Mittwoch, Mai 13, 2009

angústia

"People don't really matter," he said, rather unwilling to continue. The mother looked up at him with sudden, dark interrogation, as if doubting his sincerity."How do you mean MATTER?" she asked sharply."No many people are anything at all", he aswered, forced to go deeper that he wanted to. "They jingle and gigle. It would be much better if they were just wiped out. Essentially, they don't exist, they aren't there."She watched him steadly while he spoke."But we don't imagine them," she said sharply."There's nothing to imagine, that's why they don't exist."
(D.H. Lawrence, "Women in Love", 1921.)
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Pois é, tô lendo esse livro. E ando escutando Vanguart de novo. Aquela pilha "é palha, mas eu curto". Ok, me deixem no meu quarto à vela, obrigada. Eu ando com angústia de não-quero-ir-não-quero-ficar. Eu ando com angústia de coisas escuras e que se movem, ando com vontade de não ser eu. Que importa é o que me parte em duas cidades, que me faz acordar de manhã? Não sei mais. Eu nunca soube. Ah, e eu tenho tanta vergonha de dizer. Andei lendo umas coisas sobre a não-realização de idéias borbulhantes e consumadas; esperando por uma alma capricorniana sem crise. Tô falando de produzir, tô falando de sermos conhecidos por aquilo que produzimos, sobre a nossa aparência ser totalmente baseada nisso. Realizar? Ah, ter idéias é tão mais divertido, enrolar é tão mais divertido. Essa minha escrita de mulherzinha toda enfeitada sem conteúdo acho também uma graça, às vezes. Outras não quero mais. É tão difícil entender o que eu escevo? É tão difícil entender Saussure? MAN, não é pra entender. Simplesmente essa é a chave: entender que não é pra ser entendido. Tão difícil sentir? Pô, é sempre pra ser tipo PISTAS do meu coração. Ah, eu tenho tanta coisa pra fazer e eu ainda me sinto tão ridícula por ocupar esse espaço, mas eu preciso desocupar o espaço da mente no qual a angústia passeia meio com pressa meio com tédio de sair. Daí eu dou assim uma forcinha. Ah, eu não quero ir embora, eu quero ficar aqui onde estão as pessoas perdidas em si mesmas com vontade de se encontrar nas sutilezas mais lost-art-of-being-silly, sabe? Ao mesmo tempo, eu quero produzir. Eu quero fazer. Eu quero ir.
Ah, que coisa de fumeta.
Tchau.

Donnerstag, März 19, 2009

violência e força, novos ângulos

Assisti hoje 'Knalhart', do diretor Detlev Buck (de 'Aimeé & Jaguar') curiosamente protagonizado por ninguém menos que David Kross, o jovem Michael de 'Der Vorleser' ou 'O Leitor', que tanto anda incomodando os críticos de cinema alemães. Michael aparece na imprensa cultural alemã deixando uma áurea de jovenzinho babaca e um adulto eterno adolescente.

Vamos falar David Kross, de 'Knalhart' ou do polêmico 'O Leitor'? Difícil escolher, pois fico na verdade hipnotizada pelo assunto David Kross. Não é segredo minha queda 'born in 1990'. Fico tão vidrada naquela beleza inocente e limpa, que me ofusca o propósito de uma avaliação mais, digamos, NÃO-CONDICIONADA do filme. O que é uma besteira, já que tudo é condicionado e nada é original, já dizia a professora de Semântica do Texto. Mas enfim, só quero dizer que minhas partes preferidas de ambos os filmes são as protagonizadas pelo mancebo David Kross. Nada mais. 'Knalhart' me lembrou 'Kids' e me lembrou 'A outra história americana'. além do inevitável leonardodicapriano (esse não curto, nem o ator, nem o filme) 'Diário de um adolescente'. Sempre saio chocada quando me deparo com um filme que retrata aspectos da vida adolescente masculina que garotas desconhecem empiricamente; e, fazer, com um filme, um a mulher sentir dores de um garoto adolescente é, no mínimo, bonitinho. Então, eu gostei do filme. Também pela trilha sonora, que tinha até Beck, e umas coisas alemãs meio punks, meio bobocas-faceiras, que preciso procurar. Eu saí do cinema me sentindo o David Kross. Difícil explicar. Antes do filme eu estava bebendo uma coca zero na frente da CCMQ quando um mendigo disse 'medá o refri?' e eu dei, e ele ficou tomando com uma cara de RÁ RÁ vou tomar tudo olhando bem pra tua cara, e me perguntando coisas dotipo 'tu GOSTA de coca zero?','É bom, né?'e eu 'Arram', e ele 'Tu vai lá no Bambu's né? Já te vi lá. Tu não vai no Opinião né, vai o mesmo pessoal lá do Bambu's' e eu 'Bah, não tenho saído muito' e ele 'Ah, tu estuda né.. E trabalha né.. Pois é.. Eu também estudava.. Eu também trabalhava, mas eles não quiseram me ajudar e agora então eu quero EXPLODIR eles'. Eu queria falar 'É, acontece', mas nada eras ser sarcástica com mendigos. Enfim, curioso que esse diálogo tenha ocorrido bem antes de eu assistir um filme de violência e tal. Na verdade, curioso também que em outra sala estava passando também um filme sobre violência teen, mas francês, e com meninas.

Finalmente, a richa dos alemães com 'O Leitor' (tanto o filme quanto o livro, que saiu em 1995; curiosamente final do mandato de Kohl, chanceler alemão que ficou maisde 15 anos no poder), é que a historinha do filme, segundo eles, coloca no mesmo nível de gravidade as dores do coração e as dores do nazismo; ou seja, não é um filme que PUNE o bastante, no caso, as atrocidades em questão (Hannah ter deixado mulheres queimando até a morte e ainda sair meio de musa, meio de boazinha + o juíz um tanto passivo). Eu entendo que eles acharam que o filme pegou muito leve com a personagem da Kate Winslet. E que eles acham meu muso um babaca. Recorrente na ficção e na vida.

Sabe, eu ando até com medo de falar essa palavra, 'nazismo'. Parece estranho que na Alemanha ainda seja tabu falar sobre isso mas, em termos de história, precisamos reconhecer que é um trauma bastante recente. Isso se reflete não só nesses filmes que assisti (que dão a impresão de não relaxarem e gozarem jamais) como também no preconceito das pessoas em relação à língua alemã, a qual consideram 'ríspida', 'dura', etc. E eu me pergunto, tá, e daí? Rispidez & Frieza é feio? Ou é só um reflexo? Os reflexos precisam ser compreendidos? Há beleza no MAL? Puxa, eu amo o lado BÖSE da vida. Ângullos, energias e tal. Ah, cansei. E reconheço que só assisti 'Ein Freund von Mir'por causa do Daniel Brühl, além, obviamente dos motivos culturais e profissionais envolvidos. Enfim, preciso parar com essa coisa de ir no cinema.

Meu irmão está assistindo um programa esportivo na TV e estou me desconcentrando, com o texto sobre 'discurso e subjetividade' piscando na minha testa. Vou aos objetivos 'massa', boa noite. Saudade brasil.

SOBRE RECONHECIMENTO, again:

Ah, já ia esquecer: que bonitinho o escritor falando pra menina de 16 anos, na beira do lago, em 'Der Nachmittag', que uma alma fica mais bela quando se vê reconhecida por outra ^^

hasta.

Mittwoch, März 18, 2009

Bizarrisses da vida

Muito interessante que, na língua alemã, o termo 'paixão' tem totalmente a ver com 'sofrer'.
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"Leidenschaft", que significa "Paixão", é composta por "leiden", que é o verbo "sofrer"; mais especificamente, 'sofrer por amor', lamentar uma 'dor da alma'.
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Ao mesmo tempo, a expressão 'gut leiden können' (können vem de 'kann', que é o verbo 'poder', 'conseguir', em português; ou o modal 'can', em inglês) quer dizer GOSTAR ou SIMPATIZAR com alguém. Contraditório? Eu acho. Mas tem a Paixão de Cristo e tal. Talvez sempre tenha sido, mas não me arrisco.
===> Só sei que, em alemão, a falta de paixão na alma, ou melhor dizendo, um 'leidenschaftlos' (los- sufixo de 'não ter'. Loser e tal, ah, vocês sabem) é um cara impassível, frio e objetivo.

