Sonntag, Februar 23, 2014

Spring Breakers ou zombar da lógica quando ela está contra a humanidade





"Os homens são suaves, quando desejam alguma coisa dos mais fortes, e brutais, quando o solicitante é mais fraco do que eles. Eis aí, até agora, a chave para penetrar na essência da pessoa na sociedade.” (T. W. Adorno)




Pode parecer bizarra esta citação de Adorno num texto sobre Korine, já que o filme está mais pra um Sex Pistols zombando da nossa cara em estilo Lulu Santos –  um filme-poema punk-pop, com todas suas contradições. Apenas cito o filósofo alemão porque ele escreveu que o mundo só é único no tempo (Zeitgeist), e que a classificação é a condição do conhecimento (e não o próprio conhecimento) e o conhecimento, por sua vez, destrói a classificação. Mas pra que dialética agora? Vamos lá, classificar Spring Breakers, ou Harmonie Korine, o cool vendido – bem fácil, não? Assim já classificaram nossos intelectuais brasileiros (minto, só li um) mesmo sem ver o filme, só pelas cores (quentes demais ou algo assim) do trailler. De fato, nenhum problema em julgar pelo trailler. Não há como conhecer Spring Breakers e seus personagens, nem vendo o filme: eles são conceitos. Ou talvez não sejam. Talvez eu só queira aplicar algo que estou lendo no momento: como boa aluna da USP, Adorno, é claro. Mas acredite na sua intuição, porque ela lhe dirá: Spring Breakers é sobre isso. Sobre a Academia (garotas fugindo da facul) e sobre drogas (pra viver a vida loka no feriado), sobre dinheiro (que as faz não voltar mais), sobre ilusões (essas sim são perigosas – e não as garotas, como no subtítulo brasileiro). Ilusões perigosas porque fundadas em conceitos de tudo que está errado: estrelas da Disney e gente afim de ser gângster, mas resvalando na falsidade (num mundo que quer ser fofo demais e onde, portanto, isso não é possível).  








Spring Breakers não tem a ver com “O Poderoso Chefão”, tem a ver com "As Pequenas Margaridas" numa versão “O.C”, de cores rosas, laranjas e azuis como em “Drive” – onde a ironia com a estética cool, da qual o filme também é acusado, já constava e pouca gente entendeu.  Korine tem uma paleta para “Spring Breakers” que de fato não combina com “Gummo” nem com “Trash Humpers”, mais sujos e opacos. Mas com seu último filme ele consegue chegar onde “Gummo” não conseguiu e nem poderia, porque ali as meninas ainda eriçavam os seios com esparadrapos – eriçar era mais importante que aparecer. Com “Spring Breakers”, Korine conseguiu chegar na abdicação da história por uma mise en scene dogmática e videoclipesca, que é a cara dos nossos anos.  Sei lá como chama essa década de 2010 a 2020, ninguém sabe, e “Spring Breakers” é sobre isso, sobre a época herdeira e perdida entre a consciência indecisa e revoltada dos anos 1960 e 1970 (Fassbinder), a fascinação tosca dos 1980  e a melancolia suicida e paranoica dos 1990 (Brian de Palma).







Neste dois mil bem treze (quando o filme chegou a nós brasileiros, via pirata), Korine se liberta da narrativa, sem abandonar a história. Nossa história de se achar especial e estar cansado de não ser – mas somos certinhos: não tem matar aula, tem vida loka no feriado eterno. Estamos diante do único filme sobre o Zeitgeist desde os anos 80, desde “Curtindo a Vida Adoidado”. Curtir a vida adoidado não é mais matar aula, é matar de verdade, é se dar muito mal pra ficar numa boa (?) – é sobre dúvida, desespero e beleza (fuga). “Spring Breakers” é um grupo de Marissas de “O.C.” fazendo tudo que todo mundo que manda beijinho no FB quer: se entregar pro biquíni eterno. WTF fingir que a beleza não importa, WTF estudar. WTF = What the Fuck. Que foda é essa? É Tati Bernardi dizendo na Folha que quem não se deu bem até os 30 ou é filhinho de papai ou é um fracassado. A culpa é dos escravos, mas o mundo é dos espertos: sempre foi. E dos biquínis. E de gente gata. O mundo, do dinheiro, é claro. A total ausência de verdade (pelo excesso da presença da grana e do que move os personagens até ela) é a tônica do filme. James Franco, talvez melhor em “Freaks and Geeks”, é, no entanto, a vingança desse seu personagem no seriado anterior. Seus dentes de ouro são a coisa mais linda, fodida e forte do filme. Britney Spears tocada ao piano à beira-mar, e Franco ali sentado cercado de meninas de capuz é de fato uma imagem que vale por mil palavras.



