta ao ursinho perdido

Esta vida é imbecil e não há nada o que se possa fazer a respeito. Nasce-se em uma família doente, morre-se a cada evento social com vaias pedantes. Os decepcionáveis, incríveis; os incríveis, tão fúteis, tão mascarados, tão estilo ao ar livre corrompido. Detestáveis. Imundos em sua limpeza. Descreditados em sua criatividade. Nulos, sem sentimento, valor e constância. A constância não é importante, mas dignifica. Poesia é bom, mau é o indianismo. O indianismo pop, doentio, sedento de afetações criança-frustrada. Dizer que já não se sabe se quer ser entendido é pouco e cansativo; a metalinguagem em geral. Faroestes e sangue; me atraem. Era só isso que eu queria dizer. Foda-se. Os excluídos, por favor se compadeçam da minha exposição imbecil. Imbecil, imbecil, imbecil. O batido que bate. Forte. Não há público, não há amigos, não há banda. Encerrem-se. Morram. Tudo fica claro no escuro caminho de volta. A rua e suas árvores anoitecidas de sangue verde, o chão e suas pedras de lustre velho. Eu não enxergo, eu não enxergo. Socorro! Todos os meninos são tecnológicos. Mas o modernismo tardio não cola, querida. Vamos falar do Deus que não estava lá e do homem que esperou demais. Os dois se foram, corrompidos pela falta de reconhecimento e amor desinteressado; mesmo o amor de devolução me interessa, fodam-se; guardem seus 10 reais e esqueçam que eu existo; mas esqueçam mesmo, por que pra isso não há esforço requerido.



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A garota foi à festa, nenhum menino a notou. Ela chegou em casa e comeu um sanduíche com um copo de Nescau. Desgustante.

Samstag, April 07, 2007

carta ao batom

Querida Sputnika,
Não foi exatamente isso que eu quis dizer, é apenas que um dos meninos se preocupa em excesso com as aparências enquanto o segundo almeja transparências (risos) tenho lido muito isso que chamam poesia. Aprendi que no Brasil ninguém sabe escrever, sempre aquelas narrativas calcadas no desbunde ou na escassez da terra. Mogwai é uma banda que me dói. Bukowski me dói, sabe? O escracho é sedutor mas a timidez é tão misteriosa. Então, o que eu quis dizer sobre os garotos que conheci no último mês aqui na Alemanha é que um deles é por demais extrovertido; extremamente preocupado em agradar aqueles com quem convive, enquanto o outro, se pudesse, apenas se faria presente nos momentos de necessidade (como situações de doença que exigem visitas periódicas aos hospitais de atendimento público sem bancos confortáveis para uma leitura de consciência tranqüila, você me entende, Sputnika?). Puxa, será que você pode entender o quanto é, reconfortante ler uma besteira qualquer ou um cânone pegadão sem nenhuma pretensão além de relaxar a retina das imagens multicoloridas dos outdoors e revistas de fofoca em prateleiras de mercadinhos chinelões? Mas eu apenas queria, dizer, minha amiga, que Mogwai já não me dói mais. Que talvez eu prefira Of Montreal. Que quem sabe o egocentrismo está em todos nóis, mas, eu apenas quis dizer, nas outras cartas, que as pessoas que não tem amigos, como o segundo menino, precisam produzir alguma coisa; um filme, um livro, uma música. Ou se tem amigos ou se é artista. Ou se tem amigos ou se tem público. Não há como escapar da necessidade de elo humano. Assim como não há como escapar daqueles sentimentos de ligação inexplicáveis como uma equação de física no quadro negro de um jardim de infância e intocáveis como um jardim de infância em período de recreio. Amigos de recreio já revelam se serão extrovertidos ou introvertidos, no seu sentido mais chulo.


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De qualquer forma, o garoto extrovertido se apaixonou por uma modelo. O introvertido, continua, talvez, esperando o momento certo. Ou quem sabe ele tenha entrado para a faculdade de Letras de sua cidade e agora possa ser visto nos bancos sujos de concreto com um violão e um ar de intelectual valorizado de modo a compensar os anos de humilhações infantis/escolares sucessivas. Enfim, fodam-se os garotos, eu acho. Nina Hagen já dizia: “menininhas é que são sádicas sexuais”; pequenas e singelas “mães da escória”. Todas. Mães dos que se protegem e dos que se entregam; mães dos ovos de páscoa e dos que assinam “jesus te ama”. Mas o que eu queria te contar, Sputnika, era que, als kinder, eu tive uma visão. Na verdade, duas. Primeiro, um homem de azul no mato; depois, um homem de gravata, na sala escura, apenas da cintura para cima, como um apresentador do Jornal Nacional, só que flutuando. Não sei se você vai conseguir perceber a sutileza, mas, talvez, isso seja uma referência ao choque cultural entre o modo de vida rústico e a urbanização. Agora vou fumar um cigarro. Por favor, reflita. Beijos. Sua Germanjapa.