Tudo isso pra dizer que hoje assisti um prazeroso filme alemão, chamado 'Entardecer' ou 'Nachmitttag', da diretora Angela Schaneiec, que nunca tinha ouvido falar. Trata-se de um filme sobre o confinamento voluntário, na minha opinião. É verdade que, como em todo filme alemão 'alternativo' (entenda-se aquele que não se destina 'explicitamente' ao circuito padrão), o confinamento vale também para a câmera quando se confina nas portas, janelas e mesas abandonadas. Quero dizer uma tendência de deixar a câmera parada em objetos ou ambientes geralmente familiares. Como em 'Ein Freund von Mir', depois que os atores deixam a mesa em um café, saindo de cena, a câmera ainda continua onde está, sem seguir os atores, ou seja, na mesa vazia, somada apenas ao movimento da rua. Também percebi em 'Schläfer' (Adormecido), a câmera geralmente priorizando a estabilidade dos objetos, ao invés do movimento dos atores. Como em uma das cenas mais importantes do filme, quando dois cientistas estão observando a mesma molécula, a molécula que mudará suas vidas para sempre. No entanto, nessa cena, não vemos os olhos dos cientistas, mas sim uma câmera obcecada pela máquina que os auxilia e cobre seus olhos dos olhos do espectador.

Me parece uma procura alemã atual por 'ângulos', e acho que eles estão certos. A estabilidade que buscam os alemães está na busca pelo seu 'ângulo' interior. Percebam que um ângulo, originalmente, nada mais é do que uma figura geométrica formada por duas retas que se cruzam ou duas semi-retas que partem da mesma origem. ------><------


E aí voltamos ao ângulo paixão/sofrimento. O que acontece é que nesse filme que assisti hoje, 'Nachmittag', em certa altura, o filho pede à mãe que essa lhe tenha 'Mitleid' (Compaixão) e ela diz ter, e ele diz que não, que ela tem que ter REALMENTE, e então ele usa o verbo 'leiden', para dizer o que em português ficou 'não, você tem que ter realmente, você tem que sofrer junto comigo'.

----- pausa pra refletir-----

Agora percebam que na tradução para o português, com 'compaixão' e depois 'sofrer', perdeu-se o jogo de palavras 'mit-leid' (COM-paixão) e 'leiden' (sofrer POR paixão). E não poderia ser diferente, apenas uma constatação. Constatação que levou a toda essa reflexão para a vida; não, eu não vou dizer que cheguei a conclusão de que se apaixonar é igual a sofrer.. Eu sei de todas as ideologias e crenças e cultural e o caraleo que isso envolve. Eu apenas quero dizer que é tudo uma questão de ENERGIA: a VIBE dos alemães e tudo mais. Quando eu comecei a estudar realmente alemão eu estava a procura de disciplina. Sempre que alguém me perguntava por que diabos eu estudo alemão (muito frequente), eu tinha vergonha de dizer isso. Eu sempre dizia que era por gostar da filosofia e cultura alemã etc. Mentira. Eu estava ouvindo uma música do Kraftwerk no carro da família, voltando de Pinhal Beach, e decidi que faria alemão. Meu irmão está de prova, acho que ele tinha uns 8 anos na época, mas hoje está com 12 e ainda lembra. Lembranças são interessantes. Bom, mas não quero desfocar.


Eu estava falando de ENERGIA (capslock é uma questão de organização), e comecei a pensar na energia, não só pelo fato de estar meio mística ultimamente, mas pelo fato da ação/reação. Toda questão do sofrimento talvez esteja no fato de a gente ter desperdiçado muito energia anteriormente. Algo como: insistir demais na intensidade de um desejo = muita energia = enfraquecimento da energia reguladora da possibilidade de materializar o desejo, como reação. Entendem? É como 2+2=4, se fosse 3+1, também seria quatro, mas se fosse 6+1, não seria quatro. É claro que é ilógico. E o que não é? Os filmes alemães que eu assisti, talvez. Eram bem lógicos, o que resulta numa comédia densa, se é que vocês me entendem. Mesmo a comédia deles é fria. Mas a gente precisa desse contraponto. A falta de lógica se dá no fato de os contrapontos serem necessários mas, ao mesmo tempo, um contraponto muito exacerbado extrapola energia.

Bom, tudo isso me remeteu a dois ditados populares, um materno, e outro de algum livro que não lembro, pode ter sido de física quântica, pode ter sido de algum autor inglês louquíssimo ou pode ter sido do Paulo Coelho, mas parece um ditado popular e é legal:

1. (materno): não foge do que te procura, não procura quem foge de ti.

2.(da cultura obscura ofuscada pela memória) o primeiro passo para não conseguir uma coisa, é desejá-la muito.

Bom, agora me dei conta que essa última com certeza não foi do Paulo Coelho, pois ele diz que quando a gente quer muito uma coisa, todo o universo conspira a nosso favor. Mas enfim, não quero dizer que desejar atrapalha, é claro que é necessário ter objetivos e etc, mas para isso é melhor ter um objetivo massa, tipo a língua alemã, do que algum outro que esteja te dispendendo muita energia sem resultados, e É CLARO que você não terá resultados, queridinho. Só o fato de estar se sentindo querendo DEMAIS já DESFOCA, e mostra que há algo errado. É um DISTÚRBIO. Além do que, o estudo de uma língua não te permite FORJAR resultados, e é isso que eu estava querendo dizer quando falei sobre a DISCIPLINA. Pra mim, pessoalmente, é relativamente fácil fazer uma prova de literatura sem ter lido NADA e tirar uma nota máxima com estrelinhas e comentários felicitativos. No entando, é impossível realizar uma prova de gramática alemã ou uma tradução sem ter estudado NADA. Não há como enganar e portanto, isso significa, na minha relfexão, que é um esforço que compensa, na medida em que é possível MEDIR os seus resultados pelo RESULTADO. Eu amo literatura, eu preferia mil vezes ir ali ler meu Kurt Vonnegut agora do que traduzir uma resenha alemã sobre "O Leitor" (os alemães estão putos com esse filme, mas esse é outro post), mas né, eu preciso desses ângulos.

Obrigada mais uma vez, foi outra ótima conversa. Me sinto cada vez mais sincera, mas normal que primeiro seja assim meio frio, né.

^^ bis morgen ^^

Sonntag, März 15, 2009

Eu escrevo

direto no corpo do blog. Sempre. Não vou corrigir os errros de ortografia dos dois posts anteriores. Apenas dizer que no fim estou ouvindo Neil Young.

Não quero esquecer

das coisas que aprendo.

Vou trocar o vinil. Neil Young pra despedida. Chega. Tá ficando ridículo. Ridículo não merece despedida, ridículo merece BRINDE, e por isso vou ouvir o Nat King Cole. E fumar um cigarro? Nããão. Tenho algo melhor. Tenho minha mãe. Tenho meus papéizinhos. Tenho esse seu olhinho me espionando, safadinho. Que horror. "Amante da vida". Tsc. Eu não quero esquecer de nada, vou treinar: Goethe me parece um cara bastante revoltado com as questões religiosas e de castas. Eu acho que ele não aceita muito bem sua condição, mas não exatamente por ser a sua condição específica, com dificuldades específicas, mas simplesmente por que toda dor vem de não poder ser outro. Talvez eu esteja meio profunda. Nat King Cole me salvará. O adstrigente também. A boate acaba com a pele dos semi-idosos-meia-idade-adulta-pós-adolescentes. Ah, eu também odeio especializações. Ah, o Nat King Cole é tão bem-humorado. Nada pode ser levado a sério num sábado à noite, essa é a verdade. "Die Wahrheit". Ando tão inserida nos trabalhos tradutórios que quando profiro uma frase já automaticamente penso como ela se construiria em alemão. Ah, eu sou louca. Acho que Goethe também era. Goethe não teve foco durante toda sua semi-idosa-meia-idade-adulta-pós-adolescente. Goethe queria foco, talvez utilidade universal. No fim ele diz que deveria ter sido médico. Não sei. No fundo é sempre reconhecimento, ou começa assim ou termina assim. Sei lá. Boa noite. Reflitam. E não 'se achem', isso é muito feio. Contar vantagem é clichê, seja pela estética ou pelo poder. Acordem. Ou durmam. Sei lá. Cada um sabe de si. Eu sei que gosto de conversar com vocês. Eu adoro não saber se é hipotético ou não. Eu adoro palavras, eu adoro a minha janela e essas nuvens brancas-gris de uma madrugada exausta. Eu adoro o cansaço e o sentimento de dever cumprido. Dever? Uma piada, talvez. Talvez não, talvez como em alemão, "Dienst", serviço. Palavra de ordem. A recorrência das palavras é determinante. Mais dois são quatro, quase quatro e meia. Tô louca, poetizando indecentemente, me deixando levar por sei lá o que. Enfim, o importante é que eu me divirta, imagino. E torço. Otimista. Fã de auto-ajuda. Malandra. UHu.