Por que o Brasil reclama, por que 2013 foi o ano das manifestações aqui e o ano de “Spring Breakers” dominando na lista dos melhores do ano na Cahiers? Cahiers está decadente, ok, mas Korine certamente não. Porque Harmonie Korine, o cara que aceita pedido de amizade de todo mundo no Facebook (tente e você verá) tem humildade o bastante pra se colocar abaixo do cinema e do palco virtual e midiático, pra se render às tendências – criticando, entendendo que essa é a única forma possível de criticar, embora talvez fracasse, porque não estamos prontos pra entender nossa época, nem estaremos nos próximos 30 anos. Mas existem padrões universais no filme e na vida: uma garota boazinha (passageira) e as outras poucas (adolescentes, eternas), espertas ou rebeldes? Não é sempre essa a proporção? Por quê? Regra da tragédia? Aristóteles? Não. Brian de Palma: dublê de corpo. Entenda as gostosas do filme como substitutas: do amor e das cores opacas e tristes. O mundo novo que Korine nos mostra é colorido, e violento, mas acima de tudo: musical. Elas podem ser socialmente abomináveis, mas são lindas e soam bem aos nossos olhos. O cinema pra cegos que Godard dizia fazer já talvez não nos caiba mais. Hoje o cinema é para surdos. “Spring Breakers” tem ritmo em suas cores e cenas exageradas, o ritmo do caos, da energia, da consciência da física quântica, mas ainda assim um ritmo afundado em cores e corpos – música soterrada pelo peso da imagem. O punk se rende ao pop em uma declaração de ódio. Biquínis em cores fosforescentes nas mocinhas e dentes de ouro no bandido: eis a historinha imagética mais Disney de nossa época, eis tudo que Justin Bieber queria fazer pichando muros no Rio Janeiro e não conseguiu (porque sequer sabe o que quer, como a maioria de nós, talvez), eis um mundo de atitude e pouca reflexão - eis tudo que Miley Cyrus talvez um dia consiga: mostrar o quanto somos idiotas e nos achamos sábios, nesta época, mais do que nunca. Já dizia Adorno: o conhecimento destrói o conhecimento. Dos anos 1960 aos 1980 sabíamos melhor que conhecimento é lixo sem autodestruição (pouca e dialética), nos 1990 percebemos que não sabíamos de nada, e daí foi só ladeira abaixo. Hoje limpeza é Britney Spears numa cena rosa. Obrigada, Korine. Porque apesar de não saber de nada, sinto. Sinto que amor ao cinema TRUE é, entre outras posturas, colocar tua mulher (de uma beleza natural destruidora) no meio das gostosas da Disney, por mais contraditório que isso pareça. Obrigada, Korine, você é o Fassbinder que merecemos.








(Crítica originalmente publicada no Zinematógrafo, dezembro/2013)

Montag, Februar 17, 2014

Amado BUK aconselha





Não deixe as pessoas serem
seu alicerce.
nem as garotas jovens
nem as garotas velhas
nem os homens jovens
nem os homens velhos
nem aqueles no meio-termo
nenhum deles,
não deixe as pessoas serem
seu alicerce.

Ao invés disso
construa na areia
construa no lixão
construa na fossa
construa nos túmulos
construa na água,
mas não construa nas
pessoas.

Elas são uma aposta ruim,
a pior aposta que você pode fazer.

Construa em outro lugar,
qualquer outro,
qualquer
mas não nas pessoas,
massas
sem cabeça, sem coração
emporcalhando os
séculos,
os dias,
as noites,
as cidades, os municípios,
as nações,
a Terra,
a estratosfera,
emporcalhando a
luz,
emporcalhando todas
as chances,
aqui,
emporcalhando completamente
tudo
agora
e amanhã.

Qualquer coisa
comparada às pessoas,
é um alicerce melhor a se procurar.

Qualquer coisa.

(Tradução: Jao Moonshine)

Donnerstag, Februar 13, 2014

Poesia

ESPLANADA

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

MANUEL ANTÓNIO PINA

Samstag, Januar 25, 2014

Montag, September 06, 2010













compulsive word smoker

terrra sólida
plástica
que devora
dinossauros como ervas
que sugam a água
enraizada no fundo
de suas existências.

o melado
que se apega às mãos
é doce e gruda.

o grude me parte
ao meio quando
não depende
de cola ou baba,

é só a vontade
ficar junto
e espancar
o teclado de letras
e respiros musicais
de vontades de dentro.
de dentro do mundo
cosmético da alma,
como dói.

da inércia
em um dia de sol
violeta
em letras
de arcade fire.

na busca suja
e linda

POR UM RETALHO MAIS HUMANO
que me envolva
e me faça
chorar
de amor
e não de felicidade.

engraçadezas e felicidades
me tomam como moscas azuis
do pensamento aventureiro.

mais límpido,
honesto e franco
é o dedo paralisado
pelos bons modos?

amo a crueza
e a vida do alaska.

