Montag, April 21, 2008

convício

acreditou por longa data na máxima da 'sociedade que destrói o indivíduo'. morou durante muito tempo em uma ilha com internet voadora e formou-se modista por meio de um curso à distância que consistia em envios textuais/pictóricos aos superiores e diálogos com os mesmos em salas de bate-papo acadêmicas-específicas. arranjou um emprego no continente como bordadeira-criativa oficial de um grande estilista cujas fantasias eram assíduas das vogues européias. forçou-se, então, ao convívio em sociedade. trabalhou durante um bom período na fábrica corte-e-costura. pediu demissão logo após ter os botões de todos os bolsos das camisas de sua nova autêntica-coleção roubados pela vizinha de ateliê. jamais retornou à ilha.

Montag, April 14, 2008

e por isso os bares estão cheios de gente vazia

"Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se." (Hilda Hilst)


Hoje eu não queria acordar de um sonho bom, e por isso, mesmo desperta, continuei a rolar na cama, num vai e vem de imagens vazias, cheias de despedida. Elas queriam ir mas eu queria que ficassem, pequenos quadros de beleza e inutilidade.

Hoje eu queria escrever sobre nuvens como flocos de algodão em um início-noite, e pensei no quanto soaria brega-vácuo, decidi então que escreveria sobre este meu sonho, no qual eu andava em trajes de banho por uma rua cheia de árvores e comemorações caseiras-desconhecidas. Os carros se acotovelavam em garagens expostas, as pessoas riam em muros baixos e fumavam cigarros com idosos-vizinhos. Minha casa e meu trabalho se localizavam em um mesmo edíficio-difícil reconhecimento. E eu andava em circulos de quadras-iguais. Que interesse há nisso? Nenhum, como não há também nenhum mal; e assim desvelam-se os porquês perfeitos, daqueles que não possuem respostas, nem graça.

Sonntag, April 13, 2008

aquele que fica sem título por um capricho de domingo

Há dias em que as cores me ferem, dias de laranja-explode, nos quais o negro-consome, onde o branco-cega. Nesse dias, há noites em que se necessita trocar de posição e se adormece com a cabeça nos pés, da cama; mas com os olhos na janela, do amor, e o jantar no coração, da cabeça. Nesses dias há jantares em que as comidas não nos fartam e o álcool que não nos faz esquecer. São dias nos quais o sono chega com o céu cinza de uma tarde chuvosa e vai embora no início de uma noite azul-chumbo, nos deixando dispersos no meio do fim meio-claro que se inicia escuro. São dias de tardes mortas, e de mortes vivas.

Samstag, April 12, 2008

OUTrínseco

How could people get so unkind?

Tenho um outono dentro de mim, nesses dias Neil Young na virtola, encontrado em meio ao pó dos discos esquecidos, mas que não encontro, procurando o meu amor. Sou sozinha agora, e estou única. Estou achada em folhas amarelas de árvores vivas como veias de máquinas-corpos em composição; nesses dias de tortas e empadas sobre a mesa na toalha de estampa florida, sentada ao pé da janela escureço junto à noite que chega abraçando um sol de céu laranja. Nesses dias de achar sem perder, sou um walk-talk nas brumas de uma cidade futurística, procurando meu amor entre as folhagens molhadas de refrigerante; sou onírica em tempos de levantar tijolos e braçal em épocas de piquenique no parque. E lá longe vou guardando o mais próximo de mim, ou finjo, e me engasgo em melodias de espelho, te procurando em olhos de vidro sem cor. Me perco em ouvidos de cera pelo caminho de terra-sonho. A terra é árida como a perseguição implacável da cidade que procura o rio-desperto. E engole todas as águas. E se enfurece sem pudores nem motocicletas, apenas a garganta sedenta de uma louca paranóica que busca a felicidade em cruzeiros tropicais. Tenho um verão dentro de mim, nesses dias de calor-digestivo-estômago, que me incendeiam a aldeia de mortos guardada a três chaves no meu corpo; eu as chamo inverno, primavera e outono, minhas amiguinhas-depósito das tardes sem sol de um dezembro negro. Mas chega de imagens, chega de digressões e artifícios. Não me levem a ruim, estou apenas procurando um pedacinho de mim, quem sabe perdido nessas vilas que entrevejo nos cartões postais da minha natureza inconsciente; e me respondo: I don't know, Dr. Young. We never Know. E os velhos também não.