Boys don't cry

É que hoje pra mim é o dia da nostalgia. Encontei uma amiga de infância na boate. Ela me abraçou extremamente forte e disse que tinha visto minhas fotos no orkut, disse que o modo como eu segurava o copo de ceva nas fotos da orkut revelava minha essência, e que quando ela as observava, pensava 'porra, eu conheço a Gabi!'. Aquilo me comoveu. Nós costumávamos brincar de Barbie. Barbies milionárias. A minha era sempre a modelo mais bem paga do mundo. Mas um dia, não sei como, a coisa desvirtuou. As personagens secundárias se sobressaíram. Acontece que por algum motivo a empregada da modelo mais bem paga do mundo e a empregada da personagem de minha amiga entraram em algum tipo de desacordo. Brigaram, choraram. As Barbies. Bem, na verdade nós. Enfim. A amiga na boate de casaco xadrez, short e salto alto vermelho disse: "Tu foi minha primeira amiga. Eu sei que tu fez muito mais coisas do que eu, viveu mais, mas tua essência é a mesma". E eu disse "eu não vivi porra nenhuma, qualquer uma de vocês viveu mais que eu, tu constituiu família, a outra teve êxito monetário etc e eu, eu sou a loser da galera" e ela disse "na verdade tu fez o que todo mundo queria fazer mas teve medo", acho que ela também falou algo como "a vontade de ter filhos foi maior" ou sei lá. Sei que me sinto titia, sei que me sinto um adendo, um acessório, algo que não BROTA. Não sei explicar. Eu vi dois filmes sobre nostalgia hoje. O primeiro era um documentário colombiano que consistia em simplesmente um vídeo de férias familiar prolongada com lindas cenas que se sobressaíam por datarem mais de três décadas ou algo asssim. Cansaço da singeleza. O outro era um argentino tosquíssimo muito engraçado, "A VELOCIDADE É A BASE DO ESQUECIMENTO". Demais. Eu realmente não acredito que aquela trilha sonora e aquelas expressões faciais sejam dignas de serem levadas a sério, mas o filme é muito divertido e esclarecedor num sentido "MÍSTICO". "Não existem casualidades" ou "um país que não pede pra ser deixado não é um país, é um cemitério ou um museu". Tanto faz. É tudo tão particular, no fim. Mas no fundo tão afundado quanto qualquer meia de balde JK cidade baixa. Enfim. Vi uns alemães bizarros também, frios. Os alemães não sabem mais fazer cinema desde Fassbinder. Os alemães são uns recalcados malditos, e por isso eu os amo. Meu humor é mórbido, filmes toscos e línguas bizarras me fazem rir. Eu acho lindo ser irritada por algo sincero.

Sonntag, März 08, 2009

doce demais fica amargo

Tipo um exagero de gotas de adoçante.

Oh, vida, é tudo tão metafórico.

Que dizer de "em caso de emergência, as máscaras cairão imediatamente"?

Que dizer do meu sono de você? Esse sono que é meio um sonho inspirador, difícil de explicar. Queria me fazer gentil à tua atenção. Quem sabe um dia você se orgulhe das minhas rosinhas faceiras e crescidas, no cabelo. Quem sabe uma hora a gente se cruza sem metáforas, eu de vestido e você de cachecol. E então você me convidaria para um café e estaríamos transmitindo a nossa ligação.


Você tem mentiras nos olhos mas não no coração. Suas fumaças são de cinzas semi-queimadas. Eu enxergo uma cortina delas sendo cortada por ondas de radiação afetuosa. O que você está esperando? Por que não abrir as janelas e deixar sair a fumaça? Quem sabe eu páro de fumar. Eu mataria por você, mataria em mim essa vontade de perder-se por entre florestas imaginárias de algodão. Doce? Não, amargo. Amargo como esse vazio que me deixa a saudade das tuas palavras jogadas ao vento sem a gente saber da onde veio. Eu não acredito em Nordestão. Os ventos precisam correr direito. Eu não quero acreditar em nenhuma desordem; eu não quero que você seja meu caos, pára de ser meu caos, por favor. Tá tudo errado. Era pra ser alívio e salvação, era praser arco-íris de emoção. E é um prazer murcho, fatigado, dormido. Dorme, dorme que eu durmo também. E amanhã mais um dia a gente acorda, cada um na sua cama, cada leite na sua caneca. É tão óbvio que tem que ser assim. É tão óbvio que não precisa, não precisa, não precisa. Ninguém precisa de ninguém, a solidão com TV a cabo é solidão? O que acompanha e o que aprisiona? Vícios ou quem sabe salsichas. Morcegos ou talvez dentes de plástico em festa de bruxas. Outubro ou Fevereiro. Ah, chega esse tempo que tanto faz, e tudo termina num vai-e-vem de nostalgias, lamentos e preguiças; salvos apenas, quando se tem sorte, pela cor do dia, ou pelo calor da noite, preta.

Bom dia, noite. Branca.

Samstag, Februar 28, 2009

este blog não tem mais idade para crises existenciais.