Sonntag, April 01, 2007

black mirror

- Crazyyyynesssss : Fullllllllllllllllllllll -

[Não me importo que eles me julguem incapaz, incapaz é uma palavra corriqueira e vulgar; só me importo quando escuto ela enrolar os cabelos em movimentos circulares repetidos entre o polegar e o indicativo; quero mais é que façam-se os nós, e que eles nos desfaçam.

o olho
mas
colho
o repolho

estragado no fundo do guarda-legumes vermelho com um trançado de buracos estratégico para permitir a respiração. A mesma respiração que suga o sangue de dentro do pulmão em momentos de música sensual. Eu sei que você me entende. Não me importo que eles me julguem qualquer coisa que seja, tenho certeza que um dia o príncipe do cavalo de branco vem me buscar e seremos felizes para sempre ao estilo Shrek. Embora eu preferisse o cavalo de fogo e a menina dos cabelos longos que já não lembro o nome. Os nomes próprios surgem e escapam como os momentos de relaxamento profundo.]


Lembro quando no colégio de freiras nos levavam para a capela, durante o período destinado aos ensinamentos religiosos; lembro do carpete verde e das almofadas, muitas almofadas. A professora ordenava que nos acomodássemos em uma posição confortável e, de preferência, que permanecêssemos deitados. Normalmente cada um usava uma almofada, mas o Leopoldo Neves sempre conservava ao seu lado uma segunda. Um dia ele escondeu meu estojo de lápis embaixo da sua segunda almofada. Eu fiquei feliz. Eu gostava dele, muitíssimo. Eu fechei os olhos. Então a professora ordenou que imaginássemos um lugar muito bonito, com árvores e arco-íris. Que imaginássemos que usávamos uma vestimenta branca. E tudo era muito fácil de imaginar, com Leopoldo Neves ao meu lado, escondendo meu estojo. Os nomes próprios sempre me pularam na cabeça, eles e suas curvas sinuosas que levam aos caminhos do passado. O passado é um termo recorrente e interessante por sua característica de refirir-se tanto a um acontecimento ocorrido quanto, coloquialmente, a um objeto fora de moda, velho e que não dá mais conta do recado. Eu escrevia recados, nessa época do colégio de freiras, sentada no fundo da sala de aula, sobre minha vista privilegiada para a nuca invadida de cabelos louros sedosos de Leopoldo Neves. Eu escrevia recados PARA o Leopoldo Neves, sobre os seus cabelos louros e sedosos. Mas na infância as pessoas (por costume) se importam com as opiniões das outras pessoas. Fala-se muito sobre a infância ser uma invenção. Filmes, livros, músicas, essas coisas.

[Fazem com que as pessoas deixem de se importar com os julgamentos alheios, fazem com que as pessoas abram o coração para as diversidades e suas faltas de respostas. Fazem com que as pessoas sintam saudades de seus Leopoldos.]

Eu não entregava meus recados ao Leopoldo, ao invés disso, guardava-os em um caderno que havia roubado de cima da mesa da professora certo dia quando ela os deixou, os cadernos, em cima de seu móvel escrituário, para que cada um recolhesse o seu, ao término do período de aula. Leopoldo, como sempre, saiu apressado, correndo pela escada enquanto seus cabelos louros e sedosos sacudiam ao vento de sua velocidade pueril. Eu fui a última a sair e, tal qual foi a minha surpresa, em cima da mesa de minha professora repousava esquecido o caderno de música de Leopoldo Neves. TAL QUAL foi também a minha adrenalida, guardando o caderno a golpes de tempestade dentro da mochila verde com motivos de letrinhas. Após o ônibus de volta e o almoço na casa de meus avós, o retirei de lá a portas fechadas em meu quarto de colcha e cortinas rosas. Depois de o beijar como uma mãe ao seus filho recém-nascido, o posicionei com a delicadeza de uma bailarina embaixo do travesseiro e me deitei sobre o travesseiro com um chocolate Laka em punhos. I’ll do my cying in the rain. Dormi sonhando que sonharia com Leopoldo Neves.

[I'll never let you seeThe way my broken heart is hurting meI've got my pride and I know how to hideAll my sorrow and painI'll do my crying in the rainIf I wait for stormy skiesYou won't know the rain from the tears in my eyesYou'll never know that I still love you soThough the heartaches remainI'll do my crying in the rainRaindrops falling from heavenCould never take away my miseryBut since we're not togetherI'll wait for stormy weatherTo hide these tears I hope you'll never see Someday when my crying's doneI'm gonna wear a smile and walk in the sunI may be a foolBut till then, darling, you'll never see me complainI'll do my craing in the rain ] *



Acordei 20 anos mais velha, depois de um coma causado por um fugaz ataque de epilepsia. Sabe-se de muitos casos nos quais os epiléticos demonstram sintomas de um tipo peculiar da doença, a “epilepsia do sono”. A epilepsia do sono tem origem psicológica como as alergias e ataca apenas quando o paciente encontra-se em profundo repouso. Só sobrevivem à ela sem seqüelas aqueles que estão em permanente estado de alerta, mesmo quando estão supostamente em situação de visível relaxamento. Nesse momento dito este texto ao meu melhor amigo, agora com 10 anos; para que ele conheça a sensação de morte antes que seja tarde e assustador demais. As pessoas podem perder os olhos, que não passam de órgãos internos como corações de galinha. Meu melhor amigo um dia perguntou quantos corações tinham uma galinha, e eu disse que a pergunta era “quantas galinhas cabem em um coração”. As pessoas podem perder os olhos, mas não perdem jamais a imbecilidade sentimental-estética da alma.