Samstag, August 08, 2009

Ilusão

A negação ocorre quando há uma lacuna entre a vontade e o espírito. O espírito que está habituado à negação normalmente se satisfaz com as artimanhas da ilusão. Não aceitar a si mesmo é não aceitar a própria vontade: a essência da vontade é a aceitação. O mundo é muito diverso e rico em espécies animais. Algumas pessoas simplesmente não se sentem confortáveis em suas formas humanas; a negação da sua forma humana é acarretada pela não-aceitação do elo espírito/vontade. A história da negação é secular e a história do ocultismo também. É preciso estar disposto a enfrentar as lacunas pessoais no momento em que se faz necessário um confronto entre realidade e ocultismo. Se chama fase-mística. Há coisas no corpo humano que um corpo humano é simplesmente incapaz de entender. Seres humanos manipulam máquinas de plástico e ferro que não manipulam seres humanos. Não há vice-versa; não há entendimento mútuo assegurado a não ser que você tenha muita sorte. A sorte pertence à dimensão do ocultismo e o azar está na dimensão da realidade e do pesadelo. Sonhos são sortudos. Quando eu era criança, eu costumava sonhar em verde e roxo pois meu video-cassete projetava apenas essas duas cores na tela da televisão de tubo. Sonhar verde e roxo ficou pra trás; sonhar verde e roxo é da época da televisão de tubo. O sonho que eu vejo agora projetado digitalmente exibe uma mulher que não cai bem iluminada mas fica extremamente misteriosa e fascinante sob a iluminação parca de um abajur. Sua silhueta borrada confere misticismo a uma alma incógnita. Sob a luz do sol ela fica simplesmente entediante. Acho que prefiro o tédio ao medo.

Freitag, August 07, 2009

coisas que só a wiki faz por você

"Destruição Mútua Assegurada — tradução do inglês Mutual Assured Destruction, abreviado MAD (loucura) — é uma doutrina de estratégia militar onde o uso maciço de armas nucleares por um dos lados iria efetivamente resultar na destruição de ambos, atacante e defensor. É baseada na teoria da intimidação, através da qual o desenvolvimento de armas cada vez mais poderosas é essencial para impedir que o inimigo use as mesmas armas." - wiki brasilsil
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HEIN?
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Eu tenho medo que a nossa geração seja a Geração da Gripe A. Não tem camisinha pra gripe A. Ela simplesmente reina, voa soberana no AR. Eu realmente questiono as precauções. Qualquer tipo de precaução. Ok, se eu estou com a Gripe A eu não posso trabalhar mas posso ir pra Buenos Aires, certo? Simplesmente não faz sentido. A mulher de um amigo meu, que é médico, deixa um roupão esperando por ele do lado de fora da casa. Ele tem que chegar do serviço e lavar todo corpo com álcool antes de entrar em casa. Ele esfrega até o nariz. Ele disse que só falta ela o induzir a fazer bochechos de álcool. Mas sabem o que mais? Ela acaba de descobrir que a melhor amiga da filha está com gripe A. Eu realmente não sei. Eu começo a acreditar na previsão do amigo diretor de cinema: o futuro é a tela do computador. A solidão induzida. A tão temida solidão será questão de sobrevivência. Se você não gosta de ficar sozinho, é melhor começar a praticar. Ou não.
Eu não sei da onde vem essa merda, se é coisa de cientista inglês maluco ou se minha colega-de-trabalho-saudável-30-anos será a próxima vítima fatal. Eu só acho que chegou num estágio que não dá mais pra fazer piada. Ou não. Ao mesmo tempo, o estágio onde não cabem mais piadas é normalmente o estágio onde mais se precisa de carinho e doçura e leveza. In the end only kindness matters - isso deixou se ser um STYLE, isso é mesmo regra, é o que eu sinto; não adianta pânico, não adianta tremor e gritos e corridas malucas. A calma é o maior dom, na maioria dos casos. A calma é mais do que isso, é uma necessidade ROOTS da alma. As rimas me perseguem, eu juro que não queria. Risadas. Onde é o mundo secreto das risadas? Será que é o mesmo mundo dos guarda-chuvas? Se um dia eu criar um personagem favorito ele vai morar nesse mundo, disso eu sei. Fora isso, é sempre ficção.