A idade me aflige. Há os que pensem que são sempre jovens, que não ligam para as rugas, que não dão muita bola para a estética em geral. Estética, bem, vocês me entenderam. Eu acho que não tenho mais idade para ter um blog, muito menos para ficar tentando fazer algo que se pareça vagamente com poesia ou egotrip. Eu gostaria de viver as coisas REAIS. Eu ando muito confusa com essas coisas de real/virtual. Tá tudo muito trans, tá tudo muito híbrido. Minhas unhas vestem azul marinho e minha cabeça, aspirinas. Eu tento ser sincera, mas tá cada vez mais difícil. No início parece simples, mas depois as metáforas surgem como nuvenzinhas pipocantes martelando. É difícil ser sincero em rede mundial. Eu tenho tanta coisa para dizer e, sim, eu tenho MEDO de dizer, mesmo com toda essa idade e etc. A interpretação é sempre livre, eu não tenho como interferir. Não tenho como dizer que as pessoas interpretam 'errado' o que eu digo, pois a interpretação é totalmente subjetiva e assim deve continuar sendo. Lembro daquele livro do Umberto Ecco, "Seis caminhos pelo bosque da ficção", que compara a ficção com um bosque, no qual podemos escolher o caminho a seguir. Eu fico também confusa com essas coisas de ficção/realidade/documento; tenho tendência a achar que tudo é uma grande mentira, que a gente vive numa bola de ilusão e não faz sentido pregar qualquer tipo de veracidade, pois até mesmo isso seria falso, como um ESFORÇO pela verdade e, se a verdade exige esforço, há algo de superficial em sua nitidez. Bem, mas tudo isso pra dizer que eu quero falar só a verdade, minha verdade, subjetiva. Eu acho que tudo isso já tá ficando muito confuso e nada REAL. Talvez eu devesse colar uns links legais, quem sabe aquele pra legendar filmes indianos. Talvez eu devesse colocar umas fotos ou uns desenhos. Ah, eu não quero. Quero só escrever aleatoriamente, me desculpem, sintam-se livres para me abandonar a qualquer momento. Eu sinto um cansaço surreal de mim mesma, mas preciso continuar. Sou como uma fugitiva correndo no teclado. Essa frase foi horrível, mas é mais ou menos isso. Não há tempo quando se escreve, logo, passado, presente e futuro são suprimidos. Não, eu não estou drogada. Provavelmente esse é o texto mais chato que já escrevi na vida, e o motivo é simples: me sinto mal, muito mal. Me sinto vazia de qualquer coisa que valha a pena expressar. Como disse o personagem 'louco' do Revolutionary Road: é fácil ver o vazio, muitas pessoas enxergam o vazio, difícil mesmo é enxergar a falta de esperança. Eu não sei se enxergo a falta de esperança, e acho que enxergar a falta de esperança talvez seja o primeiro passo para recuperar a esperança. Não dá pra ficar estagnado em situações infrutíferas. É preciso abrir os olhos para a falta de perspectiva latente de algumas situações na qual nos envolvemos. Não dá pra ficar nessas de que tudo é relativo, pois relativizar leva à estagnação. Certo é um conceito relativo? Bobagem. A gente sempre sabe o que é 'certo', e relativo é o conceito que não nos deixa fazer o que é certo. Certo, eu digo, é levar a cabo o coração. Todo mundo sabe de duas vontades mais fortes, pois elas não nos deixam em paz, caso contrário, não são vontades reais. Seguir essas vontades racionalmente, não por impulso, mas por vocação e cautela. Não se atirar, mas beber pelas bordas. Ah, tremendamente difícil isso de ir com calma. Meu coração é impulsivo, mais impulsivo que verdadeiro ou bondoso. Somos máquinas, e portanto tudo que eu escrevi até agora é uma grande bobagem. Na verdade, tudo que eu escrevi até agora era pra provar o quanto não vale mais a pena escrever aqui. Na verdade, eu estou em busca da minha falta de esperança libertadora. Na verdade, eu só estou matando tempo enquanto meu horário misterioso não chega. Ele está chegando, o horário misterioso. Eu estou sempre determinando horários misteriosos, eu estou sempre mudando de assunto. É o VAZIO, tô sem assunto. Vamos ver... eu tenho ido muito ao cinema. Ontem fui assistir 'Milk' e achei uma chatisse. O remake de Sexta-feira 13 eu gostei. Quer dizer, sou muito tosca pra avaliar um filme de terror. As pessoas no cinema todas rindo e tirando uma onda dos efeitos e sei lá, eu ali PULANDO na cadeira de medo. Acho que não sobrevivo ao My Bloody Valentine 3D. Imagina um FOGO e um MACHADÃO voando na minha cara em 3D. Medo. Enfim, eu não vou falar de cinema. Eu não entendo nada de cinema. O cinema é só ilusão e eu vou chorando pelo campo (Lobão). Ai, ai. Tá difícil esse horário misterioso. Meu corpo pede água, ou melhor, suco de maracujá. Tudo que eu queria agora era meio litro de suco de maracujá bem docinho e um cigarro. Acho que até dispenso o cigarro. Ah, fato é que aqui eu não consigo mais ficar. Sem querer ser relativista, quero dizer AQUI, em um lugar específico. Eu queria a supressão do tempo/espaço. Céus, eu juro que não me droguei. Simplesmente acordei assim com essas idéias meio mágicas, meio infernais. Eu queria levantar voo e dormir voando, veja só que excêntrico. Não sei como eu faria isso, não sei se os pássaros dormem voando, mas acredito que não. Nossa, tá muito calor aqui. Entendam que toda a situação do ambiente quente/escuro é terrível. Não o sinto como meu ambiente, apesar de conviver com ele há no mínimo uns 20 anos. Nada aqui é meu. Eu entrei hoje nessa pilha da MATÉRIA, essa coisa de POSSES; acho que nada mais ilusório também. Acho que a pessoa enlouquece se começa a pensar que tudo é ilusório. Talvez seja tudo culpa da ficção, talvez eu devesse ler mais jornais e assistir mais documentários, talvez meu vazio precise ser preenchido com boas doses de VIDA REAL. Talvez, talvez, talvez. Parece até que nesse texto tudo gira. Certamente estou escrevendo com uma boa dose de ressaca e ela parece estar se expressando. Ah, eu me sinto tão idiota. Eu realmente sou uma pessoa chata, eu realmente não quero mais conhecer ninguém, pra ninguém me conhecer. Eu tenho preguiça do mundo. E isso é uma declaração de amor. Eu acho o mundo bom demais pra mim. Não consigo me adequar. Estou super inadequada. E esse horário não chega nunca.
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Bem, começo a achar que meu horário misterioso é ilusório também. Começo a ficar triste, terrivelmente triste. É uma tristeza meio inexplicável. talvez seja o que chamam de melancolia; é aquela tristeza ameeeega que me acompanha desde os 9 anos de idade. Eu lembro se senti-la quando ficava sozinha em casa. Lembro de sentar na janela e escrever no meu diário. Talvez eu lembre até da vista da janela, de canto. Fato é que o horário misterioso parece agora se aproximar, sinto vibrações no barulho da torneira. É difícil explicar mas, como eu disse antes, tem coisas que eu gostaria muito de exteriorizar mas é um tanto complicado assim em rede mundial. Eu acho que não odeio muitas pessoas, com certeza tenho mais tédio do que ódio no coração. Me irrita o fato de começar todas essas frases com 'eu', 'eu' e 'eu'. Porra, as pessoas só sabem mesmo falar sobre si mesmas, isso é tão, mas TÃO irritante! É tão complicado encontrar pessoas com as quais se possa trocar idéias que não sejam exatamente sobre elas mesmas. As pessoas são TÃO interessadas pelos seus empregos, seus amores, seus gatos. Ah, deve ter algo de errado coomigo mesmo. Eu que deveria ter um emprego, um amor e um gato, ao invés de ficar querendo discutir cinema e literatura. Eu sou uma louca. Aonde eu quero chegar com isso? Na hora misteriosa, é claro. Ela se aproxima. Eu começo a suar. Tudo vai ficar bem. Tudo vai ficar bem. Quando a hora misteriosa CHEGA, tudo fica bem. Você começa a perceber que mesmo aquela paixonite idiota que te aflige é uma grande bobagem. Tudo, tudo uma grande bobagem. Você começa a perceber que pra ser feliz bastam alguns discos, uma brisa fresca e um suco de frutas. Você não quer que a hora misteriosa termine nunca. Mas ela termina, o grande problema é que ela termina, e aí tudo volta a ser como antes, até a próxima hora misteriosa, e assim por diante. Eu não sei se isso é triste. Eu acho que o importante mesmo é o desapego, mesmo das horas misteriosas. Eu estou agora aqui aflita, completamente APEGADA ao meu momento mágico que se aproxima. Isso não é certo. Talvez tudo melhore, quam sabe até CLAREIE, depois do meu suco de maracujá. Eu não deveria me irritar tanto com as manias egóicas alheias, afinal, impressionante o tempo que fiquei aqui falando de mim mesma e do quanto o mundo é injusto com pessoas sensíveis e cultas como eu. Acho que minhas unhas ficam realmente elegantes em azul marinho. Acho que ele nunca mais vai falar comigo de novo, mas eu acho isso todo dia, e ele sempre volta a falar. Tô precisando demais da minha hora mágica. Pra desapegar dele. Sim, eu estou completamente apaixonada. Porra, será que escrevi até agora pra dizer isso? Tudo que eu queria era dizer eu-te-amo em rede mundial? Ah, não é possível. Eu estou cada vez mais demente. Eu não deveria publicar essas coisas. Eu não deveria gostar desse cara. Pressinto que estou estragando tudo. Eu tenho um leitor que sempre quando eu escrevo sobre amor-e-etc, ele acha que é com ele. Ele vai achar que eu estou apaixonada por ele. As pessoas não entendem a minha pilha impulsiva, frenética e passional. Eu vou começar a acreditar que as pessoas tem MEDO de mim, apesar de isso me impelir, ao mesmo tempo, a achá-las completas idiotas. Medo de MIM, saca. Sou uma criatura inofensiva, bondosa e tenho dentes espantosamene alvos para uma fumante milenar. Isso me define? Jesus tinha about me? Isso está virando uma egotrip sem nenhum sentido?
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-------------------------- [pausa para a recepção da hora misteriosa]---------------------------
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Bem, aqui concluo a minha despedida. Acho que foi uma despedida desde o começo. A hora mágica está vindo, eu a pressinto nas buzinas lá fora. Na verdade, não há buzina. Foi um prazer conversar com vocês pois, acreditem, pra mim os posts são sempre boas conversas. Eu espero que todos me entendam, não levem a mal minhas colocações e não me achem uma louca. Não vou dizer que cão que ladra não morde, pois eu fui mordida por um desses. Não há qualquer teoria que possa comprovar a minha sanidade mental. Na verdade eu deveria me ocupar em MANTER a sanidade mental. Ne verdade, eu estou com bastante raiva no coração, nesse momento. Pessoas chatas impedem a chegada da minha hora misteriosa. Eu estou com muito calor e ficando ligeiramente mau-humorada. Minha cabeça meio que dói. Eu estou de saco cheio. Ai sabe. Algumas pessoas deveriam ficar longe pra me ajudar a manter a sanidade mental. Como as pessoas não se ligam? Como as pessoas não tem vergonha de ficar mendigando a atenção do desprezo?
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ELA CHEGOU.
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Não aguento mais refletir, beijos.

Samstag, Januar 24, 2009

Este blog está em crise existencial.

Volto quando o I-Ching deixar.

Montag, Januar 19, 2009

vai todo mundo tomar no cu.

Pessoas que usam drogas e não asssumem, pessoas que se enxergam em todas as entrelinhas. Pessoas, pessoas, pessoas. Pessoas adultas, é claro. Pessoas que perderam a sinceridade e ficam agora jogando dominó com suas mentirinhas confortáveis e verdades pequenas. Qual combina com qual? Verdade? Paradoxo? Quem se importa. Quem se importa se você dormiu ou acordou bem, se você se alimentou direito, se você chora? Quem se importa? O sistema de apoio, os amigos de auto-ajuda eme-Ésse-ênica?
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Quem se importa nunca importa, pois quem pergunta quem se importa, pouco importado com os outros está.
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Eu fico com as EXportações. Pacotes de raiva em delivery internético. Que blog idiota. Quanta besteira, quantas alfinetadas lunáticas que as pessoas compram para si. Nem sempre fiel, mas sempre sincera, assim diz o meu signo.
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Mas cansei. Da sinceridade, da honra, da bondade. Nem sou boa, no final das contas. Nem gostosa, nem feliz. Louca? Sim, 'fulana é louca'. Se a fulana não é feliz, nem gostosa, nem brilhante e nem assim completamente OPACA, então ela é louca. Querem saber? Estou cheia de todos vocês. E não é uma questão de renovar as amizades, pois o meu egoísmo não me permite ver nada de bom nas outras pessoas. Elas sempre vão me decepcionar, SEMPRE. Ou quando mentem, ou quando me pedem pra mentir, ou quando simulam, ou quando passam reto. Não, passar reto é sincero. Escrotisse declarada é linda. Nada me irrita mais que o talento simulatório. Em mim mesma. E continuo simulando? Sorrindo? Comendo? Compartilhando cigarros? Vou dizer pra vocês: ser obrigada a dizer "Bom dia" e "Boa noite" para pelo menos uma pessoa, SEMPRE, me deprime. Sou egoísta. Quero um mundo só de gabrielas e controles remotos. Todos os controles são remotos, afinal.