Donnerstag, April 10, 2008

[cause it's a violent world]

[you take care of me
and i take care of you]

e me deixo levar assim pelas melodias doces, me deixo abandonada aos teus encantos e acordes, e adormeço nos teus abraços.


intensa. e foda-se. sempre fui assim. eu me amo, eu não consigo viver sem ti. senta aqui do meu lado e acende pra nós, vamos contemplar esta bela música sob um céu de estrelas escondidas atrás das luzes da cidade. não, não vamos conversar. e eu sei que tu me entende, eu sei que tu é a única pessoa em the whooole world que entende meu ponto de vista sobre as palavras vãs. e eu te amo tanto desde ontem. e te amarei mais desde hoje. e pouco importam as bebidas, os cigarros e as pistas de dança, se temos um ao outro e nosso jardim de ervas. pouco importam os exageros e os deslizes, se escorregamos um no outro. e é tão bom escrever na tua pele, é tão bom o teu joelho, o teu maxilar e a tua saliva. e é tão brega falar de amor, mas é tão amor ser brega.

[when i meet you i was just a kid, so i gave my heart completely]

BUT I WAS NEVER YOUNG!

standing on the right so you're printed on the left

'Mode, erklärt Garance Doré, sei wie die Creme zwischen zwei Kuchenhälften - sie halte alles zusammen.' [ Die Zeit, online]



Para os diabos com a moda, com a figura, com a massa indistinta de pensamentos; para os diabos com as regras, as sugestões, os conselhos. O que importa é a Aids, o que importa é a dor, o que importa é a morte, o que importa é chamar de vida o que nos acostumamos a chamar de Deus, e chamar de Deus o que nos acostumamos a chamar de Demônino. Devil's haircut, I slept with the Devil, I am Dervil's new luv, Teufelswerk and so weiter... MODA, o demônio tá na MODA.

Mood
emos
então
a moda,


vamos falar de blogs amadores, fodam-se os ponto.com, fodam-se a elegância virtual; vamos falar da moda da Azenha, vamos falar dos discos em capas mofadas de papelão em lojas do centro da cidade.

Não aguento mais essa cidade.

LET'S PRETEND WE DON'T EXIST, LET'S PRETEND WE ARE IN LOVE.

Desassossego como um mar de ressaca no inverno, trazendo para a areia as mais belas e afogadas jóias, descansando sob o sol que se mistura ao frio e ao céu azul. Blues, marca da tristeza; a palavra forte, a força das palavras, a falta de nexo e o excesso de vírgulas. O excesso de amor pelo mundo me faz odiar as pessoas, sinto todas tão distantes, sinto tudo tão imaturo quanto uma maçã verde em um quadro de sala de jantar. Excesso de mim mesmo. Sinto tudo tão pouco como um grão de feijão num grande parto de porcelana. Sinto demais. Sinto que vocês não entendem, que se sentem muito espertos, que se matam por parágrafos aleatórios em páginas de recados virtuais. Sinto que vocês não são o que parecem com seus piqueniques ao sol e amigos fazendo careta em fotologs. O circo humano me cansa e me fascina, mas a festa da humanidade reunida serve só para dizer que estamos todos invariavelmente dentro. É isso, o que mais me irrita em vocês, os outros, os sem fotolog, é que não conseguem ao mesmo tempo criticar e ter noção de que estão dentro da MESMA MERDA. Assim, em garrafais, pra agredir, porque não sou Caio Fernando Abreu pra dizer coisas doces aos corações duros. Porque, mamãe, ninguém me entende. Porque, mamãe, a senhora é uma falastrona.



AAAAAAAAAAAAH, eu queria tanto escrever uma história de amor, uma história de gente boa com final feliz. Mas não dá. Eu acho bonito nas letras do Of Montreal, mas em mim não fica bem. Não 'senta', sabe?