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ESSE É UM MANIFESTO SINCERO POR UMA VIDA MAIS RUSS MEYER
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UMA VIDA EM BEGE E AZUL E CORES PRIMÁRIAS em geral
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UM MUNDO DE BIQUINIS E SALTOS E BATONS
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BREGAS E FACEIROS
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FELIZES NA REAFIRMAÇÂO DO ÓBVIO
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GEORGE ORWELL JÁ SABIA QUE ÍAMOS DESCER BEM BAIXO MESMO, NESSE NÍVEL ONDE SÓ A REAFIRMAÇÃO DO ÓBVIO
É DIGNA
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///////////////muitosjásabiamuitosjásabiam//////////////////
i want to believe?
//////////////você tem uma mulher louca?
você tem uma escritora, uma atriz, uma pessoa assexuada?////////////////
//////////porque eu estou precisando de PESSOAS ASSIM para o MEU filme./////////////
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= eu estou agora um pouco mais suave, doce e carinhosa. eu consigo pensar com mais tolerância sobre a humanidade nesse momento. teufelswerk é uma necessidade. esse blog é a expressão do meu nightMARe pessoal. isso não é o que eu sou.
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ATENÇÃO ATENÇÃO
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isto não é uma gabriela.
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= não me tomem pelo meu pesadelo em forma de vômito. uigh. que nojo. sou mais verbal que visual agora então posso falar vômito porque sequer conseguirei visualizar um vômito agora, por mais que repita: vômito, vômito, vômito; o nojo eu deixo pra vocês. o fedor alheio é sempre pior que o nosso próprio. e isso foi desde sempre. que nem balinhas doces num saco vedado.
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hehe tá.
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vou dormir. beijos. não me liga.
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BRINKS OK TO DOCE
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Minha bipolaridade freak não passa de sucessões e sucessões de inversões cíclicas dignas de Borges. Issa.
Eu não sou obcecada pela Alemanha, só que simplesmente a gente se entende, eu não posso evitar. Igual, nem sempre. Hoje eu estava revisando paranoicamente um artigo sobre algo como Napoleão/Tolstói, Dostoievski/Hitler, sabe? É, eu também não. Tem viagens que às vezes eu penso que simplesmente não tenho mais idade.
Mas aí acontece uma coisa tipo ontem: tô no carro com meus amigos ouvindo uma estação aleatória e daí tá tocando Island in the Sun, do Weezer:
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PODE VER ASSIM:
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OU ASSIM: (mais ou menos como eu vejo: o mundo como uma bagunça de letras-terra)
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Hip hip X4When you’re on a holidayYou can’t find the words to sayAll the things that come to youAnd I wanna feel it too
Quando você está em um feriadoVocê pode não achar as palavras para dizerTodas as coisas que vierem para vocêE eu quero sentir isso também
On an island in the sunWe’ll be playin' and havin' funAnd it makes me feel so fine I can’t control my brain
Na ilha ao solNós vamos estar jogando e nos divertindoE eu me sinto tão bem que não posso controlar meu cérebro
Hip hip X2When you’re on a golden seaYou don’t need no memoryJust a place to call your ownAs we drift into the zone
Quando você está em um mar douradoVocê não precisa de nenhuma memóriaApenas um lugar para chamar você próprioComo nós vagamos na zonaNa ilha ao solNós vamos estar jogando e nos divertindoE eu me sinto tão bem que não posso controlar meu cérebro
On an island in the sunWe’ll be playin' and havin' funAnd it makes me feel so fine I can’t control my brain
Nós vamos fugir juntosNós vamos gastar algum tempo para sempreNós nunca mais nos sentiremos mal
We’ll run away togetherWe’ll spend some time foreverWe’ll never feel bad anymore
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Sabe? Nem eu. Eu simplesmente fico bem. E nessas horas eu não escrevo. É mais ou menos isso que eu tô querendo dizer. Só escrevo quando estou mal. Será que eu escrevo tanto assim?
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Mais novidades no meu livro. Mas assim ó: a gente não gosta tanto de Clube da Luta? Lembra aquele discurso do nós-não-temos-uma-guerra-nós-não-temos-uma-grande-depressão-nossa-grande-depressão-são-nossas-vidas?
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MAN, isso é tão visonário quanto foi 2001 ou Laranja Mecânica ou Angel Mine. É isso que eu quero dizer com a gripe A. Nossa grande depressão será o confinamento com nosso egos e orifícios mais escondidos que teremos que lidar por uma questão de higiene. E falo de orifícios mentais, sentimentais, o que seja. Acho que já não é. Acho que eu deveria enxugar esse texto. Mas não dá. Ele é a minha colcha de retalhos da vez. E minha colcha é colorida. O Maugham me ensinou. E meu vô também E minha vó também. E eu sempre serei essa coisa meio nada sexy sempre-falando-da-família, tipo meio AIGH, te liberta e vira mulher? Haha. Eu gosto de cavar meus orifícios. Mas acho que tô ficando muito pessoal.
Me libertei, vou parar por aqui. No auge é sempre melhor.
Ou não.
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RETOMANDO:
-Quando eu era criança eu enfeitava linhas. Tenho saudade de enfeitar linhas.
-Quando minha irmã era criança ela me perguntou pra que servia um enfeite. Eu disse que não servia para nada, era apenas um efeito. E ela disse: tá, mas pra que serve?
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FINALIZANDO:
-Bolas, ninguém quer saber da minha vida; vocês vem aqui rir um pouquinho, chorar um pouquinho. Sei lá, vocês conseguem SENTIR?
VERDADE:
-Eu juro que eu queria que fosse bom, mas nem sempre dá.
-Eu tenho problemas com despedidas, começando por me despedir da cama, pela manhã.
-Eu adoro sonhar com hotéis cheios de portas.
-Eu amo vocês. De algum jeito meio oríficio que terá que ser limpo algum dia e parece que em bre. Mas... family comes first. I am sorry.
Love,
Gaby
-
-
-Eu juro que
- q

Montag, August 03, 2009

Ai, ai - at heart

Que a gente só dá valor quando perde, eu já sabia; mas eu queria realmente saber qual a mola propulsora desse clichê inegável. TUDO fica mais encantador e romântico quando longe de uma possibilidade de realização. Antes esse TUDO era meio hipotético e até entediante. Agora, quando penso no referido tudo, acende uma luzinha PISC JÁ ERA e eu sou possuída por uma melancolia que chega a doer um pouquinho. Assim, uma pontadinha na superfície coronária. Será que quando a coisa se torna inacessível podemos pensar com mais clareza sobre ela? Será que essa clareza vem do fato de não precisarmos mais tomar uma decisão? Não existem mais escolhas envolvidas então tudo fica mais claro? Eu quero dizer, quando o referido TUDO está disponível podemos pensar em agarrá-lo com todas as forças ou deixá-lo ir. Quando ele já foi, não precisamos mais escolher, o rumo foi tomado. Então podemos lamentar. Só lamentar?