Perder o controle em rede mundial é lindo. Prefiro perder o controle no corpo de texto blogal com uma lata de cerveja na mão do que medir palavras fofolétis em comentários de é-comentando-que-se-recebe. Maldita civilização. Não a de pedra nas ruas, mas a da cabeça que viola o coração. Cresceram os muros e edifícios comprimindo as cabeças? Duras? Ir pro mato resolve? Não sei. Talvez o tio da vendinha maldita tenha uma cabeça mais dura e murulenta que o chefe-mega-empresário. Meu problema são PESSOAS, e não cidades. Essa coisa toda de gostar das pessoas por elas usarem drogas ou não, estudarem ou não, trabalharem ou não; CIVILIZAÇÃO. É, ter MOTIVOS pra gostar dos outros é realmente fruto de uma mente saudável. Saber colocar as coisas na balança é a marca do homem civilizado. OU OU OU...

Me arrpenderei e apagarei esse post. Mas ficará nos rascunhos. Agora e na cara do Blogspot, amém.

Odeio vocês, não esqueçam. Todos vocês. E falo isso assim, na tela dura, sem medo de perder nenhuma amizade pois, infelizmente, SEMPRE haverão outras.

Montag, Dezember 15, 2008

the lady don't mind

I wanna talk
as much as I want
I'm gonna give
I'm gonna give
the problem to you
(Talking Heads)
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--- Lacinhos perdidos---
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Em uma manhã de domingo na Cristóvão Colombo, Osvaldo Aranha, entre floristas e cobradores de ônibus. O jovem sério e vazio, sério em suas crenças e misticismos, me mostrando suas coleções artísticos-culturais que demonstram apreço pela arte. Contemporânea. No, no. The lady don't mind.
Mentira.
Se importa sim.
Ela - gosta - de - dizer - o - que - sente. No good at all. Me deixem com minhas máscaras, é uma escolha minha. Nada contra o jovem sério, já que também foi uma escolha minha. Apenas que ele não precisava ter arrancado o lacinho. Mal favorecimento genético a gente entende. Cabelo comprido e tom de voz SUAVE também. Mas arrancar o lacinho? No,no. No problem at all.
Sorrisos preecheriam estas coronianas linhas? 'Escolha uma carreira' lhe parece uma frase ambígua? Bem-vindo ao mundo pós-noventa cantando que usamos as mesmas roupas por que sentimentos do mesmo jeito (Blur). Conjuntos musicais provincianos dão no mesmo? A pergunta que não quer calar. Restos de sorvete me encaram misturando-se com cinzas de cigarro sintético. Ou renovável, não lembro mais. Tem vezes que apenas um repeat não é suficiente, outras nos enchem de vazio com suas nuvens de solidão congeladas em alguma auréola celeste wagneriana. Mundos sem falos e cocôs são impossíves mas me agradariam de segunda. Quinta mão. Vermelho escarlate. Escorpião de chocolate. Mágica sem pós de arroz e remédio sem mediciana alternativa de pontinhos na orelha. Massagem. Terapia. SãoPaulo ou casa própria? Domingo ou Quarta? Quarta ou Nona? Quarto de Caetano. Aguardo. Aguardente. Qual a relação do ânis com a erva doce?

A mágica indecente
e pura
dos olhos
sem pé
florescendo
na
ne
ve

TV.-nave.


Jardins decorados em fotologs. The lady is pissedoffgrl.

Freitag, November 28, 2008

keine auge


tanto faz amor

o tempo
o remédio
o sopro

cas ais

tanto faz
se chovem
se comem
se dormem

i need you baibe?
i love you baibe?
oh pretty baibe?


não
definitivamente não
há amor

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Mirácola estava tomando uma cerveja e observando o sol descer na orla. a descida do sol é algo realmente relevante depois de um dia de calor, sol no côco. As vendas de côco na estrada, lembra Mirácola, que milagre são as águas que descem doces na garganta. Que milagre são os dodóis que sobem assados pelo meio das pernas. Que lindos são os medos que afloram nos dias de tempestade. Que que que ---> usa-se pra expressar maravilhamento? Definitivamente não. Há surpresa. Há confetes e churrascos, não necessariamente nesse ordem. O sol desceu no rio e a cerveja pela garganta de Mirácola. A descida é o símbolo do fim. O fim da cerveja e o nascimento do arroto. Na alma da boca. Na boca do coração. Já ouviu o seu (coração?) hoje?