Pois quero mudar os meus assentos. Quero mudar minhas concordâncias. Mudar minhas inspirações e meus substantivos cansados e velhos. A onda, o amor, a vida, deus... ó, ruína!


Esse não saber o que se escreve e essa necessidade escrever, esse não saber como evitar e esse desejo de devorar, massacrar, morrer em abismos de teclado.


AAAAAAAAAAAH, que morra, então; me deixa partir, me deixa desaparecer; me come com sucrilhos.

Sonntag, April 06, 2008

vampiro dos quartos possíveis

[you're my cuuuuuuuute pie, yes, you aaaaaaaare..]
=
=
=
=
=
=

Não sei no que vai dar mas, como sempre, vou indo, me deixo levar por essa pessoa que aqui do meu lado dorme, por vezes acorda, boceja e volta ao seu sono profundo; daqueles que foram mordidos e carregam marcas aos pares; assim descansa a querida vítima dos meus hormônios da vez - minha voz - assim voa na nave-cama-karma; algodão doce perdido no parque das minhas alegrias - minhas alergias curadas, meus travesseiros usados.
Roubei teu doce como de criancinha, mordi teus pezinhos perfumados de talco. Ursinho. Mindinho. Pequeno e singelo como todo o afeto, meigo como um balão que flutua nos teus sonhos de agora, de agora enquanto escrevo e te olho e te perco. Porque viver é perder a cada dia um azedume a menos. Poque morrer é deitar no teu abraço e sentir as peles do mundo. Como coelhos e gatos e pássaros, todos num só abraço. Porque te ter é abrir a janela escura de madrugada e não ter medo, só estrelas; e te ver brilhar como uma delas dentro do meu peito. Delas? Não, meu. E a possessividade grita, e vem, nocaute, briga, versa-vice. Visse o verso? Me pegou. E já eras. Voou o amor, mais pra dentro da minha janela. WRONG! É pra fora que se faz, é dando que se fica sem, é tendo que se atola as perdas. E os danos? Desconheço, vou vivendo e não entendo, tuas vozes de sonâmbula, morte.

Sorte? É o sono tranquilo da torta esfriando na janela.


Samstag, April 05, 2008

shame-on-me

take on me, é uma música do a-ha. eu tinha uma madrasta que gostava de a-ha. uma vez meu pai jogou uma fita cassete do a-ha-dela pela janela do carro na free-way. meu pai gosta de ac-dc (e ele fala 'acê-decê'), tudo em minús-cu-la pra ser mais loser.

mamãe, eu não queria ser loser, só moderna.

[a demência é uma sofreguidão das almas cansadas. os espíritos verdadeiramente superiores sofrem por sentir. quem não sente é feliz. quem escuta a-ha e bomba na pista é contente. percebam a sutileza.]

the lost art of being silly ou Navegar é preciso

Sento em frente ao computador, mudo os modos da cortina, depois mouse, luz laranja fosforecente, marujos em estantes limpas. Fresco, o ar que vem da janela rompe minha pele

suave.

Morno, meu traveseiro na poltrona giratória.

Chata, a música escolhida por mim no Media Player.
Moderno,
quero ser?
Tosco, trabalhoso, preguiça.

Areia movediça?
Me lambuzo na terra,
é bom.
Páro.

Pisca o Soulseek ; conversas com alemães para uploads.

Levanto.
Torrada
com queijo e
pavê
de chocolate.

Incrédula.
No meu quarto
a vela.

Mittwoch, April 02, 2008

carta de uma menina ruiva arrasada em quatro atos

Primeiro Ato.