Isso me lembrou uma frase qualquer solta na internet que li essa semana; falava sobre a dificuldade de tomar decisões na minha geração e apontava como principal mola propulsora a diversidade de escolhas que podem ser feitas; era algo como "não conseguem decidir o que vão ser porque podem ser qualquer coisa."

Então eu penso que talvez seja por isso que só damos valor às coisas quando elas se vão. Reduzindo-se o número de possibilidades, é mais fácil agregar valor. Então agregamos valor ao nosso lamento, que é o único que resta? Ó, céus, eu não sei. Admito que ainda existe uma vasta variedade de escolhas a serem feitas bem diante do meu nariz, mas eu não quero fazê-las. Existem os obstáculos, e não se pode negar a existência dos obstáculos. Eu diria que a própria vida é um tremendo obstáculo para a própria vida. Estar vivo é uma possibilidade muito vasta para que o valor seja agregado. Ó, céus. Mas não era disso que eu queria falar. Eu queria falar de como dói pensar que eu poderia ter ido e simplesmente não fui, e era tão claro que eu não queria ir. Ok, talvez não fosse tão claro. É que, simplesmente, a escolha IR envolvia uma gama de outras escolhas que eu não estava preparada ou não queria fazer. Uma escolha sempre envolve uma gama de outras escolhas e, no fundo, esse deve ser o problema. Quando a escolha que colocamos no centro PISC JÁ ERA, nem pensamos mais nas escolhas periféricas envolvidas. O fracasso da possibilidade desperdiçada toma o centro. O atacante culpa-dúvida-chocolate ataca e GOL. Talvez o importante mesmo seja pensar que as escolhas periféricas continuam ali. Zagueiras? É, talvez eu precise começar a usar melhor o meio-de-campo. E aí volta minha dúvida de preenchimento do vazio-da-fé: devo tentar a religião ou o futebol?
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Uma coisa é certa: preciso abandonar essa forma derrotista e resignada de defender minha inércia em relação às escolhas periféricas: "no fundo eu devo ter feito a coisa certa, simplesmente não era pra mim", "se fosse, teria sido."
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Essa é, na verdade, uma maneira muito preguiçosa de pensar, com a qual eu já me habituei, "o que é teu tá guardado", "escute seu coração". Não sei, sabe. Não confio mais no meu coração, e acho que aqui tenho realmente um grande problema. Eu acho que deveria ouvi-lo, mas não confio nele. Como tornar um coração confiável?
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Grande coisa saber o que precisa ser feito, quero saber da onde se tira FORÇA pra fazer, e nisso o cérebro não ajuda, pra isso é preciso confiar no coração. Como faz?
Viu? Não adianta, tudo sempre acaba no cérebro, e é isso que me mata.
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Sonntag, Juli 26, 2009

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Deutschland


Presente.

falta de amor falta de amor

"There's no other place where we so quickly divide humans into two categories as sex."

---- Gerald N. Callahan,
aqui:

http://www.salon.com/mwt/feature/2009/07/07/xx_xy/index.html


"There is currently no known cause for Turner syndrome, though there are several theories surrounding the subject. The only solid fact that is known today, is that during conception part or all of the X chromosome is not transferred to the fetus."

--- Wikipedia

Freitag, Juli 24, 2009

sobre mergulhar no frio

o sufoco profundo do inevitável que se pode evitar, a sensação gelada opcional dos lares na américa latina. cinco televisões de última geração e nenhum aquecedor barato. enquanto europeus aquecidos em pubs verde-musgo entornam suas cervejas quentes, latinos bebem skol 2,50 num bar de calçada qualquer, 12 graus. hello, mr. soul. sazonal é o vento nas cabeças petrificadas pela areia que voa impune na praia benditamericana. eu quero uma oração que não o deixe, triste, senhor. eu quero uma culpa que me dignifique até as raias da loucura cega segura. eu quero um pathfinder, um relógio e uma música. eu quero a leveza, a tristeza e as novidades que não vão embora. é preciso dar um tempo para a mente, ele dizia, na volta do museu, se recusando a ir ao cinema. alguns chás modificam o dna para sempre, ele dizia. eu devia ter perguntado a ele o que estava acontecendo, será que um dia saberemos? precisamos de frases alheias e óbvias porém consagradas por nomes de poetas e filósofos e sociólogos para legitimar nossas certezas? a gente sempre sabe. o beck faz bem para o cérebro e mal para o corpo, ele dizia. ele dizia tantas coisas que eu nunca mais vou esquecer, e agora como uma louca do teclado vomitando sem maiúsculas nada faz o sentido que deveria fazer. ah, tudo tão pessoal e incomunicável. tudo tão irônico e aparente e humano.

www.kaliyuga.org




êba, outra crise.

“Every time you feel pride, you should contemplate that, spiritually, you are nothing because you have no realizations; as a human being, you are nothing because you are as immersed in samsara as any other sentient being; any praise or critic you receive means nothing because it comes from people as confused and immersed in samsara as yourself.”

Chagdud Tulku Rinpoche

Donnerstag, Juli 09, 2009

Querido Diário.