Samstag, September 27, 2008

breve tradução de dois jardins

O jardim de nossa casa familiar, que hoje pertence ao meu velho irmão, começa pelo lado esquerdo do terreno, salpicado de ervas belas e daninhas; chamam atenção as alaranjadas flores de pétalas levemente pontiagudas e os canteiros separados por fileiras mal alinhadas de tijolo. São três os canteiros. No primeiro está a bananeira que com tamanha insensibilidade teve as folhas, por despejar suas franjas desprezando os limites da cerca elétrica, cortadas pelo novo vizinho que construíra sua casa sustentada por pilares de aço anti-terremotos. Algumas pessoas não suportam o mínimo rompimento de limites.
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No segundo canteiro, não cansa de envelhecer a antiga e harmoniosa pereira, com seu tronco de cascas secas mas ainda eficiente no sustentar dos galhos e seus pesados frutos; que quando maduros caem muitas vezes já podres ou previamente degustados por aves de pêlo colorido. Por esse motivo, nosso pai costumava ensacar as pêras com saquinhos de papel para cachorro-quente e alimentar os passarinhos com farelos de pão. E, mesmo em idade já avançada, não furtava-se de subir na bamba escada construída para alcançar os galhos mais altos.
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Tanto a leveza quanto a altura, a velhice quanto a maturidade, as pêras verdes e pesadas quanto às maduras e fatigadas caídas ao chão; nunca entendi como podem os filósofos modernos não se interessarem por tais explícitas relações conceituais. É sabido que a natureza reflete o homem, tanto nas límpias águas de um riacho abandonado no paraíso quanto na poluição de um rio urbano. Nosso jardim é um éden abandonado pelo ritmo sinuoso da cidade e seu espaço, mas jamais pelo tempo. Que o tempo corressse e vizinhos amigos ao morrer deixassem suas moradas para a livre destruição e bem aventurança de futuros moradores jovens com filhos de idade a brincar de balanço enquanto a queda inexorável não vinha, era certo. No entanto, isso a nossa mãe incomodava, ela que nunca gostou de mudanças e por esse motivo era aficionada pela limpeza e manutenção de seus bens. Essa era uma tentativa de evitar que o tempo a transformasse como bem quisesse, uma forma de mantê-la no poder ilusório da fruição natural. Dessa forma, o jardim era cuidado por nosso pai; a ele agradava as pétalas da flor de pêra espalhadas pelo chão com o mudar das estações do ano, assim como entusiasmava-se ao ver suas plantas crescerem e darem frutos ou milagres.
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O terceiro e último canteiro era onde ficava a pequena árvore de pitangas e as roseiras. Antigamente as fazia companhia também uma ameixeira, mas essa foi a baixo depois de ficar ‘bixada’, segundo alegaram nossos pais. Nunca entendi muito bem como apodrecem as plantas e suplicam pela própria destruição, assim como não entendo a facilidade dos homens para derrubar uma morada construída; quem sabe porque os que derrubam nunca são os mesmos que constroem, e os que morrem nunca os mesmos de quando nasceram.
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Hoje, quando volto a esse jardim do qual talvez nunca tenha saído, por ser ele o jardim de nossa infância, não carrego uma máquina fotográfica; deito na laje fria que por tanto tempo minha mãe reclamou a sujeira das pétalas deixadas pela pereira e contemplo os galhos de baixo para cima. Tal visão sempre me recorda um videoclipe da década passada. Me agradam os videoclipes com músicos processando canções em lugares tão vivamente naturais como um bosque ou uma praia, sendo o que mais gosto ambientado em uma ilha no meio de uma montanha de neve, a qual tem no centro um coqueiro de plástico.
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Um coqueiro de verdade exibe um segundo jardim da casa de nossos pais, o jardim da frente. E o chamo segundo porque dele nunca usufruí com prioridade, por rebeldia de ser teoricamente o principal. Talvez nunca tenha permanecido ali mais que um cigarro solitário, já na idade adulta, compartilhando minhas nádegas com as lajotas vermelhas que circundam o caminho de mármore até a porta. Mas lembro, por exemplo, de um amigo da adolescência indagar o porquê de nossa porta frontal sustentar o trinco justamente no meio e não no canto direito como a maioria. Penso que era alguma espécie de estilo em voga na época dos anos 70: uma maçaneta prateada se impunha no meio da porta de entrada envolta por um círculo também de cor prata. O círculo, para os antigos, representava a forma perfeita, e foi muito usado no cinema expressionista contra fundos iluminados, expressando assim a passageira harmonia do personagem.
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Gosto dos filmes expressionistas porque expressam, através da textura e do grafismo convertidos em imagem, os sentimentos humanos. Os filmes, assim como os jardins, prestam-se à comtemplação e podemos sempre recorrer a eles para exemplificar a memória, já que a memória nunca é confiável, pois está sempre submetida aos humores.
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Agora, após a refeição do meio dia, contemplando o primeiro jardim mais demoradamente, de estômago preenchido e sossegado, a pereira que antes parecia de tronco cascudo e seco me chama atenção para os cachos de flores que saem de seu sustentáculo de madeira viva; certamente uma outra planta acoplada à árvore, por métodos e denominação que me são desconhecidos. Parecem-me, pois, os filmes expressionistas ainda os mesmos, por não estarem nesse momento dispostos a minha frente por meio de algum aparelho reprodutor de imagens. Ainda que os escritores modernistas tenham sucessivamente tentado explicar os sentimentos por meio da exaustiva e prazerosa descrição das máquinas e seus respectivos funcionamentos e reproduções, ainda assim o homem não se mostrou mais inclinado a descrição da máquina como da natureza. Hoje, quando volto a esse jardim, penso que diz mais ele a mim do que eu sobre a bicicleta que aqui me trouxe e agora demonstra toda sua inutilidade quando limitada por um espaço restrito e domiciliar. Abandono então meu cigarro na borda da lajota vermelha para esquentar o café, e quando volto vejo que se rolou sozinho e com o vento até o centro da varanda. Contemplo a imagem, diriam muitos, metafórica, e lamento não carregar mais uma máquina fotográfica, apenas uma bicicleta.
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Muitas são as teorias sobre o turismo, maldito impulso humano de andar em círculos iludindo-se com o movimento que faz do tempo um joguete. Conhecemos certa vez um ciclista, o qual viajou léguas e léguas, cruzando fronteiras imaginárias a bordo de seu veículo de duas rodas. A roda, para os modernos, é símbolo de agilidade e condução.
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Meu irmão recolhe o cigarro do centro da varanda e o dispõe entre os lábios, estes circundados por marcas que sinalizam o cansaço da pele em abrir e fechar a boca sucessivamente ao longo dos anos. A velha vitrola portátil de nossos pais carreguei hoje até o meio do jardim frontal e dispus entre os girassóis, assim como a poltrona aveludada do antigo escritório. Aqui estamos onde jamais teríamos antes podido estar, pois a nossa mãe não agradava música nem desordem, cigarros ou flores. Aos nossos jovens corações, entretanto, não agrada a estabilidade, a não ser assim, visitada como lembrança viva, pois que reviver nada mais é que dar vida à memória.
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E, MILAGRE E EPIFANIA, eis que no meio do girassóis nasce um asfalto, exalando a fumaça quente de um ovo que nele se frita. E do ovo surge a suculenta gema e a saborosa clara, ainda que não nos mesmos corpos de quando saíram da galinha mãe. Os vícios derretem-se entre o caldo e a consistência, formando uma anti-matéria invisível aos nossos olhos que contemplam-se num misto de filmes e jardins. As calças desbotadas de meu irmão envolvem pernas que andaram por lugares que nunca vi e meus óculos coloridos parecem barreiras para o olhar dele que tenta inutilmente atravessar o reflexo de uma janela, sabendo ele que as janelas são sempre fixas; o que muda é o movimento, das máquinas, no asfalto que nasce os girassóis e dos girassóis que frágeis balançam ao vento.
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Muda, a contemplar o asfalto que entre nós nasceu, lhe estendo a xícara de café, pois que a boca não pode ter nada a dizer quando os olhos não se encontram. Meu irmão retira o cigarro dos lábios e o afunda na xícara, dizendo que agora sim estamos ambos de lábios livres para sorrir das mãos e dos olhos que tudo desvirtuam, como as ervas que quando arrancadas tansformam-se em milagres do estômago e do coração, ou físicos falando da anti-matéria. Eu digo que tanto faz, posto que tudo dissolve-se em um quarto canteiro do nosso asfalto-girassóis, por mais que não tenha sentido, aventura e emoção, pois aqui quem vos escreve é um ser humano e não uma memória.
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Sonntag, September 14, 2008

bringing David Foster Wallace back

Impossível trazê-lo de volta para onde nunca esteve. Físicos cogitam a supressão temporal. O tempo não faz sentido, quem sabe a distância. David Foster Wallace morreu-se e com ele meus sentimentos de miojo sabor morango. Meu nojo do mundo... ah, foda-se. Não quero aqui aparentar uma mente problemática ou mal compreendida. Quero apenas dizer que compreendo e não julgo. Não farei um discurso sobre o quanto o mundo é injusto para as almas sensíveis. Ele nem mesmo deixou um bilhete. Como disse um amigo, se tivesse começado a escrever um bilhete de suicídio talvez estivesse escrevendo até agora e não tivesse se matado.
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Todas as manifestações são do tipo: 'OH CÉUS MAS PQ!'
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Eu acho menos compreensível dizer porque continuamos nós a não morrermo-nos. As órbitas estão cansadas e nós estamos cansados das órbitas. Todo o estudo sociológico/filosófico fala em andar em círculos, mesmo o câncer (doença do século) é uma metástase, tal qual a metástase da informação. Se o ciclo tem caráter vital, também morre por rapidez e excesso. Tudo que está vivo morre e tudo que morre um dia esteve vivo.
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O que fazer com tanta informação? Como organizá-las de modo sensível e que nos dê prazer? Tentamos, começamos e paramos, pois a tarefa é árdua. Seguimos 'bringing back' como se essa fosse a solução; trazer de volta os anos 60, 70, 80, 90... blocos de informação pasteurizada, moda. Ah, a moda; simples saída para a individualização superficial. E que outro tipo de individualização poderíamos ambicionar? Nossa vida é feita de imagem e superfície; tela plana, digital, widescreen, plasma. Q? Eu não sei a diferença. A 'arte' muitas vezesé feita de frases roubadas do msn e as fotos da exposição ao lado talvez sejam muito grandes para o alcance de nossos olhos viciados, melhor dar uma olhadinha no fotolog do artista.
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Mas o que isso tudo tem a ver com arte? Ela, musa maior que já foi um meio de tornar a vida suportável, hoje se tornou, quem sabe, um flyer de sexta feira à noite. Arte é diversão. Eu não quero morrer-me, mas também não quero diversão. A diversão é um meio eficiente para se encobrir o tédio e nos livrar dos enfrentamentos necessários com nosso próprio vazio. Ou quem sabe o segredo seja mesmo não refletir sobre coisa nenhuma.. mas o segredo de quem e para quem? O mistério morreu. Nossa relação com as imagens, por exemplo, não é mais de contemplação e sim de interação. Interdisciplinariedade, teoria da recepção, iluminação recíproca entre as artes. Q? Eu sei mais ou menos a diferença. E de que me adianta? Tanta informação me dá preguiça, e tanta preguiça me dá nojo. Assim como um miojo de morango, a metáfora futurista que eu fiz de DFW para mim. Me individualizo e me despeço, agora, no meu foguetinho de ameixas podres. Tchau, amiguinhos. Engulam de nariz fechado todas essas tiradas engraçadinhas, as minhas e as vossas. São tantos nojos que começo a ter nojo mesmo de limpar-me.