* banda A-Ha

Mittwoch, März 28, 2007

Um Bolsinho Acolhedor em Tempos de Hits

Então é tempo de consentir, mas você não é o tipo de pessoa que diria o que eu devo fazer. E então eu preciso inventar um novo tempo que começa após o horário do expediente. Então eu escolho primeiro uma música em língua estrangeira medonha que desafia todos os meus esforços cognitivos e fico divagando sobre os estudos que consideram o posicionamento da habilidade lingüística em partes específicas do cérebro. Pode ser que depois eu troque para algo mais picante dentro do meu peculiar estilo que admira todas as músicas que contenham “love” no refrão. “Então você gosta mesmo de muitas músicas”, ele diria bebendo um gole de cerveja com um olhar de pálpebras semi-cerradas e bochechinha esquerda levemente empurrada para cima com o auxílio dos lábios que se movem em semi-sorriso-para o lado. Sempre pensei que todo o movimento implicasse uma direção, mesmo que indefinida. Aí um dia ele chegou em sua posição totalmente definida e disse que não; o que é equivalente a defender a premissa de que perguntas são mais produtivas que respostas e, por pressuposto, questionar qualquer tipo de conceito - como o de literatura, por exemplo - é mais válido que achar respostas. E sempre que me falam de respostas penso instantaneamente em direções. O meu olhar no dele, por exemplo, no fundo da lua borrada em um céu atrás de grades e cortinas. Ele é um homem que descortina sem despir, e comove sem sorrisos. Toda a comoção, por sinal, é séria demais para os sorrisos e os contentamentos banais. Todo contentamento, por si só, é tão banal quanto consentir sem vontade. Ele é um homem para se sonhar em pé na janela com o rosto e os pensamentos ao vento. Ele é anti-herói em combate e eu o amo em todos os seus cigarros de filtro amarelo que me fazem querer ser um bolsinho de camisa listrada. Eu o amo. E isso, isso não é nada, isso só prova que você sempre esteve errado desde o começo.
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[Trilha sonora: "Age of Consent", New Order; "Float On", Modest Mouse; "Taste of Cindy", Jesus and Mary Chain.]

Dienstag, März 27, 2007

float on

Então ele veio andando com sua barriga, sua careca e sua camisa listrada, e foi como se você tivesse de novo 5 anos e vestisse o melhor vestido do armário para ir ao jardim de infância.
[A infância é uma invenção cruel que culmina no planejamento bem sucedido de uma máquina de frustrações com fotos coloridas em revistas que reconhecem os melhores de todas as áreas.]
No mundo real é aconselhável carregar uma garrafinha com água e não olhar para o termômetro que aponta 33 graus em algarismos vermelhos contra a noite sem promessas. E tudo é mesmo assim tão de doer na barriga e suar no nariz; movimentos corporais involuntários que revelam o caos individual e (abram alas para mais um clichê do peito) até que um dia passa alguém como ele e como nunca você não sabe como dizer, explicar e nem sentir direito; mas, assim, escrevendo, parece tudo tão mais nítido enquanto o amor entra pelos seus ouvidos até o final da faixa isolada/escolhida do mp3; quando então, entre um cruzar de pernas e um rosnar do estômago, o silêncio volta ser rompido apenas pelo som dos dedos no teclado. E é tão triste um amor morrer assim no teclado, enquanto ele continua a vagar nos seus sapatos suplicantes pelos beijos de admiração e olhando para cima enquanto no fundo dos olhos transparentes passeiam suspiros de alunas secundaristas. E você sofre espremida em uma bolha vazia de ar. E o calor e os ventiladores continuam, escorrendo nas paredes o líquido gasoso de um arrastar de desejos sujos de pêlos que ventam em um arrepio gástrico; um amontoado de palavras que se conhecem fúteis e inchadas; o fio acorrentado de idéias murchas nos lábios depois de digeridas por um apetite seco; sai, entrega e morre. Você faz, você consome. Aquilo que se cobiça e não se desfruta faz mal às vísceras de porco que foram perdidas nos buracos da sua parede mental. A mente é um computador inimigo do prazer natural; pensar nos faz vulneráveis, expor nos faz fortes; o mundo é um grito por água e civilização. Mas, bem no fundo, o que eu queria dizer é que depois de você jamais conseguirei ser um deserto de plástico novamente.