Sonntag, Juli 30, 2006

Michael Curtiz e o Homossexualismo

[então, um pouco de cultura]
É fato que já se disse tudo que se poderia dizer a respeito de "Casablanca"; os diálogos sensacionais ("de todos os bares do mundo, ela tinha que entrar justo no meu" = nascimento de um chavão), aquele saber usar do preto e branco (Ingrid Bergman escolhendo lenços num camelô usando uma blusa em listras horizontais que cai muito muito bem com a gravata em listras verticais de Humphrey Bogart, por exemplo), iluminação e efeitos de neblina, essas coisas.
Mas ontem assisti um outro filme do mesmo diretor chamado "Anjos de Cara Suja" ("Angels with Dirty Faces", de 1938) e entendi por que Michael Curtiz é um diretor esquecido entre os grandes nomes da época. Ele não filma o amor, filma os homens.
Assim como em Casablanca, trata-se de uma história de amizade entre os homens e de como eles independem das mulheres quando vão tomar seu rumo na vida. Todo o blá-blá-blá de como meninos traquinas vão parar na marginalidade mas continuam sendo boas almas não passa de pano de fundo pra dizer que a amizade entre eles nunca muda, mesmo que um vire padre e outro continue um bad boy.
É exatamente como em Casablanca, não é a toa que a frase final do filme não diz respeito à personagem de Ingrid Bergman mas sim a um oficial nazista. Deixando pra trás o avião que levará sua garota para sempre Bogart dirige-se ao oficial alemão e diz "Acho que aqui está nascendo uma grande amizade" e os dois seguem empinando uma garrafa de algum líquido alcoólico.
E é isso, o grande problema é que Curtiz filmava melhor o amor conjugal do que amizade entre os homens e não sabia disso, assim como a maioria das pessoas não sabe que Casablanca não é um filme sobre o amor, é muito mais sobre homossexualismo e alcoolismo, e a maioria das amizades entre garotos vem daí. Genial.
Vai dizer que também não há uma conotação gay quando o pianista do Rick's Bar (grande companheiro de trago de Bogart) diz a Ingrid Bergman: "Fique longe dele, você dá azar"?

Donnerstag, Juli 27, 2006

Enfeite

Uma minhoquinha faz ginastiquinha, um minhocão faz ginasticão. Elas estão morrendo, elas estão morrendo. Pra que isso, Gabi? É um enfeite, apenas um enfeite. Mas pra que? ora, um enfeite não serve pra nada, é apenas um enfeite. Gosto de olhar pra ele.

Mittwoch, Juli 26, 2006

Roots Deutsch

Histórias infantis alemãs falam de morte.
Max e Mortiz acabaram num triturador por que eram muito traquinas, mais malvados que o Pica-Pau. A contracapa do livro mostra patinhos comendo as migalhas que Max & Mortiz se tornaram. Um outro livrinho infantil diz que se a criança não comer direitinho vai acabar que nem o ursinho Bauer, que aparece na próxima página enforcado.

[ Oh, pobrezinhos do Max e do Mortiz, pobrezinho do ursinho Bauer... Mas os traquinas e os ingratos devem sofrer! Por isso serei boazinha, sempre terei em mente o ursinho enforcado e o grande triturador!]

E assim a criança alemã cresce simpatizando com os malvados e ingratos, e isso induz, obviamente, ao amor próprio.

Provavelmente se tivessem matado o Pica-Pau em algum epsódio eu teria gostado mais dele.

Dienstag, Juli 25, 2006

Dia do Diabo

"A desgraça de Satã é a sua impossibilidade de amar. O abominável Pai da Mentira não gosta de ninguém. Daria metade de suas trevas por uma única lágrima de amor"
(Nelson Rodrigues)


Nelson Rodrigues disse que o sujeito que escreve deixa de ser ele mesmo ; "uma simples frase nos falsifica ao infinito". Infinito é o Oceano, suponhamos. Há os que escrevem para superar bloqueios e traumas; são os que chafurdam na superfície. São os que aparecem, pois a merda bóia. Mas quantos submersos no fundo do mar? O verdadeiro escritor é um diabo-marinho. Impossibilitado biologicamente de se perder numa ilusão de superfície, perde-se em si mesmo, entrega-se à extinção lenta. Apenas fica lá, sucumbindo, de dentro pra mais pra dentro.

Sucumbir versus Superar. Escrever não fazendo das palavras mentiras mas da Mentira Arte.

Mas essa frase ficou horrível, qualquer frase com "ARTE" fica horrível, afinal, ARTE está totalmente fora de moda, principalmente quando escrita em letras garrafais.

LIXO é uma boa palavra.

Feliz dia do Escritor!