Mittwoch, August 27, 2008

bringing sexy baaaack



A imagem não tem o objetivo de suprimir o texto, ambos se conectam em uma relação complementar e não de sobreposição. 000000999999999999999ee443awaq Meu teclado não me deixa escrever; não sou mudérna, sou pobre mesmo. As imagens e os textos se iluminam e não se sobrepõem como os meus sonhos suprimem minha realidade. 'os' me perseguem. thinking oooof. offffff. confuso. chega de vazios e cuidados e palavras e pesquisas e moradas falsas. livre associação? eu não me associo em lugar algum, lugar algum me conecta, me complementa ou me suprime. tudo está ok. as coisas são como as frases, começam com maiúsculas e depois vão desistindo. a ideologia é tão linda, as atitudes generosas e românticas são tão belas quando contempladas nas imagens e nos textos mas na real láifi não funcionam bem assim. não somos generosos, não nos interessamos pela vida alheia. sim, eu assumo sua voz e a de quem mais eu quiser; o coração morreu, quem vai reclamar? a alma está de férias, quem se importa? num mundo de reciclagem o descartável interior está em voga. num mundo de gentilezas, o engano é certo. num mundo de grosserias, vivem os acadêmicos internacionais. já diria adoniran barbosa, mulher, patrão e cachaça, em qualquer canto se acha; é aquela coisa de coluna ereta, mente quieta e coração tranqüilo, pois as canções sabem demais. 'a canção que sabia demais é o o nome do meu novo curta'. 'clép-clép'. eu desisti, sabe. sei que a fé na humanidade já saiu de moda faz tempo, a questão é que os mesmos que se pronunciam contra ela, se colocam fora dela, numa ignorância semântica admirável. então, escutem as canções. e mais, ampliem seu modo de escutar as canções. i thought i knew you, what did i know. não, não é um post sobre desilusão amorosa, estou farta dessas também, saíram do meu guarda-roupa, apesar de continuarem na moda. your lips are moving, i can not hear. o amor tem essas coisas de desaparecer toda noite, pelo menos em mim. pois pra mim o amor não está nas pessoas, está no ar. love is the air, já sabia a canção. o amor está no ritmo, nas vozoso, no carinho de orelha interior. nos lugares que a gente lembra, mas não exatamente neles, mas no cheiro deles. no gosto deles. no quanto nos embriagaram. nossos lugares favoritos são tudo que já estava na gente mas despertou ali. por isso, um dos meus lugares preferidos é aquele entre a textura do travesseiro e o barulho do despertador. acordar cada dia com novas imagens deliciosamente indecifráveis, descobrir novos tons e arquiteturas em cidades que misturam o interior da infância e a metrópole aniquilante da idade mudérna. eu te dou sono? vai dormir pra ser genial de manhã, então. eu também vou dormir. eu também me dou sono, eu durmo demais, eu como demais, fumo demais e bebo demais. mas é pq eu amo demais. ha-ha-ha. é pq eu faço essa coisa assim CONFESSIONAL que não dá em nada, sabe. eu gosto dos excessos inúteis. eu adoro cortinas. e, sobretudo, meu MP3 player.

Dienstag, August 12, 2008

jogando arroz pela janela

É engraçado como as sombras da cozinha mudam e dançam e continuam confusas apesar de tudo estar mais claro agora aqui dentro. Eu jogo arroz pela janela para me livrar dos grãos que entopem o ralo da pia de lavar louça. Isso não é relevante, é apenas um começo e bobinho como todos os começos. No último mês conheci mais pessoas e entupi mais veias. [Isso é um meio.] No último mês aprendi a desamar e a querer bem. No último mês não lembro de ter lido ou escrito. [Isso é um fim.] Algumas coisas não estão nos livros e outras não podem ser contadas. Pensando bem, talvez todas as coisas estejam nos livros, mas é diferente. Estou falando de ficar sozinha sem sapatos no meio de uma rua desconhecida em um país estrangeiro. Estou falando de esquecer como se fala e de sentir o verdadeiro frio e a verdadeira fome. A solidão real e física. Estou falando do que não tem como falar e por isso, travo. Estou exorcizando e já nem sei sobre o que eu falava, só pra não perder o costume. Estou falando de não ter talento para falar, ou melhor, estou escrevendo sobre não ter o que falar. Cansei de falar. Meu maxilar dói. Minha mão de pegar a caneta treme e meus braços se movimentam involuntariamente num vai e vem de rodadas grátis. Estou falando daquela luz que vem de dentro do peito e pula no teclado; sem medos, sem projetos visionários ou pretensão vanguardista. Sem breguisse mas com amor. Com breguisse e sem preconceito. Sem sentido. Mas e daí? Não há nenhum conteúdo, é um vagão vazio, ou xícaras, ou bules ou bacias. Sem água, sem chá, sem chopp. Estou falando de paixão e desapego, dimensões que parecem tão distantes (e são), mas que apenas quando se encontram são capazes de nos fazer amar. Amar o inexistente, o vazio, o inexplicável. Amar não de verdade, pois a verdade inexiste e as opiniões nos sufocam; mas sim amar a si mesmo e a cor da plantinha na varanda. Amar a varanda, a vassoura, o balde que transborda lama em uma casa limpa. Amar alguém, claro. Amar qualquer coisa menos a própria confusão, confundir qualquer coisa menos o amor-próprio. E melancolizar pela vida esses conceitos inúteis, donos de nosso ser dilacerante. (OH!). Um tédio de Fernando Pessoa, um ônibus de Julio Cortázar; já não importa. Não sei fazer literatura. Não consigo afastar de meus pensamentos os meninos rindo de mim, mas agora eu também estou rindo; não por achar engraçado, mas o patético também tem seu poder sorrisal. Patética é a comédia das idades e os frutos que amadurecem podres e derrubados pela força do tempo. Patética é a falta de educação e a pseudo-intimidade criada por alguns seres humanos com intuito 'nós somos jovens, somos o exército do sol', queremos viver a letra das músicas mas só de mentirinha enquanto ela durar, tudo é permitido e lindo por duas semanas, mas tanto quanto descartável. Capitalistas-consumistas de sentimentos. Não sei se engraçado ou vomitante, por isso fico com o meio termo meia boca chamado sorriso. Um sorriso de obrigada, senhor, por me livrar dos males viciantes dos desejos sub-20. Um sorriso dos olhos e das rugas da testa. Um sorriso de quem chorou e sofreu e perdeu e ganhou recheio mais-mais. Um sorriso de fruto azedo e brilhante jovial não se compara a este fruto amadurecido e doce e discreto. Seja feio mas tenha a força. A generosidade não recompensa ninguém, o importante é ser forte. E se manter na árvore até o apodrecimento mais retardado possível. O importante é amadurecer preso aos galhos mais altos; contemplação plena do subúrbio sentimental. É preciso estar extremamente perto dos céus e totalmente desapegado de todos eles. Mas não sei, ainda não sei de nada; só que no próximo verão quero pegar um europeu. That's all. Fodam-se as reflezões ezistenziais, tudo sempre acaba em sexo e futilidade.

Samstag, Juli 05, 2008

este post não é para você.

não sejam pretensiosos, meninos. eu não estou apaixonada, eu não estou amando, eu estou vivendo ATRAVÉS. Sim, algo bem ao estilo break on trought to the other side, eu transcendo a posse, a saudade e mesmo o amor. Pois o amor, ah,o amor, poderia me demorar quarenta linhas enrolando um novelo de lã de volta às suas bases pois nem dez novelos de lã seriam suficientes para um cachecol do amor. Foda-se o amor. Ele que fique nas caixas de papelão da campanha do agasalho, como uma doação, como um favor, como uma caridade. Eu não preciso de caridade, eu preciso de um copo de vinho e um cigarro. Eu preciso trabalhar. Eu preciso escrever. Eu não preciso chocar nem amar, mas às vezes acontece. Acontece de atravessar a rua sem agasalho, acontece de tirar os sapatos na hora errada. Acontece de ser levada pelo jeito como ele amarra o cachecol. Mas não, não é amor. Mas não.... Como faz? Como faz quando não se sabe mais o que é e o que não é mas se quer continuar dançando de roupas novas? Ah, talvez essa coisa de vestimentas e amor não combine para você, mas é como eu disse: esse post não é para você.