Eu acho que deveria escrever isso para o mundo... devo escrever isso para o mundo ou para o diário?

Mittwoch, Juli 08, 2009

bomdiabodbylan

uma noite virada
trabalhando
um trabalho
entregue
com o sol da manhã

seguido do cigarro
do dever
cumprido

true
like
eyes
like
fire

nada melhor que essa sensação
de produzir
de fazer parte
de algo

algo maior
que pode ser pequeno
mas aqui dentro
é grande
que nem lá fora
é dentro

minhas pálpebras
cansadas e felizes
e as olheiras fundas
dizem na verdade
que o corpo envelhece
mas a alma com o
trabalho
rejuvenesce

o prazer que
o homem sábio
traz aos meus ouvidos
nessa manhã
de dever cumprido
é um abrigo
um abrigo que só
o é
por que uma hora
choveu


o trabalho é um abrigo
não é um fim
não é um meio
não é um começo

é só o agasalho
de todos os frios
e um telhado
pra todos os vidros.

o trabalho não compensa
o trabalho é ele mesmo
uma recompensa
(óin)

stop crying your heart now
e digo isso com a manhã nos ouvidos
o sol no nariz
e a certeza de nesse momento
só nesse momento
ser truely
feliz
(clap clap senhorita)

Sonntag, Juli 05, 2009

vestida de preto e pranto

eu vejo os casais
o garoto de 20 anos
seduzido pelo decote
de 20 anos

todas as pessoas na noite
tem 20 anos
e estão vestidas
de preto e
pranto

eu estou bêbada
e o vampiro
é legal

e outras pessoas
nem tão legais
que se fodam

que se fodam
muito

estranhos
de merda
morram

motorizados a gasolina de combustão lua-cheia não chega. oh, céus, eu estou estão tão bêbada e quer saber, HELLO STRANGER, BYE BYE STRANGER. chega dessa boabgem de conexão espiritual com esses abobados de merda. fodam-se. o vampiro é legal, é true e sabe da vida. sim, você deveria mesmo temer uma garota ancorada num vampiro. você deveria se afogar num rio de lágrimas por perder uma pessoa tão afudê quanto eu. veja só como eu machuco as pessoas! eu e meu tecladinho! ah, me poupem e assumam-se. travestis de alma fakes e enganadores. fiquem longe do meu coração, ele é bom demais pra vocês mesmo. fiquem com suas relaçõezinhas descartáveis. uma semana de sintonia profunda e o resto da vida como mais um quadradinho na orkut. ah, vão se foder mesmo; não vocês: AMIGOS; fiquem onde estão, amigos. eu sou muito retardada. isso não faz sentido. eu vou acabar no hospício, nós dois vamos; mas tu é muito mais idiota, porque se leva tão a sério, sabe. já dizia o velho buk: é tão fácil ser poeta e tão difícil ser homem. ai, sabe. tomar no cu. tomar em todos os lugares que te agradem. oh, como eu sou ofensiva no meu tecladinho e como devem ser levadas a sério pessoas que escolhem TÃO BEM suas amizades. tenho orgulho de viver no meio de pessoas tão sensatas que não conseguem se libertar da educaçãozinha mulambenta que receberam na escola e se acham tão conscientes espiritualmente. espírito tem a rebordosa. assumam-se e festejem, porquinhos da noite. aterrorizem-se terráqueos, com tamanha estupidez no garoto de 20 anos quando olha abismado e apaixonado pra menina mais idiota do mundo com belos peitos num decote da moda na pista de dança do momento. affe. tudo a mesma coisa. você e sua espiritualidade de internet, os guris e seus amores de pista de dança. nada vem de dentro. que triste essa porra de planeta terra. vamos desenhar outro planeta? fico com meus lápis de cor e deixo vocês com essa bosta de mundo virtual terráqueo.

Mittwoch, Juli 01, 2009

viva o sexo selvagem musical!