Melancolia, Beto? Que nada! Isso é a falta que te faz o Rio de Janeiro, é da falta que se fez as areias e o amor, é da falta que se desfaz o mar. E deságua... Desagradando sensos estéticos com reticências, pluralizando essa angústia em nove pedaços de doce-avelã. Tu vai voltar, Beto? Traz de volta a minha alegria, a minha esperança, a minha bonança? Dança de chapéu? Traz uma ceva e um crivo? Tira essa Janis Joplin da vitrola, por favor. Não dá mais, Beto. Não dá mais essa tua melancolia, já mofou. Toma, come um pedacinho. Vem, vem de mansinho e senta, sente sem entender e entende as cores nos amores de ontem. Ontem? Com cerveja. Hoje, sem cigarros. Pra sempre, sem dinheiro, sem ti, sem metas. Mas essa música, Beto, essa música me penetra. Me recebe, Beto. Abre a porta, fecha os ouvidos, abre a boca, fecha o nariz. Não sei, Beto. Não sei mais como faz pra eles me entenderem, não sei mais como faz pra interagir com essa gente de chulés, mochilas e mensagens. Não sei mais como faz pra sentar na grama de saia e perna aberta. Não sei mais dançar ballet, será que ainda sei andar de bicicleta? O primeiro doce a gente nunca esquece, né, Beto? Pô, Beto, eu te amo tanto, te amo tanto pra poder dizer 'essa é minha imagem de amor', 'esse é meu garoto e essa é minha carta de amor'. Não sei mais, amor. Não sei mais te procurar, não me encontro em lugar algum. Não sei mais me emancipar e me diminuo no teu peito. Não sei mais pra que tanto peito, tanta pança, tantos sorrisos. Não sei mais pra onde foram minhas lágrimas. Não sei mais pra onde foram minhas dores do mundo. Não sei mais quem é ego, quem é posse, quem é razão, quem é coração, não sei quem me domina e não te controlo mais os passos; meu pássaro. Passado. Pasto. Passarela. Passa dor de sentir, sente o sentido do sangue borrado em carmim-unhas. Pega no meu cabelo vermelho-paixão. Tantos, tantos caminhos e esconderijos, tanto pega-pega e esconde-esconde e tu, Beto, tu nunca me amou. Tu nunca sequer me olhou e pensou puxa, que interessante, aquela garota pensa diferente. Nunca sequer te passou pela cabeça eu assim, capaz de sentir tanto e fazer tão pouco pelo bom senso. Tu jamais me amou assim nem assado. Frango-assado. Revista Playboy. Garotas nuas. Bandas de rock. Patricinhas de fotolog. Vai tudo tão normal por aqui, Beto, vai tudo assim, tão sempre, tão preso, tão vinculado, tão popular. Vai tudo assim tão óbvio, tão jogatina, tão aparente. É tudo aparência, meu amor. É a era da imagem, é a tua vez e a minha morte. Sorte? É o meu cansaço aplaudindo deitado.

Segundo Ato.

Jonas, cadê minhas meias, Jonas? Jonas, cadê meu jornal? Eu te odeio, Jonas. Tu me pega as coisas e some num ar rarefeito de marlboros tristes. Tu me corta os joelhos com a régua e me fere em descompasso. Tu me morde a orelha tacanha e me acaricia em dedos de mel azedo. Não dá mais, queridinho. Sai daqui, vai lavar esses calos alaranjados de podridão nefasta. Mefisto? Desisto.

Terceiro, desato.

Sua puta vadiaescrotomórbidafederal. Sua ladra, porca, desgastada em páginas de choro melando rendas e sucatas com açúcar de limonada. Me beija! Não quero! Muda! Não mudo, não mudo, não mudo. É tão confotável aqui, vem, deita pra ver, pode sim, morde o travesseiro, vai fundo, não é bom. Mas o que é bom? Sorte? Sai dessa, tira essa máscara de atriz pornô. Vai criar vergonha nessas caras e bocas. Vergonha? Criar? Não mudo, mas me calo. Calor. Calooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo R!


Quarto, mato.

Depois queimo
o mato
mas antes
vejo
o saco
do mosntro
que age
na paisagem
em trilhas
rumos
pintados
amados
esquecidos


adeus
adeus
adeus

dói
mói
consome

DRAMATIZO, SIM.


Beto, tu não tirou a Janis Joplin. Q?


NADA
ALMOFADA
SACADA
BIXARADA
BARATA
LAGARTA
NA MATA
ME MATA
DE AMOR


tudo ruim, tudo ruim, tudo péssimo. nada com nada sou eu. eu com eu sou tudo, assim, no meu quarto, sem ti, com a tua pena, e a dele.