Mittwoch, Juli 02, 2008

you're a bone machine

and you're so pretty quando olha pra mim e mesmo quando me mata de desgosto como caules degenerados de desprezo em belas flores murchas descansando a falta de cansaço na sacada do apartamento úmido de uma velha que não as rega. rega velha, rega, rasga também e deixa voar pela janela as folhas despedaçadas dessa planta que nem nasceu e já secou, onde tudo mais molha ou malha em aparelhos elétricos o bone machine. malha e deixa o suor escorrer como água que me mata a sede e depois me esgota, transborda, me queima lotada de paradoxo, me lota de vontade e preguiça e movimentos repetitivos inúteis. eu me saboto abrindo as torneiras do coração que enferrujam só de pensar em torcer. torcer não é válido, mais válido nadar na tempestade de um céu que não pode te esperar e chove. chove lá fora e aqui faz tanta fumaça, quando o que eu queria mesmo era que queimasse tudo de uma vez pra acabar com essa tortura de esperar a sêca que fere a todos, menos a mim. a sêca dos sentimentos que eu quero colocar na sombra mas jamais deixar que molhe, pois a falta de sol não é chuva, é só lusco-fusco vermelho-laranja de um final de tarde em que nada acontece em ti mas no meu coração sim, assim essa falta de verdade como a que não sai de mim, assim essa falta de clareza como a que me corta o peito como lâminas sem cabo de madeira, como o marinheiro no barco, na tempestade, no olhar choroso da menina branca. como o branco da roupa do pai de santo em um dia de festa. como cores e contas que não fizemos. como camas e mesas que não dividiremos. como astros e notas e líquidos eu te digo adeus e te amei. por duas, três, quem sabe quatro semanas de olhos abrindo devagar pra um amor desperto no lago de narciso. te digo adeus e te cuide, te digo cuida e reza, reza para o pai de santas mandingas de esquina em mais um dia de chuva no meu peito-bolha-de-pingos. nos meus pingos tristes de gotas amargas como remédio de rim. como rins que abraçam e pedem e não ganham recheio. te deixo assim como a um mumu-recheio de sonho mais delicioso que deixei cair na poça d'água da rua-enchente de mim. de novo te encontrei, te perdi e não me achei. de novo me lotei de lágrimas salgadas pós-doce. de novo escrevi merda por achar que assim o coração sossega.

brains on fire OU navigueira

O espírito do dia é um Pixies esganiçando na vitrola empoeirada, me fazendo lembrar do tempo em que a Figueira era nave. Minha mãe era secretária de uma escola de ballet e muitas manhãs passei brincando nas salas espelhadas; gostava de dobrar as portas e ver os vários-eus-refletidos, que em minha imaginação infantil configuravam paquitas de mim mesma. Acho que por isso sempre quis cantar, escrever ou pintar; mera questão de vício representativo. A escola de ballet ficava no segundo andar da escola de natação, na frente da qual erguia-se esplêndida a Figueira de minha infância. Depois das manhãs nas quais me divertia com os espelhos enquanto minha mãe atendia telefonemas, eu almoçava marmita de arroz com ovo e ia para a escola. As aulas acabavam às 17h30 e meu colégio ficava duas quadras a esquerda da academia, caminho que eu fazia com o prazer de uma colegial comendo azedinhas grudentas e a rapidez das meninas em idade de usar bermudas curtas e correr sem constrangimentos. Dessa feita, cinco minutos depois já estava eu na minha Figueira, acomodada na minha poltrona de galhos; assistindo o pôr-do-sol ao som das conversas de bailarinas de 14 anos penteando cabelos, vestindo malhas e estalando elásticos. Coques, grampos, banheiros femininos. Foi ali que aprendi algumas dessas noções de vaidade: a janela do vestiário povoada por agendas coloridas, escovas capilares e cheiro de suor, contemplados pelos meus distantes olhos de 8 anos. Lá embaixo, na sala de natação, uma loira tingida enfiada em polainas dava indicações de movimentos braçais em frente à piscina. Mais tarde, eu viria saber que tratava-se a mãe do meu co-piloto.
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Meu co-piloto de árvore-nave devia ser uns 2 anos mais jovem, era magricelo e carregava carrinhos que enfiava na areia. Sempre tive nojo dessa areia urbana na qual a gente cava, cava, mas tudo que encontra é cimento. Ele parecia não se importar. Ficava imerso em suas mãos e as rodas de plástico enquanto a mãe pulava fora d'água e eu girava 90 graus no galho mais baixo da Figueira. Um dia, assim, sem motivo, com a espotaneidade de uma criança liberta das racionalidades adultas, eu disse "Sobe aqui, vamos viajar! Tá vendo aquele tronco ali do meio? É a minha cabine, a Figueira é a minha nave". Ele me olhou num misto de surpresa e desconfiança, acredito que mais surpresa que desconfiança, ou então a própria mistura inusitada de insegurança e alegria ali contida era que produzia aquele efeito nos olhos dele; uns olhos que me diziam que se eu continuasse mais um pouquinho bem pouco conseguiria atar para sempre. Eu queria atar um garoto na minha rede de folhas e cores, pela primeira vez; carregar alguém para as minhas sombras. Porém, havia um detalhe, pequeno, mas importante: o destino da viagem era uma invenção minha e eu não estava brincando. Digo que não estava brincando pois levava deveras a sério a idéia do Tele-Transporte. E então expliquei ao garoto "Se tu subir aqui na minha nave a gente viaja pra outra dimensão. É só sentar e fechar os olhos. É uma viagem muito rápida. Quando a gente chegar tu vai ver que as coisas vão estar todas iguais, mas serão outras".
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[E agora me pergunto se ele realmente achava que eu estava brincando, e por isso mesmo aceitava, como alguém que consente brincar de roda ou de Dominó. -- mal sabem os garotos.]
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Da primeira vez que ele consentiu foi como se eu tivesse nas costas um peso maior que o da mochila que carregava nas costas indo-e-vindo do colégio para a Figueira. Mas era um peso diferente, uma carga que eu queria carregar mas não me sabia capaz. Queria descobrir. E por isso naquele dia dirigi minha nave-árvore com mais concentração e auto-controle.
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[É preciso disciplina para elevar os alteres pessoais das nossas descobertas.]
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Eu estava descobrindo o prazer de soltar o peso, quando estacionei aquela árvore nos meus sonhos, e disse para o garoto "Chegamos. Agora vamos dar uma volta e reconhecer o território... Como tu pode ver a quadra de tênis continua ali e também a piscina e também a minha mãe e a tua. Mas não te deixa enganar, estamos em outro mundo. Essa quadra de tênis é uma selva disfarçada de quadra de tênis e bem atrás da gente vem uma cobra! Anda, corre em zigue-zague pois é assim que se confunde a cabeça das cobras!". E ele corria, e eu corria, e ziguezagueávamos entre ciprestes urbanos ao redor da cancha que mais parecia uma enorme caixa de areia. Depois, exaustos, deitávamos na grama, e então eu mostrava pra ele as nuvens e as cores do pôr-do-sol, que já não eram as mesmas de quando estávamos na nave, e essa era minha única prova: as andanças do céu no tempo de um final de tarde. "Viu só, tudo em volta parece igual, mas se tu olhar pra cima, vai ver que tá tudo diferente", eu disse. E foi assim que pela primeira vez eu vi os olhos de surpresa e desconfiança de um garoto se tranformando em expectativa e orgulho... ele saiu correndo e gritando 'Estamos em outro mundo! Estamos em outro mundo" e nem lembrava mais do brinquedinho com rodas de plástico atirado no chão, prova incontestável da realidade pálpavel. "Vamos entrar na academia", ele disse, "Quero ver minha mãe de mentira". E então nós entramos; ele, exultante de compartilhar apenas comigo aquele segredo transcendental, olhava para os alunos de natação com uns olhos de amor-próprio exacerbado que só voltei a ver de novo na idade adulta, em olhos de usuários de cocaína. Tanto faz amor ou cocaína, dizem. E então ele avançou em direção aos braços metodicamente saculejantes da mãe e gritou exultante ''Tu não é minha mãe! Tu não é minha mãe! Tu é uma mentira!"
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Uma pena que essa brincadeira de tele-transporte místico tenha durado tão pouco, pois a mãe dele era, afinal de contas, colega de trabalho da minha. E eu, obviamente, tive minhas viagens transcendentais precoces confundidas com uma certa noção de MENTIRA, e por conta disso me configurei ali uma criança mentirosa e pertencente ao grupo das 'más companhias' para o filho da professora de natação; apesar de extremamente inteligente e criativa, como vocês podem notar. O talento para o tele-transporte ficcional já estava no meu corção bem antes de Pixies, assim como a tendência manipulatória digna de uma femme-fatale. Ok, talvez eu esteja exagerando. Talvez eu fosse apenas uma criança. Mas acredito que os sentimentos de reação padronizados já estão todos lá, pois ainda hoje tanto faz convencer um garoto a entrar na minha nave ou na minha cama, assim como tanto faz viajar para fora ou para dentro das árvores; os cabelos vão continuar voando e o gordo suado vai continuar esganiçando hey paul, hey paul, hey paul, let's have a ball. Tanto faz uma bola alimentada de plástico ou clorofila, um cabelo jovem sedoso ou um cabelo velho seboso. Dizem que os cabelos morrem, e então a questão se limita ao uso ou não do gel fixador durante a vida. E se a vida é uma idéia fixa, só nos resta lembrar. Ou sonhar.
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[meigo]
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Trilha sonora: desengavetando Pixies (Doolittle + Surfer Rosa)