Sabe, acho que eu vou ter 40 anos e ainda vou escutar Love Minus Zero e achar que as coisas são realmente simples e legais quando a gente se esforça para vê-las assim. A gente vive em função do outro, essa é a real. Essa coisa de saber demais pra julgar ou argumentar, céus, isso é muito divino, Bob Dylan. Não é assim. Não tem ninguém assim; mas PODE ser assim, se você SENTIR assim, entende? Não é uma questão de PENSAR positivo e sim de SENTIR positivo. Acho que pensar SUAVE pode ser o que eu quero dizer com "sentir positivo"; falar como o silêncio: sem ideais nem violências, mas com olhos de fogo? É, Dylan, mais ou menos isso. E, céus, como ele é bonito; como a beleza e a elegância e a genialidade podem sim ocupar um mesmo corpo. Bob Dylan. Eu tinha um namorado que era assim. Ele era provavelmente o que você chamaria de mau-caráter; é, com certeza bonzinho ele não era mas, de fato, ele era genial e lindo e elegante. E eu era louca por ele. E só agora, passados alguns anos e algumas letras do Bob Dylan, eu consigo começar a entender o que me atraía tanto nele: era essa suavidade de pensamento. Ele não problematizava muito as coisas mas, ao mesmo tempo, não era vazio, entende? Uma alma sutilmente substancial. Era absolutamente fascinante o modo como ele demonstrava que estava me entendendo sem problematizar nada, com um silêncio absolutamente sábio, do tipo que se deleita com as palavras alheias e se desculpa com atitudes e ritmo ao invés de palavras. Por exemplo, uma vez que ele se atrasou, logo depois ele roubou uma rosa, do jardim da delegacia de POLÍCIA, e me deu. Era a rosa mais vermelha e linda que eu já vi; eu tinha ficado olhando pra ela fascinada quando a gente passou pela frente da delegacia, que era a caminho do nosso destino. Eram umas doze rosas, na verdade; enormes, expressivas, com cara de bem-cuidadas e protegidas: eram filhas da rosa neurótica do PEQUENO PRÍNCIPE; eu pensei. Rosas de delegacia! E meu namorado, um verdadeiro pequeno prínicpe, pulou o muro da delegacia e me trouxe uma delas. Pois é, ele era assim. Ousado?
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Ele não entendia porque eu problematizava tanto as coisas, mas era capaz de ficar uma noite inteira ouvindo as minhas problematizações. Passamos algumas boas noites de inverno vagando bêbados pela cidade com uma garrafa de conhaque sempre comprada no Zaffari, e eu falando sobre despertar de mágicos, nove luas, mil universos e Hermann Hesse. Eram boas noites mesmo, e eu quero dizer noites que duravam até às 8h, talvez 10h da manhã. Lembro de uma vez que a gente foi parar numa cobertura que parecia um legítimo ap de Nova York, algo assim ao estilo Woody Allen; bem simples, tipo um super JK, mas com uma simpática cobertura e livros, discos e cervejas por toda parte. A gente nunca sabia onde ia parar e era divertido; a gente só se olhava nos olhos e sabia que ia ser divertido. E o sol a pino. E eu de óculos de sol e blusa florida pegava na mão dele mas, pensando bem, nesse dia a gente nem era mais namorados. Depois de acabar o namoro a gente continuou saindo pra conversar bobagens, ou melhor, pra eu falar as minhas bobagens e ele me brindar com sua compreensão silenciosa, humilde e sábia. Que coisa! E não é que a gente continuava a vagar bêbados pelos invernos que amanheciam quentes em coberturas loucas? E depois a gente sempre terminava tomando um café no bar da universidade pública da nossa cidadezinha vulgar. Era engraçado ver as pessoas indo pra aula enquanto a gente voltava da noite. Eu tinha vontade de ser aquelas pessoas; eu lembro de falar pra ele que eu era metade uma louca da noite e metade uma pessoa daquelas. Eu tinha lido no Demian do Hermann Hesse sobre a aflição do boêmio ao contemplar as criancinhas em suas roupas limpas e brancas de uma manhã dominical. Eu não lembro o que ele disse; provavelmente ele disse "vamos fumar um cigarro no sol" ou algo assim. Não, pensando bem ele não diria isso. Ele nunca fugia de nenhum assunto; era silencioso, porém atento. Um tanto vaidoso, é verdade, mas realmente uma graça de guri - em todos os sentidos que podem ser atribuídos à palavra graça. Ele não era místico e provavelmente fosse ateu, mas com certeza ele diria que acreditava em Deus se a ocasião pedisse; ele diria "mas é claro", e baixaria a cabeça para rir cinicamente com sinceridade. Será que esse garoto foi um dos grande amores da minha vida? Ficamos pouco tempo juntos pra saber, mas o suficiente pra sentir de verdade essa simplicidade das almas sábias. Ah, não sei se ele era uma alma sábia, mas eu gostava do jeito como ele priorizava as sensações ao invés das reflexões e problematizações. Por exemplo, como eu ia dizendo, ele não era místico; mas quando a gente acabou ele disse pra um amigo que era óbvio que ele não poderia dar certo comigo porque, céus, eu era capricorniana! Sabe?


Ser simples é a coisa mais difícil do mundo, mas fácil é uma palavra que não pertence ao vocabulário adulto; só que, paradoxalmente, como pode ser tão simples ser difícil? E tão fácil?

E o que eu queria dizer lá em cima, sobre viver em função do outro, na verdade, é bem simples; é aquela coisa: se você não quer que os outros saibam, não faça; é viver de acordo com "como você gosta de ser visto"; se você realmente entra a fundo nisso, você realmente começa a SENTIR isso? Que você É isso? Você tem uma vida secreta? Pois então vamos mal, assim fica tremendamente mais difícil; é preciso tornar simples os segredos, quem sabe tornar ficção, quem sabe tornar música, quem sabe entornar cerveja e tornar mijo os segredos. Eu acho que eu falo coisas nojentas, às vezes.

Eu lembrei hoje de um diálogo, SIMPLES: um cara me disse que tocava bateria, eu disse pra ele que bateria era difícil, ele me respondeu que tudo na vida é difícil. E depois ele olhou bem pra mim e tirou uma foto da minha cara. Tudo bem, nada demais até aí; porque o incrível mesmo não tá nas palavras (e talvez ele quisesse dizer isso quando tirou a fotografia - talvez não, mas eu gosto de pensar que sim), o incrível era o rosto calmo e SIMPLES que ele exibia ao mesmo tempo que me dizia que tudo na vida era difícil; ao mesmo tempo que ele me dizia que as coisas eram todas complicadas ele exibia aquele semblante despreocupado que só os meninos de 20 anos tem. Sabe? Eu penso demais sobre as coisas. Eu quero sentir melhor. Eu quero sentir as outras pessoas; um escritor precisa de humildade e não de talento. Eu acho.