PENA
umapena
desconsolada
dolorida
show me how


wannabe

ah

deixa

let this love flying die.
let this dead love fly,

maybe, maybe, maybe... summertime.

Um dia ele volta. Vai, Beto. Voa, venta, varia. Tu é minha varíola; minha doença morta, minha esperança torta.


Amar é bonito, afinal.

Samstag, März 29, 2008

a leveza do utilitário e o peso da auto-promoção

Este blog está muito pesado, só apresenta idéias desorganizadas e incompreensíveis que não me parecem úteis a nenhum espírito verdadeiramente intelectual. Eu deveria agora postar uma foto minha de cabelos compridos encaracolados vestindo uma blusa cor-de rosa e sustentando uma margarida plástica atrás da orelha esquerda?

Não o farei, me restrinjo a pintar as unhas de vermelho carmin e ler este site:

http://listverse.com/

Fiquem com o vento da janela. Ou com Chuck Berry.

(TO MUCH MONKEY BUSSINESS FOR ME BEIJOS)

[P.S - O Almodóvar meigo (indie?) das artes plásticas?] :

http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/muntean_and_rosenblum.htm

Donnerstag, März 27, 2008

mentes criativas não são especializadas,

segundo especialistas.

Um oferecimento da Igreja Universal do Reino de Deus.

círculos e cerdas vassourais

Odeio o barulho das vassouras batendo nos móveis. Hoje é terça-feira e terça-feira é dia de faxina; eu nunca participo, fico só aqui passando calor com Stravinski e a máquina de escrever, tomando café no pátio e fumando cigarros com balas de canela. O meu ventilador não funciona, mas as vassouras deles, ah, são infalíveis; conseguem deixar a casa brilhando em questão de quatro horas de dedicação caprichada. Eu, sinceramente, acho que eles deveriam usar todo esse poder de limpeza nos seus respectivos corações, sem querer soar propaganda da Globo. O que eu quero dizer com tudo isso, digo, os cigarros, as balas, os barulhos e as pessoas, o que eu quero dizer é que de fato não entendo como tudo isso funciona. Dizem que o essencial seria simplesmente fazer funcionar, e não pensar a respeito. Eu penso muito, e por verzes sou interrompida pelas vozes de reclamação e mau humor, aqueles gritinhos baixos e secos, que vão aumentando de volume até aquele ponto insuportável do final sarcástico no qual tenho vontade de pular no pescoço deles, quem sabe estrangulá-los. Dizem também que o ódio é o melhor amigo do amor, mas, bem, vocês não devem estar entendendo nada. Fodam-se. Não preciso que vocês entendam, preciso apenas exorcizar minha vontade de comer chocolate. Mas também nem pensem em sentirem-se excluídos, pois, se assim fosse, eu simplesmente escreveria um diário. Pouco se foder nada tem a ver com desprezo, como a maioria das pessoas pensam. De forma alguma, eu de fato preciso ardentemente de todos vocês, pois vocês são irreais, fazem parte de um universo virtual criado por uma escritora de blog. Podem ser tanto uma massa branca indefinida quanto pessoas de verdade. Mas afinal, o que é a verdade? Deus existe? É claro que existe, Deus mora nas vassouras, casinhas de limpar e jogar fora.



Por favor, aceite essa pá!



Mas, no fundo, ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------->meu mais secreto desejo é que a pá me seja oferecida por vocês.
Eu consigo varrer, mas juntar o cisco é um problema. Dispensar no lixo, então, nem se fala. Já ouvi dizer que algumas pessoas sofrem de prisão de ventre por julgarem sua merda muito preciosa para dar ao mundo e, desde então, sempre que algum amigo me relata que não consegue ir aos 'pés', penso em tal sujeito como um ególatra; mas um ególatra não significa necessariamente uma pessoa que se julga superior, para vocês verem como todo julgamento é falho. O único que acerta deve ser mesmo Deus, acho que depois vou procurar por ele entre as cerdas da vassoura.



Uma das vassouras tem um cabo listrado em azul, muito retrô; enquanto a outra é de um rosa pink esnobe. Apesar disso, confesso que sinto certa atração por pessoas que vestem rosa pink, são normalmente meigas, solidárias e, a cima de tudo, sinceras em seus clichês. Já as pessoas listradas em azul carecem de elogios de minha parte, as julgo um tanto pretensiosas em suas linhas retas e organizadas, que encobrem uma incapacidade de se mostrar ao mundo como realmente são: confusas e vazias. As pessoas em listras azuis deveriam se colocar em grandes bolas ocas, tudo parece mais simples e melhor quando disposto dentro de um círculo. Tudo bem que nem eu me entendi agora, confesso que só queria usar essa frase do círculo. Bobagem, talvez não queira dizer nada, mas me parece como uma solução para aquilo que nos perturba e não podemos descartar, enfia num círculo e deu. Mas não falo de círculo vicioso, falo de círculo vedado, e bem redondo que é pra poder chutar e ele rolar pra bem longe. O problema é que, seja para onde for, as paranóias vão sempre ficar literalmente emboladas dentro. Talvez toda essa reflexão seja desnecessária mas, o que não o é? Vocês trabalham, são bem sucedidos, felizes no amor? Vão a redenção no domingo? Tomam suco de mamão com laranja na lancheria do parque? Ou sofrem de prisão de ventre e passam os dias a trocar frases espirituosas? Tanto faz, como também tanto fez se estão aqui comigo até agora ou já foram e me deixaram com a massa branca vazia. Mas, se ficaram, eu estarei sempre com vocês, apenas aconselho que me coloquem em um círculo. Talvez em dois.



O





0
Q?

Mittwoch, März 26, 2008

Amigo Arnaldo

Arnaldo é um pianista. Arnaldo faz música para organizar seus pensamentos, ele diz que normalmente não consegue dominá-los; eles começam com um avião e vão para a Sibéria depois descem para a situação populacional da China, declinando a seguir para o pentelho do sabonete. Arnaldo diz que ser um artista musical é uma espécie de exercício para disciplinar a alma; através dele, Arnaldo desfruta da responsabilidade com a sua concentração interior. Arnaldo não acredita em músicos frustrados, acredita em pessoas frustradas; nenhum desgosto pode vir da sua própria e, portanto, 'especial' criação artística, a frustração vem da auto-estima, vem do desgosto por si mesmo e da dispersão espiritual em que as pessoas se debatem. Esse é o discurso de meu amigo Arnaldão.

Eu conheci Arnaldão em uma gravura aleatória do Google Imagens, na qual ele fumava um cigarro apagado, e por meio desta acessei seu respectivo blog. Na verdade, acho que nunca conhecerei o Arnaldo de verdade, aquele com olheiras e bolas de gordura embaixo do pescoço. Tenho certeza que ele usa photoshop para disfarçar, no blog. Enquanto leio o blog do Arnaldão penso que deveria estar lendo os clássicos do tipo Flaubert. Mas, apesar disso, acho que jamais entenderia Madame Bovary do jeito como entendo Arnaldo. Arnaldo, Arnaldinho, Arnaldão. Meus pensamentos por ele são tão ofuscantes que nunca consigo ver minhas palavras. E é justamente isso que me intriga em Arnaldo, fico indagando aos meus botões o que leva alguém a esse amadurecimento interior que conduz ao domínio dos pensamentos obssessivos. Arnaldo tem 16 anos e já sabe tanto da vida! Mas acho que estou sendo um tanto irônica, o que não é bom para a criação de uma verdadeira interatividade literária. Vejam só, que tamanha dispersão intelectual! Já não consigo dominar os rumos mentais novamente. Arnaldo, pelo contrário, consegue discorrer umas setes telas de seu blog sobre um determinado instrumentista em um determinado concerto, com uma determinada data e orquestra, usando determinado estilo de linguagem. A organização exacerbada de Arnaldo por vezes chega a me angustiar, mas não consigo abandonar a leitura do blog, que se chama "Merenda Pianíssima'. É que Arnaldo simplesmente se ama.

.
. Que tal?
,

Vamos nos amar, nos abraçar, nos beijar
no espelho

Vamos correr pelas florestas
de pinhos
em
espinhos
curvados
para baixo
pois
pais
padres
poetas
penças
nada
jamais
nos
espetará

Arnaldo está conosco.