Obrigada, leitores fiéis. Eu amo vocês; deveras. Eu acho né, eu acho. Ou eu procuro, vai saber. O importante é não problematizar.
Será?
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Dienstag, Juni 30, 2009

a garota com a cortina vermelha nos olhos.

então é o seguinte: essa garota aqui não sabe qual é o problema. ela é minha colega de trabalho; eu a vejo todos os dias com sua caneca da disney lotada de nata gorda nescáutica, ela e sua inseparável caneca-paraíso-chocolatal-de-calorias e seu notebook. ela é bonita, a garota. os garotos gostam dela. gostam mais dela do que de mim, que sou uma mulher. a diferença entre garotas e mulheres é que as mulheres conseguem falar de medo porque não tem medo, de fato. as garotas não compreendem o próprio medo e por isso não falam a respeito dele. as garotas são silenciosas e confortantes. as mulheres são questionadoras e neuróticas.

eu tenho certeza que essa garota aqui tem medo e não sabe. o primeiro sintoma do medo incompreendido é a paralisia. minha colega de trabalho já teve vários problemas com nossos superiores, não por incapacidade, mas por paralisia; ela paralisa afu quando está prestes a fazer alguma coisa que ela sabe que é útil e importante para a coorporação. essa garota fica tentando achar sempre uma uitlidade mais pessoal para o que está prestes a fazer. eu percebo isso, porque ela deixa de fazer as coisas úteis para a coorporação de modo que possa navegar na orkut, por exemplo. e ela fica ali, a coisa por fazer, pairando numa onda de esperança, tédio e paralisia. ela simplesmente clica 40 vezes por minuto no link do seu perfil; é uma reafirmação da sua existência pessoal que não se curva aos interesses da nossa coorporação. um vídeo do youtube travando na tela do seu computador ilustra muito bem a situação: a garota não se mexe para baixar um soulseek, a garota não se esforça a baixar umas músicas num blog qualquer. ela fica ali simplesmente usando o youtube quando quer ouvir uma música, e a música nunca flui sem interrupções, assim como a vida: enquanto a imagem carrega o som falha. veja bem: enquanto as aparências tomam forma, os sentidos se perdem. nada é muito pelo prazer em si. se ela deixasse de fazer os serviços que lhe cabem para comer um sorvete, eu entenderia, quem sabe. mas os doces também tem um caráter meio compulsivo. oh, céus. essa garota deixa muito claro pra quem não quer ver que a gente vive numa era dominada pelo transtorno obssessivo compulsivo.
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a garota não faz muito sentido e sabe disso. a garota quer falar com o coração e não consegue; ela vive em 2009, mas ainda segue o conselho da banda hippie de décadas atrás: "eu não sei dizer nada por dizer, então eu escuto."

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"esse é o nosso som favorito, mas não foi a gente que escreveu"; assim diz o radiohead tocando smiths. assim eu acho que a garota se sente: as coisas favoritas dela não foram feitas por ela. as coisas favoritas dela nunca serão feitas por ela; ela tem medo de fazer coisas que não possa chamar de favoritas. a garota youtubal está perdida em algo que chama de coração, mas na verdade se chama substância química.

eu sei que ela se droga no recreio; eu já a surpreendi no banheiro com folhas de durex adaptadas para enrolar baseados.

a garota não percebe que seu corpo/máquina é uma máquina tanto quanto a engrenagem youtubal.

pra sempre assistindo o amor crescer; inebriada pelas imagens/sons alheios/construídos/para ela.

totalmente químico e irreal.

e o que é real hoje em dia?

frank zappa disse que não se faz mais rock como nos 60 porque os indies tomaram conta; antes as gravadoras pegavam qualquer coisa que tivesse guitarra e uma batidinha e era isso, depois chegaram os caras que "entendem", começaram a "escolher" e cagaram tudo.

é isso. antes as pessoas simplesmente faziam seu trabalho sem se questionar, o que realmente importava era o funcionamento e a eficácia e o lucro - me refiro a todo e qualquer tipo de lucro. - hoje as pessoas se consideram muito espertas para se curvarem a esse simplismo; tudo precisa de um significado mais pessoal, único, cósmico, intuitivo, sensível e ilusoriamente grandioso, mas, na verdade, não passamos de egocêntricos pré-fabricados nos anos 70; somos todos como garotas silenciosas que inevitavelmente se tornam mulheres neuróticas.

a garota do meu trabalho quer um mundo para ela. a garota já sabe que não existe esse mundo só para ela, mas ela não quer outro. ela prefere ficar então com o seu youtube travado. ela espera que algo aconteça sem um esforço vão. nunca mais tivemos músicos como beethoven ou pensadores como freud, por exemplo. a pergunta da garota é: pra que tudo isso?

o passarinho respondeu: au-au.