Montag, März 24, 2008

toque, T.O.C

"Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada"
(Hilda Hilst)


Não focarei meu discurso nos ouvidos sem-rua, nas almas entre paredes de cinema-shopping-center. Não direcionarei minhas palavras aos cegos de ouvido nem aos surdos de olhos. Não me excluo de tamanha escória, sei bem a qual mundo pertenço, esse dos mortais virgens em poder de atração, esse dos que deitam a cabeça na fronha macia para escutar o fabuloso conjunto das almas desavisadas. Shivaia, jah rastafarai, crucifixos ou botons dos Beatles, tanto faz. Estamos todos aqui e não queremos atender o telefone nem a janelinha laranja do msn; deixe tocar, deixe piscar, deixem em paz.

3.

2.

1......


Um escritor deve conhecer bem seu personagem, por essa razão, o melhor personagem que desenvolverá ao longo de seu ofício é normalerweiser ele mesmo, mas nem sempre. Pois e quando o homem apenas se estranha e não se entranha? Como faz?

Será o segredo nada mais que um livro de auto-ajuda?

O domínio dos pensamentos e, consequentemnte, dos personagens, me parece uma faculdade não intrínseca às minhas habilidades. E será mesmo que as tenho? O segredo, ao contrário do que a maioria panfleteia, não é acreditar; é afirmar e repetir. De preferência em Capslock, pois 'letras garrafais' é coisa de bêbado, e o vício é inimigo do segredo. O segredo é matar no cansaço e andar de pés descalços; é errar hoje crendo acertar amanhã e errando de novo prosseguir. O segredo é mentir; para si mesmo, para os outros e sobre os desejos. Vamos falar sobre as mortes que morrem num livro do Tolstoi, sobre as angústias por um final que sempre há de acabar antes de de se consumir, ou consumar. Mortes consumadas são mortes mortas; tudo que morre já não é. Vamos falar sobre quase-mortes; inquietações rubras amareladas em rostos enrugados que me lembram o meu coração; as obssessões mofadas das minhas palavras, o bate-tranca-arrebenta do meu ritmo.

Conhecer bem o meu personagem; força-tarefa. Aquele a quem mais conheço... estaria ele na sala de jantar? Estaria ele sentado ao meu lado na praça pública alimentando as pombas? Será este personagem; aquele que mais conheço em todo o vasto mundo, aquele que adivinho as dores e as surpresas; será ele este inquilino do meu corpo ou o visitante da cidade mais longe de todo este mesmo vasto mundo? Seria esse mundo sempre o mesmo e sempre tão vasto? Não posso responder com outras palavras

a não ser:
não sei,
não posso,
não consigo,
não faço,
não aconteço.

A concentração é uma adúltera e o desejo, umdes-gosto.

(esse final não teve

nada

a ver
com o início,
mas terá

a morte
a ver
com a vida?)

Ó, seja quem fores, divina revelação, me salve dessa reflexogênica talking head!

turn off.

me faça praticar esportes.

e beber muita água.

[No fundo do poço, só a bola plástica importa

OU

Na tristeza, only bullshit matters.]

Nova
mente
A
deus

Sonntag, März 16, 2008

Come to my sadness!

Vem pra cá, me diz o que dizer, como faz? Como dorme, respira, come? Como entende, mastiga, sofre? Só quero o doce do lugar onde moro mais que fico, onde durmo mais que acordo, onde bebo mais que nado. Nada, nada pode sair como entra, em entradas de mofos e gostos e suores. Em opacos coloridos de verdes idéias em conserva. No luto do eterno, me vingo, me esforço, me bato. Tapa na cara, beijo no coração. Indiferença, medo, relíquia. Tu é minha relíquia. Então vem pra cá, pára de fingir que finge, que morre, que afoga. Me afoga, me afoga nos teus braços de carne morna e macia. Me abraça nos teus hormônios cheios de fugas e espingardas. Agora tira o chapéu e me mostra a tua careca. Me diz que perdeu o cabelo e a razão, me diz que entende esse engasgo que não deixa nada sair. Me diz que entende esse sufoco de portas abertas para a entrada sem saída. Me diz que entende, que eu não preciso falar, me diz que foge comigo pra lua mais próxima. Uma, duas, cinco quadras de distância? Voa? Vou, vou contigo nesse balanço de melodias novas em ouvidos cansados. Vou contigo nesse banho de ervas que cortam a mágica dura. Duro, empedrado é meu coração de pessimismos fartos. Maciço, pesado, é meu coração de adeuses adiados. Vazio é meu sepulcro de mortes temperadas com azeite. Azedo é o cheiro do gosto do susto. Morro, morro a cada dia na montanha escorregadia dos meus sentimentos. E amo, amo esse te querer demais pra me deixar levar em injeções de tristeza na veia. Tristeza não dói, o que dói é a vida. Eu deixo.

Samstag, März 15, 2008

get out of my car

exú
vudu
bad vibrations


saiam daqui que o presente grita, preciso viver e escrever agora, tudo que se passa já passou, me atinge da melhor maneira, como a ceva, o crivo ou a sexta-feira. sai do meu carro, e cadê? cadê o que eu estava pensando agora? tá bem aí, na antecipação da velha estrada;

meu passado nos teus olhos frígidos.

Montag, März 10, 2008

Empirismo pictórico

(sobre o real ordinário que se choca contra o amadurecimento da alma mística-interior.)

Misticismo foi uma palavra muito usada pelas vanguardas européias.

As vanguardas européias entorpeciam-se; entorpecer-se nada mais é do que uma tentativa de retorno à infância; a idade de ouro, os anos de algodão-doce; tempo no qual as texturas, as cores e os cheiros, eram todos parte de um único e muito objetivo interesse: deliciar-se; comprazer-se de júbilo vivenciando as mais afetadas emoções pictóricas: comtemplar o deslizamento do carrinho vermelho pela pista de plástico e os pequenos cubos de madeira ilusrada que em cima do tapete se amontoam formando casas, edifícios e igrejas.

Besteiras boas;

toda a diversidade das balas azedas inundadas em glicose saturada.

O cheiro dos pastéis fritos em óleo de rótulo anos oitenta.

[figura]

As embalagens são meros rótulos para homens que acreditam precisar de muito espaço mas contorcem-se em transportes coletivos num vai-e-vem confuso de quem não sabe onde ir; dormindo, lendo, ouvindo música; esquecendo-se.

Esquecendo-se que o importante não é ver como é por dentro e sim criar o que se coloca para fora, esquecendo-se que o sábio é aquele que julga a si mesmo com parcimônia e coração. Os acontecimentos mais valiosos são invisíveis para os ollhos, já dizia o Pequeno Príncipe.

Que diria ele da 'era da imagem'? Que diria ele dos programas televisivos de culinária?

[a sede de imaginação não é psicológica]

Trata-se daquela velha história sobre palavras e atitudes.

Trata-se de ação,
de movimento,

quiçá ruptura.

As palavras são acessórios parcos para o mais aparente ideal humano: a comunicação. Também assim são as imagens; estudadas, gastas e pretensiosas. Ambas são a personificação da perversidade adulta e, curiosamente, quem mais se delicia com seus resultados são os espíritos jovens.

[criança (Grande) x adulto (Pequeno)] ,

a eterna luta clichê-interior do homem, na qual o vencedor é a união de duas forças (ou quatro) que se batem mas convergem e jamais devem se opor, criando essa espécie de contradição que, ao mesmo tempo, define.....................................................................................................................................
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definha...............


................... e mata o texto e o misticismo.

Freitag, März 07, 2008

as gemas no espelho

quebram.
desiludem.
desconfortam.

vem cá, senta aqui no sofá e me mostra teu caderno, me pede pra te perguntar quanto é dois mais três. Dorme, dorme no colo que eu te cubro de beijos de lã macia e reta. reta como o meu coração, seu fluxo cortado e as outras metades de mim. perdidas em ti encontro em mim.vem mim, bem-vindas,

eternas,
suadas,
juntas.

amarelas de prata.